quinta-feira, 29 de outubro de 2015

P.E.C. Nº 325: Futura dinastia de Reis D. Carlos?


I)

Se a memória não nos atraiçoa, José Pedro Fontes iniciou-se nos Ralis em 1997.

Nesse ano, realizou algumas provas ao volante de um Seat Ibiza integrado no troféu que, ao tempo, o importador da marca espanhola fazia evoluir nas provas de estrada em Portugal.

Um ano antes, em 1996, Pedro Meireles dava ainda os primeiros passos na modalidade quando se sagrou campeão nacional de Iniciados, seguindo as pisadas do seu irmão Paulo que tinha, nos anos imediatamente anteriores, conseguido nota de grande protagonismo no nacional de Ralis.

O (ainda) campeão nacional em título e o atual líder da classificação de pilotos do CNR/2015, ainda que com uma ligação regular mas não ininterrupta aos Ralis, levam já, portanto, praticamente vinte anos (o tempo passa…) nestas andanças.

Ricardo Moura, tricampeão nacional (2011, 2012 e 2013) e candidato a ampliar o seu pecúlio ainda na época em curso, deu as primeiras aceleradelas em competição na viragem de século, e logo em 2001 conseguiu conquistar o campeonato açoriano de Ralis para carros de duas rodas motrizes.

Excluindo desta análise Bruno Magalhães e Bernardo Sousa, que têm tido nos últimos anos as respetivas carreiras desportivas direcionadas para o exterior, a ideia que pretendemos sublinhar é esta: três dos maiores protagonistas do momento atual nos Ralis em Portugal são pilotos que se iniciaram em competição aos 22/23 anos, e congregam, hoje, um enorme capital de experiência na modalidade.

Escrever ‘maiores protagonistas’ implica ter de juntar-se ao lote de notáveis deste desporto o nome de João Barros.

O piloto de Paredes, após uma carreira particularmente frutuosa no karting, começou a sua ligação aos Ralis bem mais tarde.

Percebendo que o traquejo em competição é crucial para se fazer Ralis com ambições de sucesso, construiu uma estratégia bem conseguida ao acelerar o seu processo de aclimatação às provas de estrada.

Nos últimos anos tem participado em muitas provas.

Fez, neste percurso, vários Ralis integrados em campeonatos distintos do CNR, sem pressão quanto a resultados ou pontuações.

O somatório de muitas dezenas (centenas?) de horas ao volante, deram-lhe rapidez e consistência de andamento.

Elevaram-no, portanto, à condição de legítimo candidato a ganhar provas e as competições onde se insere.

Moura, Meireles, Fontes e Barros (e respetivos copilotos) são, portanto, as atuais referências do campeonato nacional de Ralis, se por referências entendermos os contendores ao título absoluto de pilotos.

São, e continuarão certamente a ser nos próximos anos, dado se encontrarem a conduzir extremamente bem (talvez, melhor que nunca) e em condições normais ainda longe de pendurarem luvas e capacete (Adruzilo e Peres são barómetros de exceção para se medir a forma como se pode guiar com todo o virtuosismo após os cinquenta anos de idade).

No entanto, sendo muito bom haver um quadro de quatro candidatos assumidos ao título de campeão nacional de Ralis (2016 pode vir a ser uma temporada entusiasmante…), não nos parece que a modalidade se deva demitir de prospecionar outros valores para se juntar (ou substituir, caso por algum motivo os pilotos que no presente dominam o campeonato deem por suspensa ou terminada a respetiva ligação a este desporto) a tal galeria de notáveis.

Sem esquecer que uma trajetória ascendente nos Ralis nacionais depende, tantas e tantas vezes, muito mais do dinheiro que se consegue amealhar para conseguir um automóvel de topo que propriamente do mérito enquanto piloto, no atual contexto há dois nomes que se encontram em grande crescendo e vão nos próximos anos, caso os patrocínios não lhes faltem, chegar a patamares muito elevados.

São os Carlos.

Martins e Vieira.

Algumas notas sobre ambos.

II)


Se tivéssemos de sintetizar numa única palavra o piloto do Skoda Fabia S2000, provavelmente escolheríamos carácter como o mais eficaz adjetivo para caracterizar a forma como aborda a modalidade.

