segunda-feira, 28 de abril de 2014

P.E.C. Nº 261: C.N.R; nem tudo vai bem no reino da Dinamarca (2.ª parte)...


Quando um dia se fizer com rigor e profundidade a história dos Ralis portugueses, a Rui Madeira não deixará de ser atribuído um papel absolutamente referencial na modalidade. 

Não só pelos títulos e vitórias que ostenta dentro e fora de portas. 

Não só por ser o português que com a sua vitória na Taça FIA de 'grupo N’ em 1995 (há quase vinte anos, o tempo passa…) provou, caso fosse necessário, que os nossos pilotos se podem medir de igual para igual com os melhores desde que disponham de condições para tal. 

Talvez mais importante que a folha curricular, bem preenchida em termos de pontos altos, Madeira, nos vinte e cinco anos de permanência intermitente que leva nos Ralis, vem demonstrando a cada momento ser alguém com profundo gosto por este desporto. 

Personifica como poucos antítese do vedetismo, sempre com uma palavra afável aos adeptos ou jornalistas que o abordam. 

Tem um discurso simples e eficaz, assente em mensagens claras sobre o que pensa da modalidade. 

Não nos recordamos de alguma vez lhe ter ouvido um queixume pela falta de apoios para prosseguir a dada altura internacionalmente a sua carreira, que aliás bem (mais) longe poderia ter chegado. 

Nunca, segundo cremos, endereçou críticas aos decisores dos Ralis em Portugal, ou acusações a adversários como é apanágio de alguns outros pilotos de proa do nosso país. 

Rui Madeira, nestas bodas de prata desportivas que assinalou recentemente no Rali de Portugal, sempre pautou a sua postura pela simplicidade, a mesma simplicidade com que tem conduzido os mais diversos automóveis na sua carreira e através da qual ostenta um palmarés invejável de que certamente se orgulhará. 

É um homem dos Ralis, que faz falta aos Ralis, sobretudo nos ciclos de ausência, forçados pelo contexto e pelas circunstâncias, que tem mantido com a modalidade. 

Desde há quatro anos, quando abruptamente deixou de assumir responsabilidades na estrutura do ‘Team Quinta do Lorde’ que em 2010 levou Bernardo Sousa ao título nacional absoluto (navegado por Nuno Rodrigues da Silva), numa rutura que nunca foi, diga-se, devidamente esclarecida, que o homem de Almada não fazia qualquer aparição na alta-roda das provas de estrada. 

O decurso do tempo fez suspeitar que Rui tivesse pendurado o capacete, embora nestas coisas se saiba que os pilotos de Ralis têm um estatuto em tudo idêntico ao dos militares: jamais entram na aposentação, quando muito estão em regime de reserva por tempo indefinido. 

Na presente temporada, com alguma surpresa (ótima surpresa), o vencedor do Rali de Portugal em 1996 resolveu retornar à modalidade para assinalar a contento a passagem do vigésimo quinto aniversário sobre o seu início de carreira, num projeto pensado para dois Ralis (Serras de Fafe e Rali de Portugal) com recurso a um carro que lhe oferecesse garantias mínimas de competitividade. 

Volvidos quase dez anos após a sua presença regular num campeonato de Ralis, este regresso não poderia deixar de ser aguardado com muita expetativa e diversas interrogações (a começar provavelmente pelo próprio) que rapidamente Madeira se encarregou de dissipar. 

Um pódio em Fafe e um triunfo que no Rali de Portugal lhe escapou apenas na última classificativa devido a um azar tremendo, daqueles em que os Ralis são pródigos, vitórias em classificativas e a condução eficaz dos seus melhores anos têm sido respostas muito claras de que as qualidades e talento se mantêm intactos. 

À altura em que escrevemos estas linhas desconhece-se se irá participar em mais provas do C.N.R de 2014. 

