terça-feira, 28 de junho de 2016

P.E.C. Nº 363: Crónica de um Rali anunciado...


No passado dia 15 de junho a FPAK publicou no seu site, com posterior difusão na imprensa e nas redes sociais, o comunicado que se seguida passamos a reproduzir: 

"Qua, 15 de Junho de 2016
No início do ano a FPAK publicou o regulamento do Campeonato Nacional de Ralis 2016 com o calendário das provas que o integravam.
Este mencionava que quatro seriam disputadas em piso de asfalto e outras quatro em pisos de terra.
Durante alguns meses tanto a FPAK como os clubes organizadores de provas do CNR  tudo tentaram para que este equilíbrio se mantivesse, conforme desejo de todos.
Infelizmente, apesar dos enormes esforços desenvolvidos, tal não foi possível e assim perante um caso de força maior, entre “amputar” o campeonato de uma prova ou aceitá-la em asfalto, mesmo que esta pudesse desequilibrar o mesmo, decidiu esta Direcção inclui-la.
Assim o Rallye Casino Espinho, organizado pelo Targa Clube, a 14 e 15 de Outubro, será disputado em pisos de asfalto.
A FPAK é a primeira a lamentar esta situação e qualquer desagrado ou transtorno que possamos ter causado aos participantes, não podemos deixar de apresentar as nossas desculpas, mas também estamos cientes de que o desportivismo, profissionalismo e empenho dos pilotos participantes em nada afectará a enorme qualidade desta competição."

Da análise ao comunicado em apreço, redigido num tom condoído e pesaroso (talvez para ‘amaciar’ a gravidade da situação que lhe subjaz), algumas notas que nos parecem ser importantes salientar. 

Ponto prévio: nada nos move contra o Targa Clube

Pelo contrário: reconhecemos e respeitamos por completo todo o seu historial, já muito longo, de organização de Ralis em Portugal. 

Afirmamos mais: o clube nortenho tem um acervo de competências no plano organizativo de provas da modalidade dentro do nosso país, como poucos outros seus congéneres se podem orgulhar. 

Por isso, parece-nos haver considerável razoabilidade quando ao Targa Clube se tem vindo a renovar sucessivamente, ano após ano, a confiança para colocar na estrada um evento pontuável para o campeonato nacional de Ralis. 

Desde 2013 que a organização liderada por Fernando Batista tinha edificado uma parceria com a edilidade de Guimarães para nas imediações da cidade-berço por em marcha uma prova, em piso de asfalto, a contar para o CNR.

Durante três anos (2013 > 2015), o Rali Cidade de Guimarães foi alvo, aliás, de bastantes elogios provindos de quase todos os quadrantes. 

Parecia, portanto, um Rali que tinha todas as condições para se cristalizar no calendário da mais importante competição de Ralis no nosso país. 

Em novembro do ano passado, de forma algo abrupta e com explicações que então, como hoje, nos parecem demasiado lacónicas e por isso não totalmente convincentes, a Câmara Municipal de Guimarães decidiu suspendera aposta no ‘seu’ Rali

Como estávamos então já numa altura de planificação da época de 2016, e como todos os aspetos organizativos de uma prova com expressão nacional (e até internacional) como o caso do Rali Cidade de Guimarães requerem meses de trabalho e preparação prévia, pareceu-nos natural que já no início de 2016 e aquando da divulgação dos calendários desportivos para a temporada agora a decorrer, a FPAK tenha concedido uma espécie de moratória ao Targa para poder reorganizar-se e encontrar soluções alternativas para por de pé a sua prova. 

Entretanto, em janeiro de 2016, foi anunciado nos meios de comunicação social e depois plasmado em forma regulamentar que o Rali Casinos Algarve, após um curto ano (2015) disputado em terra, voltaria aos troços de asfalto que o têm caraterizado de há vinte anos a esta parte. 

No próprio dia 15 de junho de 2016, aquando da publicação do comunicado que acima transcrevemos, era a própria Federação que no Regulamento do Campeonato Nacional de Ralis de 2016, publicado em janeiro e alterado em 20 de junho, previa expressamente que a temporada teria oito provas, quatro delas em asfalto (Castelo Branco, Madeira, Vidreiro e Algarve) e outras tantas em gravilha (Fafe, Açores, Mortágua e a prova que faltava definir sob a égide, pressupunha-se, do Targa Clube)

Esta é, em linhas gerais, a cronologia dos factos que nos conduz, então, até ao Rali Casino Espinho, a disputar no próximo mês de outubro, em piso de asfalto, colocado na estrada pelo Targa

Resultam deste intrincado folhetim uma série de situações que a nosso ver são especialmente graves. 