Se há algo que impressiona no piloto de Serpa é, além dos grandes predicados na arte de fazer girar o volante, acreditar sempre que pode chegar mais longe (ou, se quisermos, mais rápido).

A máquina de que dispõe, não obstante transportar consigo o selo de garantia made (ou mais concretamente, prepared…) in Sports & You e ser para todos os efeitos a unidade (ainda) portadora do título nacional, por ser um carro de final de geração só em contextos muito específicos pode ombrear diretamente com os recentes e modernos R5.

Em condições normais esse óbice seria um excelente pretexto para refrear os ímpetos de Martins.

Porém, ao invés de competir colhendo os louros de ser o melhor ‘não R5’ (aquilo que objetivamente lhe pode ser exigível face à correlação de forças atual do CNR), de Serpa vem, todavia, atitude diversa.

Martins, provocatório, compete acreditando que pode cutucar a concorrência mais apetrechada.

se expressa, então, o tal caráter: a procura de superação quando dos ventos contrários sopra adversidade.

Além dos fundamentos básicos da condução em Ralis (travar no momento e com a dosagem certa, contrabrecar com o recurso a reflexos e intuição apurada para evitar a sobreviragem do automóvel), o piloto do Skoda (carro que é considerado de feitio difícil para se extrair dele todo o potencial que pode oferecer) exibe ainda em troço de forma notória uma forma nervosa de acelerar, como se o animal checo devesse ser espevitado com umas verdascadas para andar melhor.

Se Martins conseguir viabilizar um projeto a tempo inteiro para 2016 ao volante de um R5, como confiamos que será seu intento, tem condições para ser cliente regular de vitórias em troços e candidato aos lugares do pódio, seja em Ralis de terra, seja nos de asfalto.

A experiência adquirida na temporada ainda em curso ser-lhe-á muito útil para o efeito.

É um pouco como no futebol: quando se tem mesmo talento e se ganha traquejo nas equipas de média valia, exibir qualidade nas equipas de grande dimensão acaba por se tornar mais fácil e quase, diríamos, natural.

III)


Sobre Carlos Vieira há algumas ideias comuns ao que atrás desenvolvemos relativamente ao seu colega de equipa na Sports & You.

quem apelide o piloto de Braga de ‘Kubica português’, pelas semelhanças, pensamos, de percursos entre ambos (carreiras bem-sucedidas nas provas de velocidade como prenúncio de mudança para os Ralis, e uma rapidíssima adaptação às exigências de condução nas provas de estrada).

No entanto, fazendo um exercício de escala e salvaguardando a necessária distância e dimensão (não esquecendo, até, as limitações físicas do polaco), sendo uma consideração que reconhecemos subjetiva entendemos, porém, que Vieira tem condições para no futuro imediato ser bem melhor piloto no CNR que aquilo que Kubica tem sido até agora no WRC.

Ambos são inegavelmente velozes.

É redundante discutir-se a capacidade que um e outro têm para andar depressa.

Porém, onde o antigo piloto de F1 soma desistências por acidentes que começam a atingir proporções quase confrangedoras, Vieira revela, comparativamente, uma noção apuradíssima de tempo e de espaço: o tempo dentro do qual se exerce a condução e cujos vértices são volante, acelerador, travão e caixa, e o espaço (os limites da estrada) a respeitar para chegar a determinados objetivos.

Kubica faz lembrar aquele tipo de médio-ala no futebol que é reconhecido por ser rapidíssimo com a bola nos pés, mas que sistematicamente se perde em fintas para lá da linha lateral ou da linha de fundo.

Vieira, continuando a metaforizar um pouco, não tem menos rapidez.

A diferença é que tem a capacidade de perceber que por vezes, quando joga demasiado encostado à linha lateral e há risco de perder o controlo da bola, o melhor mesmo é pisar o esférico, abrandar o ritmo, e infletir para o centro do terreno para melhor dar sequência à jogada.

Aquilo que Vieira tem conseguido neste seu ano de estreia nos Ralis é sensacional.

Competindo no pináculo da modalidade em Portugal e tendo como antagonistas os mais sólidos valores deste desporto cá do burgo (citados acima neste trabalho), o homem oriundo de Braga não se atemorizou nem deixou deslumbrar.