Para já é quarto na classificação geral de pilotos a um mero ponto de quem o antecede (Ricardo Teodósio), não tendo participado em uma (Rali Cidade de Guimarães) das três provas até ao momento disputadas, vendo-se forçado a desistir numa outra (Rali de Portugal) quando tudo estava encaminhado para uma vitória confortável, como desenvolvemos supra

Ainda assim, repetimos, está em quarto. 

Questionamo-nos sobre que C.N.R será este, que ano após ano não consegue (nem parece estar minimamente interessado em) proporcionar condições para que Rui Madeira, ou Miguel Campos, ou Pedro Leal, entre diversos outros exemplos que poderíamos citar, possam expressar a sua arte e saber nas classificativas nacionais durante toda a temporada e não apenas em aparições ocasionais. 

Um bom aferidor do pulsar pouco são do C.N.R é, aliás, constatar que expele alguns dos seus maiores expoentes, quando, nunca nos cansamos de o dizer, Portugal poderia perfeitamente ter o melhor campeonato nacional de Ralis de toda a Europa quanto à qualidade dos seus participantes.

Enquanto dentro de portas este desporto se recusar a fazer o ajustamento regulamentar que se impõe (processo encetado há muito por homens como Adruzilo, Peres, Campos, ou o próprio Rui Madeira, que no auge das suas carreiras tripularam os melhores WRC e posteriormente, para poderem prosseguir o respetivo percurso desportivo, não recusaram ‘descer’ a carros menos competitivos) e relativamente ao qual temos expressado a nossa posição em textos anteriores deste blogue, lá para daqui a mais quatro anos talvez possamos ver Rui Madeira (neste raciocínio servindo a título de exemplo) de novo em ação, possivelmente em mais uma visita de médico a este desporto que em Portugal está em definitivo mais talhado a dar compungido umas medalhas de presença que a conceder prémios-carreira...      

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domingo, 27 de abril de 2014

P.E.C. Nº 260: C.N.R; nem tudo vai bem no reino da Dinamarca (1.ª parte)...


À entrada do Rali de Portugal de 2014, terceira etapa do campeonato nacional de Ralis da temporada em curso, os três primeiros classificados da tabela de pilotos eram, por esta ordem, Pedro Meireles (navegado por Mário Castro), Adruzilo Lopes (navegado por Vasco Ferreira) e Ricardo Moura (navegado por António Costa)

Pelo menos em tese e dentro das cogitações que se podem fazer para já no papel, estes serão, a par de João Barros (navegado por Jorge Henriques), o lote de nomes que decidirão entre si o cetro máximo nacional de 2014, ainda que se deva salientar que a velha e astuta raposa de Regilde, mantendo a rapidez de sempre, parte todavia em manifesta desvantagem para as próximas refregas da competição uma vez que a viatura ao seu dispor não tem os índices de performance dos demais adversários diretos na luta pelo título. 

Num campeonato que hierarquizasse competências e rapidez de forma pura e dura, olharíamos para estes nomes e diríamos estar perante os pilotos que em Portugal reúnem as condições mais favoráveis para alcançar o êxito, andando no limite e sem outras preocupações que não superar os adversários direitos. 

Devia ser assim: não é infelizmente assim. 

Meireles, a realizar um estupendo campeonato, tem referido incessantemente só dispor de orçamento para seis dos oito Ralis que integram o calendário da temporada em curso

Ora como nas contas finais da classificação contam precisamente apenas as seis melhores classificações que cada piloto averbar ao longo da época, isto significa que o piloto vimaranense não tem qualquer margem para desistir ao longo do ano, uma vez que não poderá ‘deitar fora’ os seus dois piores resultados. 

Quando se conduz mais preocupado com a desistência que com a cadência dos rivais (e quando essa limitação é uma decorrência de falta de verbas e não da gestão de resultados), está a nosso manifestamente subvertida a escala de valores que devia nortear o C.N.R. 

Adruzilo Lopes é outro exemplo ainda mais paradigmático. 