A forma como, aliás, todo este dossiê foi gerido pela entidade federativa, designadamente pelos seus mais altos dignatários com responsabilidades na área dos Ralis (a saber, para que não sobrevenham dúvidas: Manuel de Mello Breyner e Joaquim Capelo) é desastrosa. 

Pior: ao invés da aposta em clarificar por completo as questões que estão por esclarecer (o comunicado em análise não só não é informativo como inclusivamente adensa dúvidas, algumas delas mais abaixo elencadas), o Presidente da Federação e o Diretor da FPAK com a pasta da modalidade remeteram-se ao mais absoluto e inaceitável silêncio nesta matéria, à espera que o coro de críticas amaine com o passar do tempo. 

A mensagem e os sinais que a FPAK passou com este enredo são, portanto, a todos os títulos preocupantes. 

Dão conta de uma evidente degradação institucional na relação entre a entidade máxima do desporto automóvel português e os seus principais agentes (pilotos e clubes organizadores), que não pode augurar futuramente nada de bom. 

No epílogo de todo este processo conclui-se, portanto, que a visão e a política desportiva que a FPAK pretende implementar nos Ralis nacionais erradicam no seguinte:

a) 

Todo o edifício regulamentar da modalidade, bom ou mau, e que, em tese, deve ser universal, abstrato e aplicável transversalmente a todos os atores deste desporto, não interessa grande coisa sempre que haja necessidade de acautelar interesses individuais. 

Os regulamentos grosso modo não são, portanto, para cumprir.

A FPAK, que os aprova e os faz cumprir aos (alguns…) outros, dispensa-se ela própria de os respeitar escrupulosamente.  

b) 

Todos os clubes associados da FPAK são iguais perante a entidade federativa, mas há uns que são mais iguais que outros

Sendo mais iguais que outros, é-lhes concedido tratamento de exceção

Não nos parece que a importância ou o legado histórico que um clube organizador possa ter (e o Targa tem, com certeza que sim), lhe dê, sem mais, prorrogativas em especial para beneficiar da não aplicação ou, no caso, modificação casuística dos regulamentos.

c) 

Do comunicado agora objeto de análise, resulta também que na visão da FPAK só havia duas hipóteses na gestão desta questão. 

Ou a prova regulamentada para terra era 'transmutada' para asfalto. 

Ou então simplesmente amputava-se no calendário de 2016 um dos seus oito eventos. 

Resulta por isso bem claro que à FPAK não ocorreu (provavelmente por esquecimento…), caso o Targa não conseguisse, como não conseguiu, realizar o seu Rali em terra, pura e simplesmente confiá-lo a outro organizador que se encontrasse em condições de o fazer nesse tipo de piso. 

Os clubes associados da FPAK que não têm assento na organização de eventos do CNR (e que pelos vistos, dentro desta filosofia federativa, não irão ter nunca) talvez devessem extrair daqui as devidas ilações.

d) 

O respeito pelos calendários desportivos, pilar primeiro para dar um cunho de credibilidade a qualquer competição, não interessa para nada. 

Modificá-los a meio da temporada, podendo eventualmente subverter a verdade desportiva, é um efeito colateral de somenos importância.

e) 

Ainda sobre o comunicado em apreço, nem uma palavra sobre os pilotos (só no final, e apenas para lhes destacar o ‘desportivismo’, ‘profissionalismo’ e ‘empenho’, numa aparente cortina de fumo lançada para desviar as atenções do essencial), no limite os principais lesados no final de toda esta trama.

----------     ----------     ----------     ----------     ----------

De toda a súmula de acontecimentos em nossa opinião verdadeiramente inaceitáveis levados a cabo pela FPAK na gestão deste episódio, fica mais ou menos evidente que na Rua Fernando Namora, em Lisboa, foram feitas opções. 

Entendemos, como de resto já o frisámos em ocasiões anteriores, que a entidade máxima do desporto automóvel em Portugal deve ter, em primeiro lugar e acima de tudo, sempre que haja interesses conflituantes (no caso, entre quem organiza e quem compete), uma filosofia de trabalho virada para a construção de consensos e promoção do diálogo entre os diversos interlocutores da modalidade. 

Assim se fortalece as nossas corridas de automóveis. 

Assim se edifica um quadro de confiança e estabilidade regulamentar, indispensável para o crescimento dos nossos campeonatos. 

A atual direção da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting manifestamente não perfilha dessa visão. 

Opera numa lógica de trabalho assumidamente clientelar e corporativa

Na defesa apenas e tão só dos (alguns?) clubes organizadores. 

Podia eventualmente a FPAK tentar disfarçar, dando-se ao trabalho de, reportando-nos ao caso concreto e atento o melindre da questão, pelo menos ouvir os pilotos. 