Com a ajuda preciosa de Luís Ramalho, parece-nos ter intuído a necessidade de acumular quilómetros e não querer, nesta temporada, andar mais que aquilo que seria recomendável.

Encontrar o ponto de equilíbrio entre conduzir de forma fiável e conduzir de forma rápida (variáveis tantas vezes antagónicas, até para quem tem muita experiência neste desporto) não é fácil para ninguém, mas Vieira conseguiu chegar a esse compromisso de forma extraordinária, só ao alcance de quem é muito bom na arte de guiar carros de corrida.

Conseguiu em 2015 vencer troços em asfalto e terra.

Conseguiu ser mais rápido que a concorrência (no Vidreiro – asfalto – e Mortágua – gravilha - em momentos em que ambos os Ralis estavam longe de estar decididos e havia muita gente a rodar a fundo) ao volante de carros tão antagónicos quanto o Porsche e o Fiesta, o que confirma uma enorme adaptação a novas realidades, vital para se praticar esta modalidade em patamares elevados de sucesso.

Como nos parece estar muito motivado com esta mudança para os Ralis e integrado no ambiente que rodeia a caravana do CNR, Vieira terá vindo para ficar, e se essa ideia se confirmar não será estranho vê-lo, já a partir de 2016, a causar sérias dores de cabeça aos adversários com maior cotação.

IV)

por isso, por este elã criado junto dos ‘Carlos’ e pela perspetiva do lote de candidatos a títulos e vitórias poder engrossar num horizonte temporal que está mesmo aí ao virar da esquina (ou do apex, para utilizarmos linguagem 'técnica'…), a época desportiva ainda em curso (e prestes a finalizar) já é portadora de bons e importantes motivos de interesse para os Ralis portugueses.

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SOBRE CARLOS MARTINS



















SOBRE CARLOS VIEIRA




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- https://www.facebook.com/carlosmartinsrally/photos/pb.1572066626346293.-2207520000.1445989242./1683664008519887/?type=3&theater
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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

P.E.C. Nº 324: Prevenção e segurança

Ensinam os manuais de ciência política que quando se tem entre mãos um assunto que não se quer resolver, ou, pelo menos, que se pretende adiar enquanto for possível, o melhor mesmo é indigitar um grupo de trabalho, uma comissão de inquérito, ou qualquer outra designação análoga que, em linhas gerais, signifique na prática mais ou menos o mesmo. 

A ideia tem quase sempre subjacente um conteúdo ‘político’

Dá-se a entender que se está a trabalhar sobre a questão, que há interesse em solucioná-la, que até se nomeia um conjunto de pessoas idóneas para promover reflexão e sugestões sobre a mesma, apostando-se em simultâneo que o decurso do tempo faça o seu caminho e o assunto acabe por cair no esquecimento coletivo. 

Não vamos tão longe ao sugerir que a FPAK, quando muito recentemente criou um grupo de trabalho com vista a, passamos a citar, «inspecionar e verificar atempadamente as condições de segurança de provas que se realizem em estrada» (leia-se Rampas e Ralis, adenda nossa…), pretenda protelar no tempo a implementação de medidas tendentes a que o automobilismo português se torne mais seguro para concorrentes e público. 

Mais: acreditamos que a entidade federativa tem no centro das suas preocupações dotar as provas de estrada (no caso que nos interessa, os Ralis) de todos os mecanismos que possam evitar tragédias como a que há semanas ocorreu na Galiza. 

No lacónico comunicado publicado para o efeito (ler AQUI), ficou a saber-se que há três nomes que irão gerir no terreno este dossiê: Ni Amorim, Carlos Mateus e Fernando Prata

E que a criação deste grupo de trabalho é decorrência direta de uma recomendação emanada pela FIA para o efeito. 

Sobre o tema há algumas interrogações que parecem levantar-se e que carecerão de esclarecimento detalhado. 