Em declarações recentes o tricampeão nacional referiu, com desarmante crueza, ter competido no Rali Serras de Fafe e no Rali Cidade de Guimarães apenas com quatro pneus em cada uma das referidas provas, quadro particularmente ilustrativo em termos gerais do momento atual da maior competição de estrada do nosso país. 

E Ricardo Moura, após alegadamente ter vendido o Skoda Fabia S2000 que lhe conhecemos em grande parte da época de 2013 e nos Ralis disputados até ao momento em 2014, já admitiu publicamente os mais diversos cenários para o resto da época, estando em cima da mesa (já estava mesmo antes do ano desportivo começar) um downsizing competitivo rumo ao mais modesto e económico Mitsubishi Lancer do agrupamento de produção, por razões de ordem financeira. 

Atrás dos holofotes em que cintilam os carros S2000 e R5 (estes anunciados como a ‘salvação redentora’ dos Ralis disputados por essa Europa fora, têm afinal preços de venda a rondar os € 200.000,00, cifras que à exceção de pouquíssimos pilotos o grosso do pelotão dos Ralis em Portugal não tem, longe disso, qualquer forma de comportar), esconde-se todavia no C.N.R uma outra realidade paralela, bem mais cinzenta, quase envergonhada, onde o dinheiro não abunda e as perspetivas que a prazo apareça são muito diminutas. 

A fazer lembrar aqueles bairros de vivendas chiques em que as persianas nunca abrem para que da rua não se perceba os bibelots que não há, ou os quadros que não ornamentam as paredes despidas, para lá dos portões das oficinas onde se preparam os carros há secções de economato em que material de substituição não abunda, peças novas são um luxo, e se poupa onde se pode nos trabalhos de revisão pós-prova. 

Passada a euforia que tomou conta dos Ralis nacionais no início do ano, há sintomas preocupantes a fazer perceber que o estado de arte da modalidade não é tão dourado quanto alguns o querem pintar. 

As indefinições são muitas. 

Perfis de liderança capazes de impulsionar o debate em torno do futuro da modalidade não existem. 

Perspetivas de recentrar os Ralis nos interesses dos seus praticantes são nulas. 

Não obstante a estabilidade de regulamentos que se anuncia para os próximos três anos (a estabilidade é em sim mesma um valor insofismável, mas 'maus' regulamentos sucessivamente a vigorar podem transformar-se na cura que agrava a doença), não se conhecem estratégias de fundo sobre o que se pretende para o futuro da modalidade. 

No meio de tudo isto sobra pouca margem de otimismo. 

Um dos paradoxos em que os Ralis, aliás, se estão a deixar cair, é na interrogação se pilotos que lutam pelo título máximo da modalidade obcecados quase unicamente pela gestão do parco material ao seu dispor, encontram-se mais próximos de um aluno saído da Escola Superior de Desporto ou de um licenciado com o diploma do ISEG...

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sexta-feira, 18 de abril de 2014

P.E.C. Nº 259: Rali de Portugal/2014, 'Loulé 2'


Encerrando o ciclo de pequenos vídeos alusivos à pretérita edição do Rali de Portugal, eis a sequência por nós filmada no decurso de ‘Loulé 2’, power stage do evento, numa edição da prova que acabou por ser bastante bem disputada e, em jeito de balanço, seguramente irá deixar saudades.

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Elfyn Evans / Daniel Barritt - (Ford Fiesta RS WRC)

Jari-Matti Latvala / Miikka Anttila - (Volkswagen Polo R WRC)

Khalid Al Qassimi / Chris Patterson - (Citroen DS3 WRC)

Juho Hanninen / Tomi Tuominen - (Hyundai i20 WRC)


Martin Prokop / Jan Tománek - (Ford Fiesta RS WRC)


Thierry Neuville / Nicolas Gilsoul - (Hyundai i20 WRC)


Henning Solberg / Ilka Minor - (Ford Fiesta RS WRC)


Andreas Mikkelsen / Mikko Markkula - (Volkswagen Polo R WRC)


Mads Ostberg / Jonas Andersson - (Citroen DS3 WRC)


Mikko Hirvonen / Jarmo Lehtinen - (Ford Fiesta RS WRC)


Sébastien Ogier / Julien Ingrassia - (Volkswagen Polo R WRC)

P.E.C. Nº 258: Rali de Portugal/2014, 'Loulé 1'


quem diga que já não se fazem pilotos como antigamente. 