Ainda que não institucionalmente, dado o completo esvaziamento de funções da APPA, conceder uns dias aos pilotos inscritos no CNR (não são assim tantos quanto isso, infelizmente) para se pronunciarem sobre o Rali Casino Espinho, versão 2016, sabe-se agora (ou melhor: sempre se soube…), ‘transmutado’ de terra para asfalto. 

nem vamos tão longe ao sugerir que seria o mínimo dos mínimos que é devido a quem investe milhões de euros na competição automóvel e é, no limite, o principal garante do espetáculo. 

Ficamo-nos apenas por dizer que seria um ato de respeito e de bom senso.

Algo que vai faltando aos principais dignatários do desporto automóvel neste país.

----------     ----------     ----------     ----------     ----------

No dia 22 de junho, o Targa Clube fez sair também um comunicado dando publicamente a sua visão sobre os acontecimentos relativos à mudança de piso do Rali por si organizado e integrado no calendário do campeonato nacional de Ralis de 2016. 

É um comunicado interessante. 

Pelo que diz

Mas, sobretudo, pelo que não diz

É que alegadamente, tendo por bom o texto do comunicado, na reunião havida em 12 de janeiro de 2016 entre o clube portuense e a FPAK, o primeiro transmitiu à segunda o nome da sua prova e os parceiros envolvidos. 

Mas em momento algum do comunicado transparece aquilo que é crucial: que o Targa tenha informado, em tal reunião de trabalho, o tipo de piso do seu Rali. 

Desde janeiro até junho (cerca de meio ano, portanto...), curiosamente por obras do inexplicável ninguém afeto ao clube nortenho terá reparado que o mapa do calendário do CNR ‘reservava’ à sua prova piso em terra para respeitar a divisão equitativa (‘o tão desejado equilíbrio’, como consta, aliás, do comunicado…) nessa matéria que os regulamentos estipulavam para 2016. 

Ripostando acusações de que entende ter sido destinatário, atira o Targa com a evocação de uma espécie de ‘Direitos Adquiridos’ face ao seu historial, para poder continuar a organizar em 2016 o seu Rali em asfalto, mas repudia, com todas as forças, ser beneficiário de um trato de exceção nesta matéria. 

Não está em causa que o Targa tenha, passamos a citar, o ‘direito’ de organizar um Rali pontuável para o CNR em asfalto. 

Esse é um ‘direito’ que em abstrato assiste a todo e qualquer um dos clubes associados da FPAK, embora depois no domínio do concreto se perceba que não é bem assim. 

O Targa tem todos os ‘direitos’ que pretender. 

O único ‘direito’ que não tem é que regulamentos que deveriam ter um caráter universal (aplicável a todos os organizadores por igual) e imperativo sejam modificados ao sabor dos seus interesses e conveniências.

----------     ----------     ----------     ----------     ----------

A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://rally-mania.blogspot.pt/2012/01/targa-clube-celebra-45-anos-de.html

sábado, 18 de junho de 2016

P.E.C. Nº 362: As ironias de que o WRC/2016 é feito...


I) Sopram ventos de mudança no WRC. Ou serão só ligeiras brisas?...

Há mudanças no mundial de Ralis do presente ano, quando comparado com a época anterior.

O novo modelo da Hyundai é um passo em frente em matéria de performance, começa a demonstrar a fiabilidade necessária para concluir Ralis, e encurtou bastante, se é que não diminuiu por completo, a diferença que separava a marca coreana da todo-poderosa Volkswagen na hierarquia do WRC.

A Citroen, após um período de alguma orfandade desde que Loeb e Ogier saíram da estrutura sedeada em Versailles, encontrou finalmente, após várias experiências falhadas (Hirvonen, Ostberg, Sordo) um piloto-âncora com perfil para liderar o projeto conduzindo-o (literalmente) a bom porto: Kris Meeke, claro está.

E o obituário da Ford/M-Sport, como o recente Rali da Sardenha demonstrou, talvez seja conveniente adiar-se algum tempo para ser redigido.

Pode-se dizer que temos mundial em 2016.

Está a ser uma temporada em que nas seis provas disputadas até ao momento cinco pilotos (Ogier - o único repetente -, Latvala, Paddon, Meeke e Neuville) ao serviço de três marcas diferentes (Vw, Hyundai e Citroen) lograram chegar ao lugar mais alto do pódio.

"No atual paradigma regulamentar, a ideia latente é simples: os pilotos são todos iguais, mas há um menos igual que os outros."

Essa incerteza quanto ao que pode ser o desfecho final de um Rali do WRC, pelo menos (e para já) em gravilha, é positiva.