Primeira dúvida: quem paga

Uma vez que não nos parece que os elementos que constituem o grupo de trabalho estejam na disponibilidade de custear do próprio bolso as deslocações ao extenso número de provas que constituem todos os campeonatos de Ralis em Portugal (nem isso seria sério e correto, diga-se…), conviria perceber se este encargo vai recair sobre os ombros dos organizadores (que vêem-se desejam-se, em muitas ocasiões sem sucesso, para garantir equilíbrio de contas no final dos seus Ralis, sem esquecer sequer os diversos exemplos de provas nos últimos anos canceladas por falta de concorrentes…), ou se vai ser criada uma, digamos, ‘sobretaxa’ aos concorrentes, a somar aos valores de inscrição nos Ralis que já são por definição algo ‘austeros’ para a nossa realidade. 

Claro que o melhor mesmo, já que aludimos a questões de fiscalidade, seria mandar a fatura para pagamento ao cuidado do Jean lá para Paris. 

Se o nosso querido amigo Manuel de Mello Breyner se decidir por esta hipótese, então talvez seja, desde logo, de emiti-la com o número de contribuinte do pequeno Napoleão, pois talvez, quem sabe, até possa ser dedutível nas despesas do IRS lá para os lados da França. 

Outra questão que não fica suficientemente esclarecida é o momento em que os elementos do grupo de trabalho irão ‘inspecionar e verificar antecipadamente as condições de segurança’ das provas

Antecipadamente significa exatamente o quê? 

Antes de haver público, polícia e marshalls ao longo das classificativas, sabendo-se que só se consegue aferir do bom ou mau posicionamento dos espetadores muito poucos minutos antes dos primeiros concorrentes começarem a passar? 

Antes dos carros estarem no parque de assistência, prescindindo-se da observação minuciosa das máquinas para verificar se os componentes de segurança ativa e passiva estão em correto funcionamento? 

Não estará aqui, pelo menos em tese, potenciado um choque e sobreposição de competências entre os elementos do grupo de trabalho e os observadores da FPAK na questão do público? 

E entre os elementos do grupo de trabalho e o comissariado técnico de cada prova quanto à matéria de segurança dos veículos? 

Questões a clarificar rapidamente, sobretudo quando, de acordo com a informação que entretanto colhemos, até já terá começado o trabalho dos elementos indigitados para a missão em causa, com a presença de Carlos Mateus no Constálica Rallye Vouzela recentemente disputado. 

Além das já enunciadas, há outras ordens de razão para analisar nesta temática. 

A honorabilidade de Amorim, Mateus e Prata de forma alguma deve ser colocada em causa. 

São antigos e ilustres praticantes da modalidade. 

Não duvidamos que vão com empenho emprestar ao serviço desta causa todas as suas vastas competências e conhecimentos na área da segurança do automobilismo. 

Todavia, Ni Amorim não faz Ralis talvez há umas três dezenas de anos. 

Fernando Prata, por exemplo, após uma carreira extraordinária não entra em competição nas provas de estrada desde 2007. 

O envolvimento de ambos na modalidade já é algo distante no tempo, e feito num paradigma de segurança necessariamente distinto do atual. 

Faltar-lhes-á, receamos nós, algum perfume a Ferodo que só se adquire e entranha com presença regular nos Parques de Assistência, pelo que, atentas estas nuances, talvez fosse preferível arregimentar para este trabalho de «inspeção das condições de segurança» dos diversos Ralis personalidades (há muitas com esse perfil) mais diretamente ligadas e com maior conhecimento de causa deste desporto no momento presente

Em abstrato, um grupo de trabalho tem mais condições de laborar corretamente quando lhe é concedida total liberdade de ação. 

A credibilização dos resultados que produz é sempre maior quando tem independência funcional das cúpulas de um qualquer núcleo de poder. 

Ora o sinal que a FPAK dá, ao arregimentar para a causa um dos seus principais dirigentes (Ni Amorim, vice-presidente da respetiva direção) é precisamente no sentido contrário: o de que o grupo de trabalho opera na dependência da Federação e, numa leitura mais conspirativa que alguém queira construir, a soldo dos interesses que ela possa ter. 