Se a expressão estiver correta, haverá, então, boa dose de probabilidade de ninguém ter seguido os ensinamentos de Rohrl e Geistdorfer em Arganil, há trinta e quatro anos atrás, pura e simplesmente memorizando todas as curvas e retas de ‘Loulé 1’, classificativa de abertura do derradeiro dia do Rali de Portugal de 2014, atento o nevoeiro cerrado que aos primeiros raios de sol se formou nas serrarias do Algarve. 

Junto à povoação de Barrigões a floresta densa ajudou a não dissipar a neblina, pelas imagens existentes a partir do interior dos carros percebe-se as dificuldades que os concorrentes tiveram para enfrentar este desafio, mas do prisma do adepto que gosta de calcorrear o troço para perscrutar o respetivo percurso (sempre em completa segurança), o dia final da prova foi bastante interessante, revelando uma classificativa de enorme beleza.

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Elfyn Evans / Daniel Barritt - (Ford Fiesta RS WRC)

Jari-Matti Latvala / Miikka Anttila - (Volkswagen Polo R WRC)

Thierry Neuville / Nicolas Gilsoul - (Hyundai i20 WRC)


Juho Hanninen / Tomi Tuominen - (Hyundai i20 WRC)


Andreas Mikkelsen / Mikko Markkula - (Volkswagen Polo R WRC)


Martin Prokop / Jan Tománek - (Ford Fiesta RS WRC)


Henning Solberg / Ilka Minor - (Ford Fiesta RS WRC)


Mads Ostberg / Jonas Andersson - (Citroen DS3 WRC)


Mikko Hirvonen / Jarmo Lehtinen - (Ford Fiesta RS WRC)


Sébastien Ogier / Julien Ingrassia - (Volkswagen Polo R WRC)


Nasser Al-Attiyah / Giovanni Bernacchini - (Ford Fiesta RRC)


Jari Ketomaa / Kaj Lindstrom - (Ford Fiesta R5)


Pontus Tideman / Ola Floene - (Ford Fiesta R5)


Bernardo Sousa / Hugo Magalhães - (Ford Fiesta RRC)


Oleksii Kikireshko / Kuldar Sikk - (Mini John Cooper Works RRC)


Diogo Salvi / Paulo Babo - (Ford Fiesta R5)


A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.rallydeportugal.pt/content.aspx?menuid=216&eid=447&bl=1

P.E.C. Nº 257: Rali de Portugal/2014, 'Santana da Serra 2'

Se o fim-do-mundo for ali por Serpa, então a Zona-Espetáculo (ZE) criada no preciso local a que as imagens seguintes se reportam é qualquer coisa como Barrancos. 

Demora-se muito a lá chegar. 

Conduz-se quilómetros a fio pelo interior do Baixo Alentejo profundo, naquele tipo de estradas que ICs, IPs e autoestradas não flirtam e relativamente às quais apenas a ferrovia que liga Lisboa ao Algarve serve de companhia. 

No trajeto para esta ZE, pensávamos valentemente ser dos poucos adeptos dispostos a palmilhar tamanha distância (qualquer coisa, pareceu-nos, tipo ‘Porto da Balsa versão XXI’) por devoção à causa. 