Aliás, a ironia reside precisamente aí: nos Ralis em terra das últimas três temporadas (praticamente) só um podia ou conseguia ganhar, ao passo que na época agora em curso (quase) todos podem ganhar exceto um (justamente o ‘um’ que ganhava nos anos anteriores).

No atual paradigma regulamentar, a ideia latente é simples: os pilotos são todos iguais, mas há um menos igual que os outros.

Não nos repugna, pelo contrário, que possam existir mecanismos regulamentares para equilibrar performances e resultados no WRC.

É, aliás, prática comum dentro das corridas de velocidade.

A questão central que deve ser discutida nesta matéria é a razoabilidade em penalizar o líder do mundial (e só ele) em todos os Ralis disputados em terra, obrigando-o a abrir a estrada à exceção do último dia de prova (por norma o que até tem menos extensão quilometrada e em algumas ocasiões quase apenas serve para cumprir calendário), ou se deveria ser encontrado um sistema, por exemplo através de lastragens, que penalizasse os melhores classificados no Rali imediatamente anterior, ficando a escolha da ordem de partida em cada prova a cargo dos pilotos em função dos tempos realizados no Shakedown (chame-se-lhe, caso se prefira, Qualifying Stage), ou então em alternativa, como há vozes a defendê-lo, através de sorteio puro e duro. 

II) Nem tudo o que parece é... 

À margem da discussão sobre estas questões, o campeão do mundo de Ralis parece estar a ter vida mais difícil na temporada ainda em curso quando comparada com anos anteriores, dada a intromissão de uma série de adversários na discussão pelas vitórias em cada prova.

Será mesmo assim?

Não.

Não é.

Numa análise estatística relativamente ao que tem vindo a ser a prestação de Ogier e Ingrassia na temporada de 2016, após o segundo Rali do ano (Suécia) constata-se que a dupla francesa conseguiu a pontuação máxima possível no seu bornal (56 pontos), garantindo aí 23 pontos de vantagem sobre os segundos classificados na tabela de pontos, Mikkelsen e o respetivo navegador, Anders Jaeger.

No final da terceira prova (México), os campeões do mundo somavam 77 pontos, detendo uma supremacia de 35 pontos à melhor sobre Ostberg e o respetivo pendura, Ola Floene.

Após a conclusão da quarta etapa do campeonato (Argentina), averbaram 96 pontos, correspondente a um avanço de 39 pontos sobre Paddon e o seu copiloto, John Kennard.

No final da quinta prova (Portugal), tinham somado 114 pontos, equivalentes a uma supremacia de 47 pontos sobre o binómio Mikkelsen/Jaeger.

No momento em que redigimos estas linhas, e após a conclusão do sexto evento do WRC/2016 (Itália), somam 132 pontos, o que se traduz num ganho de 64 pontos sobre Sordo e Marti.

Tudo isto obedece a uma leitura que para nós é clara: não obstante a limitação de abrir a estrada nas provas cujo piso é em gravilha (cinco das seis provas disputadas até ao momento foram-no nesse contexto), Ogier tem conseguido a proeza notável de ainda assim, a cada prova, aumentar a distância pontual para o prosseguidor pontual mais direto (que vão alternando à cadência de um por Rali), à medida que diminuem os eventos (logo, as chances dos adversários recuperarem o atraso para o líder do mundial) até final da época.

Mas há mais dados que não deixam de ser irónicos.

A tentativa de travar a supremacia do francês por via regulamentar em 2015 e 2016, redundou no seguinte: de entre todos os anos (2013; 2014; 2015 e 2016) em que esteve/está ao serviço da Volkswagen, após as seis primeiras provas da temporada é precisamente nas temporadas atual e anterior que o recruta da equipa alemã logrou conseguir mais pontos de avanço sobre os respetivos segundos classificados na tabela do mundial de pilotos.

Em 2015, após os seis primeiros Ralis, tinha 133 pontos (mais um que em 2016) e Ostberg encontrava-se em segundo lugar com 67 pontos (menos um que Sordo em 2016).

Em 2014, cumpridas a mesma meia-dúzia de provas, averbava 138 pontos, mas a diferença para o segundo classificado (Latvala) era ‘apenas’ de 33 pontos.

"Ogier no presente ano (e não obstante as tentativas de lhe travar o passo) está perfeitamente alinhado com o domínio que vem patenteado no WRC nos últimos quatro anos."

Em 2013 reunia no mesmo período 126 pontos, sendo então a diferença para o seu sucessor na classificação (Latvala) de 52 pontos.

A ilação a extrair é simples: Ogier no presente ano (e não obstante as tentativas para lhe travar o passo) está perfeitamente alinhado com o domínio que vem patenteando no WRC nos últimos quatro anos.

Continua perfeitamente no radar do título que, a confirmar-se, será o seu quarto consecutivo.