Ao intervir a reboque de uma ‘recomendação’ provinda da FIA, a FPAK em matéria de segurança colocou-se numa posição de especial fragilidade, sinalizando aos agentes direta ou indiretamente ligados à modalidade que não tem, ou pelo menos não demonstra ter, uma estratégia de fundo própria para minimizar os riscos contra a integridade física de concorrentes e público nas provas de Ralis em Portugal

A FPAK que, após o lembrete da FIA, interveio com inusitada rapidez na questão da segurança das provas de estrada, é a mesma FPAK que historicamente sempre alimentou o estranho desígnio de manter secretos os relatórios dos observadores aos Ralis nacionais, que se fossem, como deviam ser, tornados públicos, ajudariam a compreender quem é que em matéria organizativa aposta firme no item da segurança, e quem, pelo contrário, aligeira essa vertente do caderno de encargos para colocar um evento na estrada.

Entendamo-nos: quanto a segurança há ralis e Ralis, consideração que atravessa transversalmente as provas que se realizam nos diversos campeonatos do nosso país, do CNR até aos denominados Troféus Ralis Sprint

Nas provas de menor expressão, onde o problema da segurança se coloca com maior acuidade, atribuir federativamente uma espécie de carta de foral aos antigos Ralis Pirata, conferindo-lhes uma certa identidade legal, não implicou diretamente, em muitos casos, um aumento do grau de exigência quanto aos equipamentos de proteção da tripulação dentro dos carros, ou à colocação do público na berma dos troços. 

Se existem diversos Ralis Sprint com níveis organizativos francamente bons (o atrás citado Constálica Rally Vouzela é disso em ótimo exemplo, começando a justificar-se que a prova da zona de Lafões seja integrada em competições com maior relevo), muitas outras situações há em que a incúria no plano da segurança é elevada. 

É nestes últimos eventos que aparecem por vezes automóveis com um roll-bar tão resistente quanto a armação da canadiana de campismo que Zona-Espectáculo tinha há uns vinte e cinco anos. 

É nestes últimos que, em algumas ocasiões, podemo-nos deparar com pilotos que envergam fatos de competição com a mesma capacidade ignífuga da farda de trabalho de um qualquer cantoneiro a fazer a manutenção das estradas portuguesas. 

Provas há em que o sistema Hans parece tão desaparecido quanto os euros nos cofres do Estado português. 

A prevenção que o grupo de trabalho agora proposto pela FPAK pode ser positiva. 

Mas uma fiscalização incisiva e, se necessário, severa, separando o trigo do joio e interditando pura e simplesmente a organização de Ralis a quem negligencie a questão central da segurança, do campeonato nacional às competições regionais, parece-nos crucial. 

Para que desfechos trágicos como os que ocorreram no nosso país em 2014 não se repitam. 

Para que um tributo sincero à memória do piloto Nuno Silva, falecido o ano passado em Abadim/Cabeceiras, possa fazer-se colhendo ensinamentos das circunstâncias que levaram ao seu desaparecimento. 

Para que o jargão inconclusivo e por vezes tão conveniente do ‘mero incidente de corrida’ seja erradicado dos relatórios elaborados por quem tem a missão e dever funcional de levar ao limite a compreensão das causas que potenciam tragédias como a que ocorreu em Guimarães, também em 2014. 

O decurso do tempo permitirá avaliar da bondade da criação deste grupo de trabalho, e será barómetro fiável para se perceber da relevância da respetiva ação junto das entidades organizadoras de Ralis.

No fundo, se é medida efetiva para ajudar a mudar muitos dos aspetos que no plano da segurança continuam a funcionar mal nas provas de estrada do nosso país.

Ou se não passa de uma medida para inglês (ou melhor: francês) ver.

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A FOTO PUBLICADA NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
http://www.lusomotores.com/images/stories/2013/LUSOMOTORES/FPAK-PaginaOnline01.jpg

terça-feira, 13 de outubro de 2015

P.E.C. Nº 323: Rali de Mortágua/2015, 'Tojeira 2'


Eis-nos chegados, após os cinco anteriores trabalhos, ao derradeiro troço do último Rali de Mortágua: a segunda incursão a Tojeira

Pouco mais de dezoito quilómetros separavam, agora, os pilotos do final do evento, mas não obstante as contas da vitória estarem praticamente saldadas a favor de Pedro Meireles e Mário Castro, ainda havia, porém, lugares de relevo em disputa. 

Ricardo Moura, em toada de ataque, puxou dos galões para procurar chegar ao lugar intermédio do pódio nos derradeiros quilómetros do Rali e amealhar mais pontos em matéria de classificação de pilotos no campeonato. 