Enganámo-nos

É que se, como se diz, em qualquer um dos quatro cantos do mundo se encontra sempre portugueses, nos confins do mesmo, mesmo nos locais mais improváveis, há sempre pessoas a gostar de Ralis…  

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Elfyn Evans / Daniel Barrit - (Ford Fiesta RS WRC)

Jari-Matti Latvala / Miikka Anttila - (Volkswagen Polo R WRC)

Khalid Al Qassimi / Chris Patterson - (Citroen DS3 WRC)

Juho Hanninen / Tomi Tuominen - (Hyundai i20 WRC)

Martin Prokop / Jan Tománek - (Ford Fiesta RS WRC)

Andreas Mikkelsen / Mikko Markkula - (Volkswagen Polo R WRC)

Henning Solberg / Ilka Minor - (Ford Fiesta RS WRC)

Thierry Neuville / Nicolas Gilsoul - (Hyundai i20 WRC)

Mads Ostberg / Jonas Andersson - (Citroen DS3 WRC)

Mikko Hirvonen / Jarmo Lehtinen - (Ford Fiesta RS WRC)

Jari Ketomaa / Kaj Lindstrom - (Ford Fiesta R5)

Nasser Al-Attiyah / Giovanni Bernacchini - (Ford Fiesta RRC)

Pontus Tidemand / Ola Floene - (Ford Fiesta R5)

Karl Kruuda / Martin Jarveoja - (Ford Fiesta S2000)

Bernardo Sousa / Hugo Magalhães - (Ford Fiesta RRC)

Fredrik Ahlin / M. E. Abrahamsen - (Ford Fiesta R5) 

 Abdulaziz Al-Kuwari / Killian Duffy - (Ford Fiesta RRC) 

Julien Maurin / Nicolas Klinger - (Ford Fiesta RRC) 

Subhan Aksa / Nicola Arena - (Ford Fiesta RRC) 

Martin McCormack / David Moynhan - (Ford Fiesta R5) 

Valeriy Gorban / Volodymyr Korsia - (Mini JCW RRC) 

Rashid Al-Ketbi / Karina Hepperle - (Ford Fiesta R5) 

João Barros / Jorge Henriques - (Ford Fiesta R5)

Alastair Fisher / Gordon Noble - (Citroen DS3 R3T) 

A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.rallydeportugal.pt/content.aspx?menuid=216&eid=445&bl=1

P.E.C. Nº 256: Rali de Portugal/2014, 'Malhão 1'


‘Malhão’ (ou ‘Loulé/Almodôvar’, ou ‘Felizes’, sim que o troço já teve talvez tantas designações quantos heterónimos tinha o Pessoa) tem dois locais que se vão afirmando como estâncias preferenciais para os aficionados que seguem o Rali de Portugal na sua faceta alentejana e algarvia. 

O conhecido gancho de São Barnabé e, quilómetros antes, a Zona-Espetáculo (ZE) classificada pela organização a partir da qual a vista alcança o evoluir dos bólides durante quase dois minutos, culminando no apertado gancho à direita que de seguida se documenta em imagens. 

Entre estas duas ZE talvez se pudesse edificar uma outra a prometer emoções fortes, desde que, claro, Latvala desse garantias que todos os anos personificaria mais de dezena e meia de voltas e reviravoltas no seu carro… 

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 Elfyn Evans / Daniel Barritt  
(Ford Fiesta RS WRC)

 Jari-Matti Latvala / Miikka Anttila 
(Volkswagen Polo R WRC)

 Khalid Al Qassimi / Chris Patterson 
(Citroen DS3 WRC)

 Juho Hanninen / Tomi Tuominen 
(Hyundai i20 WRC)

 Martin Prokop / Jan Tománek 
(Ford Fiesta RS WRC)

 Henning Solberg / Ilka Minor 
(Ford Fiesta RS WRC)

 Thierry Neuville / Nicolas Gilsoul 
(Hyundai i20 WRC)

 Dani Sordo / Marc Marti 
(Hyundai i20 WRC)

Mads Ostberg / Jonas Andersson
(Citroen DS3 WRC)

 Sébastien Ogier / Julien Ingrassia 
(Volkswagen Polo R WRC)

 Ott Tanak / Raigo Molder 
(Ford Fiesta RS WRC)

 Mikko Hirvonen / Jarmo Lehtinen 
(Ford Fiesta RS WRC)

 Jari Ketomaa / Kaj Lindstrom 
(Ford Fiesta R5)

A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO, ALUSIVA AO PRECISO LOCAL ONDE FORAM COLHIDOS OS EXCERTOS DE IMAGEM QUE ACIMA PUBLICAMOS, FOI OBTIDA EM:
- http://www.sulinformacao.pt/wp-content/uploads/2014/04/Ogier_3.jpg

P.E.C. Nº 255: Rali de Portugal/2014, 'Santa Clara 1'


Não são somente os pilotos, navegadores, e equipas que preparam um Rali. 