Se não estamos perante um 'Séb' tão esmagador na sua supremacia, isso dever-se-á com grande dose de probabilidade ao facto do francês, dentro do elevado sentido estratégico que lhe é caraterístico, ter percebido que num cenário de haver muita gente a poder ganhar a regularidade assume contornos de redobrada importância.

Se o campeão do mundo assim efetivamente o pensa, melhor o tem feito.

Nos seis Ralis cumpridos em 2016 tem sido um pêndulo em matéria de resultados, terminando sempre, e sempre, dentro dos lugares do pódio (duas vitórias; dois segundos lugares e dois terceiros lugares), não deixando de aproveitar toda e qualquer migalha pontual que as Power Stage lhe possam ofertar.

Abrindo espaço à gestão de resultados como forma de atacar o título, na presente temporada Ogier tem, como vimos, ampliado em matéria pontual a cada prova o avanço para os rivais mais diretos.

Onde praticamente todos vão, aqui e ali, soçobrando com pequenos toques e/ou grandes acidentes perdendo necessariamente pontos (que num campeonato em que todos os resultados contam, se tornam à posteriori muito difíceis de recuperar), a chave do título está hoje, mais que em anos recentes, em concluir todas as provas.

Não significa isto que Ogier esteja a andar mais devagar.

Aliás, da impressão que vamos firmando em função daquilo que temos visto do gaulês em 2016, parece-nos que está a conduzir melhor e mais rápido que nunca (o próprio tem publicamente expressado, sobretudo nas entrevistas após a conclusão das classificativas, satisfação com as suas prestações ao volante), havendo tão ou mais mérito nalguns pódios conquistados este ano que em vitórias materializadas em épocas anteriores.

O aumento de dificuldades provavelmente dá-lhe um suplemento de motivação, na tentativa de provar que pode ganhar contra tudo e contra todos… os regulamentos.

E, nova ironia, é precisamente o facto de haver diversos pilotos a poder (e efetivamente a) ganhar por via da nomenclatura regulamentar para as provas disputadas em terra, canibalizando a conquista de pontos entre si (diferente seria se, não triunfando Ogier, fosse sempre apenas um outro a consegui-lo) o maior seguro de vida do atual líder do mundial rumo a conquista do anunciado tetra-campeonato individual de pilotos.


Longe vão os tempos em que a Hyundai percorria o caminho das pedras à procura da glória no campeonato do mundo de Ralis.

Hoje, a marca coreana assume às abertas a cartada forte que vai jogando na modalidade, não só através da sua equipa oficial no WRC, mas também com a intensificação dos testes ao modelo R5 com que conta fazer-se representar nos múltiplos campeonatos de Ralis disputados por esse mundo fora.

Os contrastes ou, se quisermos, as ironias na equipa comandada por Michel Nandan são interessantes de analisar.

Neuville, vice-campeão do mundo em 2013 ao serviço da Ford e, ao tempo, tido como o único piloto capaz de importunar Ogier no passeio que se já se adivinhava do francês rumo à hegemonia no WRC, foi contratado no início de 2014 para liderar o processo de evolução dos carros asiáticos no competitivo mundo dos Ralis na sua expressão máxima.

Não obstante a vitória do belga no Rali da Alemanha em 2014, além dos pódios obtidos na Polónia e no México, exigiu-se-lhe uma bitola de resultados que a inexperiência da equipa e os erros conceptuais da primeira versão do i20 não lhe podiam proporcionar.

Progressivamente foi sendo reduzido à condição de ‘proscrito’ no interior da Hyundai, sendo diversas as vezes na parte final de 2015 e já em 2016 (há duas provas atrás, em Portugal, por exemplo…) em que nem sequer foi nomeado para pontuar pela equipa, vendo-se relegado para uma espécie de terceiro piloto dentro da sua própria casa.

A agravar a sua posição, a ascensão fulgurante de Hayden Paddon, alicerçada em diversos Ralis muito conseguidos a partir da segunda metade de 2015 e no primeiro terço da temporada de 2016, coroada com a vitória cheia de autoridade na Argentina há três Ralis atrás.

Muitas vozes defenderam no rescaldo da etapa sul-americana do mundial de Ralis ser agora o neozelandês o novo e principal porta-estandarte dos pilotos na luta contra Ogier, reduzindo Neuville à condição de quase dispensável dentro da Hyundai, estigmatizado pela imagem de piloto pouco regular e muito atreito a acidentes.

De lá para cá, a ironia.

"Há portanto, ainda que de forma latente e com alguma ‘alternância no marcador’, um duelo Bélgica vs Nova Zelândia para ver quem se afirma dentro da Hyundai para liderar a equipa no cada vez mais apetecível campeonato do mundo de 2017. A ironia é que, pela calada, a Espanha também integra o grupo de 'candidatos'."