Venceu naturalmente a classificativa, mas veria frustrarem-se os seus intentos ao concluir, no término das operações, o evento a mero meio segundo de Carlos Martins, após ganhar vinte e três segundos ao piloto de Serpa nesta especial.

Separados por oito segundos à entrada para Tojeira ‘2’, Salvi e Vieira (com vantagem para o segundo) prometiam relegar para a tomada de tempos final a clarificação sobre os quarto e quinto lugares finais do Rali organizado pelo Clube Automóvel do Centro

Embalado pelo melhor tempo averbado no troço imediatamente anterior, Vieira segurou com classe a quarta posição final amealhando mais doze segundos sobre o seu adversário direito nesta ronda final do Rali de Mortágua, na qual realizou o terceiro melhor crono apenas superado por Moura e Meireles.

Em jeito do conclusão, dir-se-á que a transição da prova do CAC de asfalto para pisos de terra foi uma aposta ganha.

Recuperou para a modalidade troços que se julgavam perdidos nas memórias e no tempo, trouxe uma lufada de novidade de que este desporto carece para não se tornar monótono pela repetição de provas invariavelmente iguais a cada ano, e há margem para em edições futuras continuar a inovar, uma vez que a região oferece diversas possibilidades para idealizar Ralis interessantes para o público e desafiadores para os concorrentes.

O grand finale do CNR/2015 segue no sul do país, ali para as bandas de Loulé e Salir, no próximo mês de novembro...

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 Pedro Meireles / Mário Castro  - Skoda Fabia R5

 Ricardo Moura / António Costa  - Ford Fiesta R5

 Miguel Nunes / João Paulo  - Mitsubishi Lancer Evo X

 Carlos Martins / Daniel Amaral  - Skoda Fabia S2000

 Elias Barros / Ricardo Faria  - Ford Fiesta R5

 Joaquim Alves / Pedro Alves  - Skoda Fabia S2000

 Marco Cid / Nuno Rodrigues da Silva  - Renault Clio R3

 Manuel Castro / Luís Costa  - Mitsubishi Lancer Evo IX

 Miguel Carvalho / Paulo Lopes  - Citroen C2 R2 Max

 Carlos Vieira / Luís Ramalho  - Ford Fiesta R5

 João Ruivo / João Peixoto  - Renault Clio R3

 Diogo Salvi / Paulo Babo  - Ford Fiesta R5

domingo, 11 de outubro de 2015

P.E.C. Nº 322: Rali de Mortágua/2015, 'Rigueiras 2'


A segunda passagem por Rigueiras, já a anunciar a fase final da prova, ficou em Mortágua marcada por duas grandes ordens de razão:

» Problemas de travões no Citroen/DS de Fontes (aliás, bem visíveis nas imagens infra) que, agudizados, viriam a provocar desistência do piloto do Porto na ligação para o troço seguinte;

» A vitória na classificativa para Carlos Vieira, a primeira em Ralis de terra neste seu ano de estreia na modalidade, facto assinalável (ou até mesmo mais que isso…) se atendermos a que em Mortágua o piloto bracarense se sentou pela primeira vez ao volante de um veículo de tração total, diametralmente distinto do Porsche que tem vindo a experimentar nesta temporada de 2015, e no respetivo percurso desportivo nunca havia conduzido, em competição, em estradas compostas por gravilha.

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 Pedro Meireles / Mário Castro  - Skoda Fabia R5

 José Pedro Fontes / Miguel Ramalho  - Citroen DS3 R5

 Ricardo Moura / António Costa  - Ford Fiesta R5

 Miguel Nunes / João Paulo  - Mitsubishi Lancer Evo X

 Carlos Martins / Daniel Amaral  - Skoda Fabia S2000

 Elias Barros / Ricardo Faria  - Ford Fiesta R5

A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://formularali.net/wp-content/uploads/2015/09/ARC-Sport-Rali-de-Mortagua-Aicardo-Moura-02.jpg

sábado, 10 de outubro de 2015

P.E.C. Nº 321: Rali de Mortágua/2015, 'Tojeira 1'


Tojeira, ou, se quisermos, o enxerto dos antigos troços de Vila Pouca/Mortazel e Mortágua, é daquelas especiais onde se pode encontrar de tudo um pouco. 