Os adeptos também o fazem.

Antes de cada prova prepara-se a bucha, verificam-se horários, e estudam-se os melhores locais para ver os concorrentes traçando-se itinerários para lá chegar.

Com frequência os planos falham e têm de ser reajustados.

É normal.

Todos nós que cá andamos há anos sabemos que é assim.

Faz parte.

É Rali.

No sábado, segundo dia do Rali de Portugal deste ano, uma ribeira com um caudal volumoso fruto das enxurradas de dias anteriores, e uma corrente de água um tanto ou quanto ameaçadora traíram os planos que tão bem gizáramos para ‘Santa Clara 1’, obrigando a um desvio de percurso até ao local, mesmo nos metros iniciais da classificativa, que documentamos no presente trabalho.

Não obstante ser sempre interessante ver os carros evoluir em asfalto com as especificações para terra (talvez tão contranatura quanto o Fred Astaire fazer sapateado com galochas calçadas), do local em apreço apreciámos bastante o espetáculo de dezenas de fotógrafos acotovelando-se na procura do melhor boneco, qual pelotão de fuzilamento na formatura preparando-se para metralhar impiedosamente flashes ao ‘condenado’, enquanto este se tenta esgueirar com ligeireza ensaiando uma fuga pelos campos fora.

No balanço de tanto tiroteio, não há vítimas a registar.

Ganham sempre os Ralis, claro…

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Elfyn Evans / Daniel Barritt
(Ford Fiesta RS WRC)

Robert Kubica / Maciej Szczepaniak
(Ford Fiesta RS WRC)

Jari-Matti Latvala / Miikka Anttila
(Volkswagen Polo R WRC)

Khalid Al Qassimi / Chris Patterson
(Citroen DS3 WRC)

Juho Hanninen / Tomi Tuominen
(Hyundai i20 WRC)

Martin Prokop / Jan Tománek
(Ford Fiesta RS WRC)

Andreas Mikkelsen / Mikko Markkula
(Volkswagen Polo R WRC)

Henning Solberg / Ilka Minor
(Ford Fiesta RS WRC)

Thierry Neuville / Nicolas Gilsoul
(Hyundai i20 WRC)

Dani Sordo / Marc Marti
(Hyundai i20 WRC)

Mads Ostberg / Jonas Andersson
(Citroen DS3 WRC)

Sébastien Ogier / Julien Ingrassia
(Volkswagen Polo R WRC)

Ott Tanak / Raigo Molder
(Ford Fiesta RS WRC)

Mikko Hirvonen / Jarmo Lehtinen
(Ford Fiesta RS WRC)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

P.E.C. Nº 254: Rali de Portugal/2014, 'Ourique 1'


Terminado há pouco mais de uma semana, o Rali de Portugal de 2014 fica para a história como uma edição da prova cheia de motivos de interesse, fértil em emoções e com grande competitividade, ainda que o vencedor final tenha sido o suspeito do costume.

Seis pilotos venceram troços.

As quatro marcas em competição lograram todas ver pelo menos uma vez um dos seus pilotos ser o mais veloz numa classificativa do evento.

Ao longo do Rali houve quatro trocas na liderança, protagonizadas por três pilotos de três construtores diferentes.

Além das batalhas pela primazia no WRC, as especiais do Baixo Alentejo e Algarve proporcionaram também animadas lutas nas demais categorias e campeonatos que integraram a prova.