Em duas provas, outras tantas desistências do ‘Kiwi’ por acidente na decorrência de erros de condução (somou nestas duas provas mais abandonos que nos vinte e dois Ralis anteriores em que alinhou ao serviço da Hyundai), enquanto Thierry aguentou com notável estoicismo a fortíssima pressão de Latvala na Sardenha para vencer com classe a pretérita prova do WRC, reabilitando-se aos olhos de muitos observadores como piloto de topo no âmbito do mundial de Ralis.

portanto, ainda que de forma latente e com alguma ‘alternância no marcador’, um duelo Bélgica vs Nova Zelândia para ver quem se afirma dentro da marca coreana e a liderará no cada vez mais apetecível campeonato do mundo de 2017.

A ironia é que, pela calada, a Espanha também integra o grupo de 'candidatos'.

Dani Sordo, com pezinhos de lã, é o atual segundo classificado no mundial de pilotos, e o único, a par de Ogier, que concluiu os seis Ralis já disputados em 2016 dentro dos pontos, não sendo dissociável, sequer, a sua vasta experiência na modalidade da trajetória evolutiva de que a nova geração do i20 vai dando mostras.

Também o espanhol, dentro da atual estrutura regulamentar, compreendeu a importância da regularidade para alcançar uma boa classificação na tabela reservada ao campeonato de pilotos, facto que está, para já, a render-lhe dividendos comparativamente com os seus colegas de equipa.

Sabendo-se que três das oito provas para cumprir até final da presente temporada são em asfalto (China, Córsega e Alemanha), reconhecidamente o terreno de eleição para Sordo, e outra, alternando pisos de asfalto e terra, é precisamente o Rali disputado no seu país natal, onde, presume-se, os seus níveis de motivação estão em alta, caso mantenha o registo regular que vem demonstrando não será excessivo pensar-se que o espanhol pode, para surpresa geral, perfilar-se como um dos mais sólidos rivais para Ogier na luta pelo título, ou pelo menos um dos grandes candidatos ao vice-campeonato no final do ano.

Pela consistência de resultados e pela bateria de testes que vão intensificar-se nos próximos vezes visando aprumar os novos carros para o campeonato do próximo ano, missão que entre outros requisitos reivindica experiência ao nível do WRC, não será de estranhar que, com ironia, dentro de meses Dani Sordo possa não dar grande margem à Hyundai para prescindir dos seus serviços para 2017 (o seu contrato expira no final do corrente ano), mesmo quando é olhado em muitos quadrantes como um piloto já incapaz de um arrebatamento genial, ainda que momentâneo, que surpreenda pela positiva.

Logo ele que, acrescente-se, no contexto mediático e na preferência dos adeptos (nos resultados finais dos Ralis pelos vistos nem por isso…) está manifestamente em perda quando comparado com Neuville e Paddon.

No WRC a antiguidade ainda é um posto?                               

____________________     ____________________     ____________________

A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.volkswagen-motorsport.com/fileadmin/user_upload/Fans_Friends/1%20WRC/Rallye/Australien/Berichterstattung/2015/2015-09-04_freitag/2015-09-04_stimmen/886x498_vw-20150822-3379.jpg

domingo, 12 de junho de 2016

P.E.C. Nº 361: Rali de Portugal/2016, 'Vieira do Minho 2'


Com esta ‘P.E.C’ damos por concluído o ciclo de imagens dedicadas ao Rali de Portugal do corrente ano. 

A segunda passagem por Vieira do Minho, coincidente com a penúltima classificativa do evento, enquadrou-se naquela fase de pré-balanço final (não obstante haver ainda alguns lugares da classificação em disputa) dentro da qual os concorrentes competem já com um olho na estrada e outro na calculadora. 

Foi uma edição muito bem disputada, repleta de bons carros e pilotos de inequívoca craveira, que seguramente cumpriu a contento a celebração das bodas de ouro do evento. 

Para 2017 há, esperamos, mais Rali de Portugal, com uma nova nomenclatura de automóveis que se anunciam fabulosos, os melhores pilotos do mundo, e eventualmente, a ter por boas as recentes palavras de Carlos Barbosa, a reintrodução de Arganil no roteiro da prova. 