Desde a autobahn para Ralis desenhada no alto da Serra, serpenteando junto aos aerogeradores, rapidíssima, larga, e com muito bom piso, até alguns outros pontos do trajeto estreitos, nos quais se pode encontrar muita pedra solta (ver a totalidade do percurso nestas imagens, colhidas a partir do interior do Lancer conduzido por Miguel Nunes, coadjuvado por João Paulo), numa inusitada dureza para as mecânicas que talvez, escrevemos nós a partir da bancada, não se veja em nenhuma das demais etapas em terra do calendário do campeonato nacional de Ralis de 2015. 

Se à saída da especial anterior (Aguieira '2') a luta pela vitória em Mortágua estava confinada a Pedro Meireles (navegado por Mário Castro) e a João Barros (navegado por Jorge Henriques), a primeira incursão por Tojeira cedo determinaria a desistência dos homens do Fiesta azul e negro, fruto de um motor pouco propenso a colaborar, privando-os de repetir o triunfo averbado nesta mesma prova em 2014 (ainda que aí em piso de asfalto)

A partir daqui, a vitória (a primeira do ano) ficava praticamente nas mãos dos campeões nacionais em título, mas o Rali, esse, ainda tinha mais umas quantas surpresas por revelar. 

Difícil, imprevista, pouco atreita a perdoar erros, Tojeira é uma classificativa de várias caras e humores variáveis. 

A partir das imagens que seguem, colhidas no topo da Serra, inicia-se uma descida sem fim de muitos quilómetros até à tomada de tempos final, como se os carros fizessem um sublime voo planante desde um pouco acima de Linhar de Pala até aterrarem no aeródromo de Mortágua (em cujas imediações termina o troço a que nos dedicamos no presente trabalho)

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 PEDRO MEIRELES + MÁRIO CASTRO  - [Skoda Fabia R5]

 JOSÉ PEDRO FONTES + MIGUEL RAMALHO  - [Citroen DS3 R5]

 RICARDO MOURA + ANTÓNIO COSTA  - [Ford Fiesta R5]

P.E.C. Nº 320: Rali de Mortágua/2015, 'Aguieira 2'


A segunda visita dos concorrentes à Agueira modificou em definitivo o rumo que o Rali de Mortágua de setembro último estava a tomar até então. 

Se até aí o trinómio Fontes/Ramalho/DS Citroen estava a dominar os acontecimentos, triunfando em todas as classificativas, logo na fase inicial dos vinte e três quilómetros de Aguieira ‘2’ o carro francês veria uma jante fazer um exercício de bullying ao pneu, obrigando a dupla líder do nacional a trocar de roda e perder de imediato inapelavelmente mais de dois minutos, liquidando em definitivo quaisquer veleidades de um bom resultado e comprometendo, involuntariamente, a corrida do próprio Ricardo Moura, que se viu forçado a ter de rodar muitos quilómetros no pó do Citroen, com visibilidade diminuta, atrasando-se também irremediavelmente na classificação para deixar, a meio do Rali, as despesas da luta pela vitória à ordem de Pedro Meireles e João Barros

A partir daqui sobrevinham uma dúvida e uma certeza. 

A dúvida até onde os dois grandes candidatos ao título conseguiriam recuperar em termos de classificação neste Rali, minimizando as perdas pontuais pelas incidências de Agueira ‘2’... 

A certeza que a discussão do título estava em condições normais desde já relegada para o Algarve, no encerramento do CNR da presente temporada...

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 Pedro Meireles / Mário Castro  - Skoda Fabia R5

 José Pedro Fontes / Miguel Ramalho  - Citroen DS3 R5

 Ricardo Moura / António Costa  - Ford Fiesta R5

 Elias Barros / Ricardo Faria  - Ford Fiesta R5

 Joaquim Alves / Pedro Alves  - Skoda Fabia S2000

 Marco Cid / Nuno Rodrigues da Silva  - Renault Clio R3

 Manuel Castro / Luís Costa  - Mitsubishi Lancer Evo IX

A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.ralisonline.net/pt/images/stories/2015/SETEMBRO2015/mortaguadia15fotos/IMG_8859.JPG

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

P.E.C. Nº 319: Rali de Mortágua/2015, 'Rigueiras 1'


A primeira passagem por Rigueiras correspondeu, cronologicamente, ao terceiro troço do último Rali de Mortágua. 