Venceu Ogier, mas sem a facilidade de outras ocasiões.

Triunfou porque sabe medir como ninguém o caráter do nosso Rali, percebendo que o segredo do sucesso reside em adequar o rimo de prova em função das necessidades de cada momento, sem correrias desenfreadas do princípio ao fim que em regra se revelam más conselheiras.

Hirvonen redescobriu no nosso país a competitividade dos seus melhores anos, que muitos (nós incluídos) julgavam perdida.

Latvala é talvez o mais indecifrável mistério da história contemporânea do WRC, adensando a dúvida se não será um caso mais de divã de psicanálise que de bacquet de competição (a folha de serviços do finlandês relativamente a acidentes no nosso Rali é, ano após ano, elucidativa).

Robert Kubica quando for grande nos Ralis quer ser como Latvala.

A Hyundai mostrou a espaços indicadores promissores, não obstante o muito trabalho que a marca coreana tem pela frente para se acercar dos patamares competitivos da Volkswagen.

Foi um grande Rali, como escrevemos acima, onde se produziram heróis e vilões, com espaço até para que um projeto modesto como o protagonizado pela dupla Washio Sunichi / Sae Takashino (enquanto conceito, algo muito próximo da ideia de ‘Eng. Pinto dos Santos san’) concitasse enorme entusiasmo no público, recordando, se tal fosse necessário, que à margem da competição o Rali de Portugal é, para vários dos seus concorrentes, uma das últimas grandes aventuras do desporto automóvel mundial.

Com a presente P.E.C abrimos um ciclo de seis trabalhos publicando imagens que colhemos no decurso da prova, personalizando pilotos, navegadores e bólides.

Esperamos que quem nos visita goste delas.

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Sébastien Ogier / Julien Ingrassia - (Volkswagen Polo R WRC)

Jari-Matti Latvala / Miikka Anttila - (Volkswagen Polo R WRC)

Mads Ostberg / Jonas Andersson - (Citroen DS3 WRC)

Andreas Mikkelsen / Mikko Markkula - (Volkswagen Polo R WRC)

Elfyn Evans / Daniel Barritt - (Ford Fiesta RS WRC)

Mikko Hirvonen / Jarmo Lehtinen - (Ford Fiesta RS WRC)

Kris Meeke / Paul Nagle - (Citroen DS3 WRC)

Thierry Neuville / Nicolas Gilsoul - (Hyundai i20 WRC)

Ott Tanak / Raigo Molder - (Ford Fiesta RS WRC)

Martin Prokop / Jan Tománek - (Ford Fiesta RS WRC)

Henning Solberg /Ilka Minor - (Ford Fiesta RS WRC)

Dani Sordo / Marc Marti - (Hyundai i20 WRC)

Juho Hanninen / Tomi Tuominen - (Hyundai i20 WRC)

Yuriy Protasov / Paulo Cherepin - (Ford Fiesta R5)

Karl Kruuda / Martin Jarveoja - (Ford Fiesta S2000)

Robert Barrable / Stuart Loudon - (Ford Fiesta R5)

Fredrik Ahlin / Morten Erik Abrahamsen - (Ford Fiesta R5) 


Abdulaziz Al-Kuwari / Killian Duffy - (Ford Fiesta RRC) 


Martin Kangur / Andres Ots - (Ford Fiesta S2000)


Salah Bin Eidan / Alessandro Gelsomino - (Ford Fiesta R5)


Martin McCormack / David Moynhan - (Ford Fiesta R5)


Lorenzo Bertelli / Mitia Dotta - (Ford Fiesta R5)


Pedro Meireles / Mário Castro - (Skoda Fabia S2000)


Adruzilo Lopes / Vasco Ferreira - (Subaru Impreza STi R4)


Rui Madeira / Nuno Rodrigues da Silva - (Ford Fiesta R5)


João Barros / Jorge Henriques - (Ford Fiesta R5)


Oleksii Kikireshko / Kuldar Sikk - (Mini John Cooper Works RRC)