Por nós, a próxima edição da prova começava já amanhã…

-----   -----   -----   -----   -----   -----   -----   -----   -----

Yazeed Al-Rajhi || Michael Orr
- Ford Fiesta RS WRC -

Martin Prokop || Jan Tománek
- Ford Fiesta RS WRC -

Mads Ostberg || Ola Floene
- Ford Fiesta RS WRC -

Jari-Matti Latvala || Miikka Anttila
- Volkswagen Polo R WRC -

Eric Camilli || Benjamin Veillas
- Ford Fiesta RS WRC -

Dani Sordo || Marc Marti
- Hyundai New Generation i20 WRC -

Andreas Mikkelsen || Anders Jaeger
- Volkswagen Polo R WRC -

Sébastien Ogier || Julien Ingrassia
- Volkswagen Polo R WRC -

Kris Meeke || Paul Nagle
- Citroen DS3 WRC -

Nicolás Fuchs || Fernando Mussano
- Skoda Fabia R5 -

Miguel Campos || Carlos Magalhães
- Skoda Fabia R5 -

sábado, 11 de junho de 2016

P.E.C. Nº 360: Rali de Portugal/2016, 'Vieira do Minho 1'


Vieira do Minho.

Por outras palavras, a lendária Cabreira onde se substituiu o antigo ladrilho irregular aplicado em tosco por um moderno pavimento-flutuante.

Troço que para chegar a ele nos permitiu conduzir vários quilómetros na sinuosamente mítica Estrada Nacional n.º 103 (imaginarmos que somos tão bons ou melhores que o Ogier faz bem à autoestima e ainda não paga impostos…), subindo-se a partir de Salamonde até ao cimo do monte para nos regalarmos com os carros a passar, enquadrados pelo portento paisagístico minhoto, dos esmagadores recortes do Gerês até, na linha do horizonte, ao Sameiro, ali sempre altaneiro sobre a cidade de Braga.

Deu-se início nesta primeira passagem por Vieira do Minho ao terceiro e derradeiro dia de Rali, e ainda com a classificação final em aberto o lugar mais alto do pódio foi-se nesta altura paulatinamente inclinando para o lado de Meeke e Nagle, ao passo que Campos e Carlos Magalhães solidificavam a posição de melhores portugueses no evento, e Sousa e Hugo Magalhães estavam longe de imaginar o desfecho cruel que lhes estava reservado para a derradeira classificativa da quinquagésima edição do Rali de Portugal.

<><><><><><><><><><><><><><><><><><><><><><><>

< STÉPHANE LEFEBVRE - GABIN MOREAU >
- Citroen DS3 WRC -

< THIERRY NEUVILLE - NICOLAS GILSOUL >
- Hyundai New Generation i20 WRC -

< HENNING SOLBERG - ILKA MINOR >
- Ford Fiesta RS WRC -

< KHALID AL QASSIMI - CHRIS PATTERSON >
- Citroen DS3 WRC -

< VALERIY GORBAN - VOLODYMYR KORSIA >
- Mini John Cooper Works WRC -

< YAZEED AL-RAJHI - MICHAEL ORR >
- Ford Fiesta RS WRC -

< JARI-MATTI LATVALA - MIIKKA ANTTILA >
- Volkswagen Polo R WRC -

< ERIC CAMILLI - BENJAMIN VEILLAS >
- Ford Fiesta RS WRC -

< DANI SORDO - MARC MARTI >
- Hyundai New Generation i20 WRC -

< SÉBASTIEN OGIER - JULIEN INGRASSIA >
- Volkswagen Polo R WRC -

< KRIS MEEKE - PAUL NAGLE >
- Citroen DS3 WRC -

< MIGUEL CAMPOS - CARLOS MAGALHÃES >
- Skoda Fabia R5 -

< BERNARDO SOUSA - HUGO MAGALHÃES >
- Ford Fiesta R2 -


sexta-feira, 10 de junho de 2016

P.E.C. Nº 359: Rali de Portugal/2016, 'Amarante 2'


Na sequência do trabalho anterior onde desenvolvemos algumas linhas sobre a especial de Amarante, novas imagens colhidas no troço, desta feita aquando da segunda passagem da caravana do Rali de Portugal pelos estradões do Marão.

«»«»«»«»«»     «»«»«»«»«»     «»«»«»«»«»     «»«»«»«»«»     «»«»«»«»«»

 | SÉBASTIEN OGIER | JULIEN INGRASSIA | 
Volkswagen Polo R WRC

 | MADS OSTBERG | OLA FLOENE | 
Ford Fiesta RS WRC

 | ANDREAS MIKKELSEN | ANDERS JAEGER | 
Volkswagen Polo R WRC

 | DANI SORDO | MARC MARTI | 
Hyundai New Generation i20 WRC

 | JARI-MATTI LATVALA | MIIKKA ANTTILA | 
Volkswagen Polo R WRC

 | MARTIN PROKOP | JAN TOMANÉK | 
Ford Fiesta RS WRC

 | ERIC CAMILLI | BENJAMIN VEILLAS | 
Ford Fiesta RS WRC


 | KRIS MEEKE | PAUL NAGLE | 
Citroen DS3 WRC


 | VALERIY GORBAN | VOLODYMYR KORSIA | 
Mini John Cooper Works WRC

quarta-feira, 8 de junho de 2016

P.E.C. Nº 358: Rali de Portugal/2016, 'Amarante 1'


Desde que em 2015 o Rali de Portugal reassumiu funções a Norte do país, Amarante (o ano passado designado por 'Fridão') é o troço com maior extensão na prova: precisamente 37,67 quilómetros.