À exceção dos primeiros quilómetros, os percorridos desde o início da especial até muito perto dos portões de entrada no aeródromo da citada vila (local onde foi edificado o parque de assistência da prova), e já conhecidos de anteriores versões de ‘Mortágua’ quando o Rali de Portugal adotou aquelas paragens para integrarem o seu figurino, todo o resto do percurso não havia antes sido utilizado em competições de Ralis, pelo menos em eventos integrados em campeonatos de dimensão nacional.

Rigueiras é, no seu conjunto, uma classificativa bem interessante, alternando zonas rápidas e quase sempre estreitas com diversos ganchos apertados, impondo variações de ritmo que obrigam a muita condução dos pilotos e mecânica versátil aos bólides. 

Ainda assim, na sua ambiência, trata-se de uma especial com influência vincadamente mortáguense, percorrida em eucaliptais entre subidas e descidas. 

Pequena na sua extensão, bem se pode dizer que Rigueiras é uma classificativa de bolso, daquelas que qualquer organização pode sacar de repente para ajudar a desenhar uma prova com coerência, facto tão ou mais evidente quando se sabe que da assistência ao início deste troço não distam mais de quatro quilómetros e quinhentos metros, e da tomada de tempos final até o regresso à zona de descanso dos carros umas meras centenas de metros.

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 PEDRO MEIRELES + MÁRIO CASTRO  - Skoda Fabia R5

 JOSÉ PEDRO FONTES + MIGUEL RAMALHO  - Citroen DS3 R5

 RICARDO MOURA + ANTÓNIO COSTA  - Ford Fiesta R5

 JOÃO BARROS + JORGE HENRIQUES  - Ford Fiesta R5

A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.pressxlnews.com/wp-content/uploads/2015/09/i-LcQzvtF-L.jpg

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

P.E.C. Nº 318: Rali de Mortágua/2015, 'Aguieira 1'


No âmbito deste blogue vamos proceder, a partir de agora e durante seis «P.E.C.», à publicação de alguns pequenos vídeos recolhidos por nós durante o Rali de Mortágua, penúltima etapa do Campeonato Nacional de Ralis da presente temporada. 

A prova do Clube Automóvel do Centro, que após dez edições em asfalto em boa hora requereu transferência para as especiais em gravilha ao redor da vila que dá nome ao evento, foi fértil em peripécias, teve doses generosas de drama, emoção e espetacularidade, foi seguida por um considerável número de espetadores nalguns dos pontos mais conhecidos dos troços que a constituíram, atirou para o Algarve a decisão final quanto aos títulos que ainda estão em disputa, pelo que o balanço parece-nos assaz positivo, não obstante algumas matérias (informação disponibilizada ao público antes do evento ir para a estrada, por exemplo) deverem ser limadas em ocasiões futuras. 

Com o intuito de ver todos os troços que compunham o segundo dia de Rali (no primeiro disputou-se tão-somente a Superespecial nas imediações de Mortágua), a manhã soalheira iniciou-se para nós no extraordinário troço da Aguieira

A água ali mesmo baixo dos nossos pés, um silêncio redentor (só entrecortado pelo som dos peixes a elevarem-se fora de água, mergulhando de seguida nas escuras profundezas do Criz) e a infinita sensação de liberdade que a solidão tantas vezes transporta consigo, alavancaram-nos em definitivo o prazer de ver os carros a recortar, firmes e precisos, os braços da barragem. 

No fundo, dado estarmos a referir-nos a peixes e a água, não é despiciendo socorrermo-nos de uma expressão utilizada a espaços por um velho amigo dado às coisas das canas, anzóis, isco e engodo, para sintetizar esta nossa primeira incursão do dia à Aguieira: pescámos o nosso espírito!

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 Pedro Meireles / Mário Castro  - Skoda Fabia R5

 José Pedro Fontes / Miguel Ramalho  - Citroen DS3 R5

 Ricardo Moura / António Costa  - Ford Fiesta R5

 João Barros / Jorge Henriques  - Ford Fiesta R5

 Miguel Nunes / João Paulo  - Mitsubishi Lancer Evo X