As tradições da Serra do Marão são enormes na história do evento, e em boa hora o ACP, pela mão de Pedro de Almeida, em estreita colaboração, presume-se, com a edilidade amarantina, recuperou para o Rali locais emblemáticos e repletos de história(s) como a sequência que começa no gancho de Fridão, passa pelo Caminho das Minas da Guiné, para terminar na ponte em curva sobre o Olo.

Amarante é daquelas classificativas à antiga, cheia de curvas e contracurvas e prenhe de alterações no piso e na morfologia do trajeto.

Não terá hoje a bíblica dureza dos antigos troços disputados no Marão, mas continua a ser, dentro do corpo das especiais que constituem o atual Rali de Portugal, uma das mais seletivas e com maior peso nas grandes decisões quanto às classificações finais do evento.

Algumas imagens colhidas nos estradões em terra perto da cidade de Amadeu Souza-Cardoso, Teixeira de Pascoaes ou Agustina Bessa Luís, poderão ser visionadas nos pequenos trabalhos em vídeo já de seguida partilhados com o caro visitante.

-----     -----     -----     -----     -----     -----     -----

 SÉBASTIEN OGIER > JULIEN INGRASSIA 
- Volkswagen Polo R WRC -

 MADS OSTBERG > OLA FLOENE 
- Ford Fiesta RS WRC -

 ANDREAS MIKKELSEN > ANDERS JAEGER 
- Volkswagen Polo R WRC -

 DANI SORDO > MARC MARTI 
- Hyundai New Generation i20 WRC -

 JARI-MATTI LATVALA > MIIKKA ANTTILA 
- Volkswagen Polo R WRC -

 MARTIN PROKOP > JAN TOMÁNEK 
- Ford Fiesta RS WRC -

 KRIS MEEKE > PAUL NAGLE 
- Citroen DS3 WRC -

 VALERIY GORBAN > VOLODYMYR KORSIA 
- Mini John Cooper Works WRC -

 KHALID AL QASSIMI > CHRIS PATTERSON 
- Citroen DS3 WRC -

 YAZEED AL-RAJHI > MICHAEL ORR 
- Ford Fiesta RS WRC -

quarta-feira, 1 de junho de 2016

P.E.C. Nº 357: Rali de Portugal/2016, 'Caminha 2'


Na sequência do trabalho anterior, seguem-se imagens da sexta classificativa do Rali de Portugal de 2016, a segunda passagem por 'Caminha' (18,03 quilómetros de extensão), na qual saíram vitoriosos Kris Meeke e Paul Nagle aos comandos do Citroen DS3 WRC, com o tempo final de 10m:31,7s, à média horária de 102,75 quilómetros/hora (classificativa mais rápida de toda a prova).

<><><><><>     <><><><><>     <><><><><>     <><><><><>

Sébastien Ogier + Julien Ingrassia
- Volkswagen Polo R WRC -

Mads Ostberg + Ola Floene
- Ford Fiesta RS WRC -

Andreas Mikkelsen + Anders Jaeger
- Volkswagen Polo R WRC -

Dani Sordo + Marc Marti
- Hyundai New Generation i20 WRC -

Jari-Matti Latvala + Miikka Anttila
- Volkswagen Polo R WRC -

Thierry Neuville + Nicolas Gilsoul
- Hyundai New Generation i20 WRC -

Stéphane Lefebvre + Gabin Moreau
- Citroen DS3 WRC -

Henning Solberg + Ilka Minor
- Ford Fiesta RS WRC -

Martin Prokop + Jan Tománek
- Ford Fiesta RS WRC -

Eric Camilli + Benjamin Veillas
- Ford Fiesta RS WRC -

Kris Meeke + Paul Nagle
- Citroen DS3 WRC -


Valeriy Gorban + Volodymyr Korsia
- Mini John Cooper Works WRC -


Khalid Al Qassimi + Chris Patterson
- Citroen DS3 WRC -

Jaroslav Melichárek + Erik Melichárek
- Ford Fiesta RS WRC -

Yazeed Al-Rajhi + Michael Orr
- Ford Fiesta RS WRC -

Elfyn Evans + Craig Parry
- Ford Fiesta R5 -

Miguel Campos + Carlos Magalhães
- Skoda Fabia R5 -