quarta-feira, 31 de julho de 2013

P.E.C. Nº 217: Quase 500 anos depois, outras viagens pelo mundo, outro Magalhães, ainda e sempre a navegação!

É uma das melhores notícias para os Ralis portugueses nos últimos tempos (este desporto bem precisado anda de boas notícias…), mas sem grande estranheza passou mais ou menos indiferente ao grande público e diversos outros agentes da modalidade. 

Hugo Magalhães, atual parceiro de aventuras de Bernardo Sousa no C.P.R. (lideram desafogadamente a competição), participou recentemente a convite do piloto Eddy Karou-Baram no Cedars Rally, prova pontuável para o campeonato libanês de Ralis. 

Um quinto lugar final foi resultado brilhante para quem desconhecia por completo o traiçoeiro terreno onde a prova se desenrolou, se viu na contingência de uma adaptação-relâmpago à necessidade de cantar notas em inglês, e trabalhou com um piloto muito pouco experiente em matéria de Ralis. 

Magalhães correspondeu (estamos mesmo em crer que superou) em pleno à confiança nele depositada, num contexto repleto de dificuldades, pelo que não serão surpresa novos convites que venham a surgir rumo a uma internacionalização mais regular da respetiva carreira. 

O jovem navegador é hoje um dos mais destacados nomes da renovação geracional de copilotos que tem vindo a ocorrer nos Ralis nacionais, iniciada a partir dos primeiros anos da década passada.

Vultos como, entre outros, Fernando Prata, Ricardo Caldeira, António Abreu, Miguel Borges, Joaquim Capelo, Luís Lisboa ou Sérgio Paiva foram em meia-dúzia de anos, de forma diríamos natural, cedendo espaço para que emergisse uma nova ordem na qual hoje pontificam nomes como António Costa (início de carreira em 2001, no Rallye Portas de Rodão, navegando Cristiano Duarte num Citroen Saxo Cup), Vítor Hugo (início de carreira em 2000, no Rali de Goís, navegando João Branco num Peugeot 106 GTi)Hugo Magalhães (início de carreira em 2006, no Rali do Futebol Clube do Porto, navegando Daniel Ribeiro num Toyota Corolla GTi) Alberto Silva (início de carreira em 2000, no Rali de Famalicão, navegando José Veiga num Toyota Starlet 1.3)Jorge Henriques (início de carreira em 1998, no Rali de Alcoutim, navegando Hugo Lopes num Toyota Corolla Twin Cam) ou Vasco Ferreira (início de carreira em 1999, no Rali de Marco de Canavezes, navegando António Lopes num Citroen AX)

É certo que referências como os experientes Paulo Babo, Luís Ramalho ou José Janela com maior ou menor periodicidade ainda andam (depressa…) por aí

Miguel Ramalho parece encontrar-se num ponto de indefinição relativamente ao seu futuro desportivo.

Nuno Rodrigues da Silva e Mário Castro são charneiras na transição entre passado e presente.

O veterano Carlos Magalhães é hoje cidadão-do-mundo em matéria de navegação, com uma reputação que ultrapassa em muito as fronteiras do país e o conduziu para uma sólida carreira internacional. 

'Fifé' não é catalogável. 

Paira acima dos colegas de função, granjeando uma respeitabilidade tal que o eleva à condição de guia espiritual para quem queira fazer da arte de cantar notas uma forma de vida. 

No entanto, uma análise rápida à atual classificação do campeonato de Portugal de Ralis deixa perceber uma mudança de paradigma no banco do lado direito dos bólides. 

Onde antes a experiência e paciência eram vetores essenciais no curriculum de qualquer copiloto, hoje dita cartas uma nova geração de navegadores extremamente bem preparados para a função, metódicos, organizados, cientes do seu papel, com uma indómita vontade de aprender e evoluirresilientes perante o inesperado, dando em suma mostras de muita confiança que nem os mais rápidos e experientes pilotos nacionais conseguem abalar. 

Num mundo global é natural que tais predicados ultrapassem fronteiras. 

Se Carlos Magalhães integra a elite dos navegadores do campeonato do mundo, já António Costa experimentou este ano a participação no Rali das Ilhas Canárias, prova integrada no campeonato Europeu de Ralis (matriz comum a ambos, o piloto brasileiro Daniel Oliveira), com a sequência a ter lugar agora em pleno médio-oriente, através de Hugo Magalhães, num convite que terá tido tanto de inesperado como de entusiasmante para todos os que têm ligações à modalidade. 

Reside aqui, aliás, uma das grandes ironias dos Ralis nacionais do momento: enquanto os nossos pilotos de proa (Bruno, Armindo, Bernardo) estão com as suas carreiras internacionais em suspenso (se não mesmo bastante comprometidas) por falta de verba, pelos vistos os seus ‘braços direitos’ estão com um cartel em alta além-fronteiras, são requisitados para competir lá fora, e (presume-se) ainda são pagos para o efeito.

O futuro pertence-lhes...




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domingo, 28 de julho de 2013

P.E.C. Nº 216: Ralis Imaginários; 'Rali Serras da Arada e da Freita', C.P.R. + Open de Ralis


Lafões é uma região do país pouco conhecida, mas que apreciamos particularmente. 

Longe do bulício das grandes cidades, aquelas paragens oferecem valências que vão do sossego ao verde da paisagem, dos cursos de água às montanhas que permitem usufruir de vistas sem fim, sem esquecer a prodigiosa gastronomia de cariz artesanal, ou… as estradas!

Sim, as estradas. 

Naquela zona há uma série de estradas capazes de fazer as delícias dos amantes da condução desportiva, cheias de encadeados de curvas durante quilómetros a fio. 

Neste enquadramento, Lafões tem naturalmente tradição nos Ralis nacionais, quer no âmbito do Rali de Portugal, quer também no contexto do campeonato nacional. 

Balizados pelas Serras da Arada e da Freita, cartografando o terreno ensaiámos um novo projeto de Rali com piso de asfalto tendo por base de operações a vila de São Pedro do Sul

Em mente tivemos, como sempre, a especial preocupação que os quilómetros cronometrados ganhassem terreno aos quilómetros de ligação, facto que se traduziu num (pensamos) apelativo ratio final (58,37%) entre extensão de classificativas e distância total do Rali. 

Por outro lado, fica também a nota de curiosidade, relativamente a este projeto, que caso ele fosse colocado em prática em moldes similares aos que de seguida apresentamos, no final da última classificativa de cada etapa (o esboço comtempla duas) da prova os concorrentes teriam percorrido 49,70 quilómetros em competição pura e dura contra escassos 6,25 quilómetros de ligações

Distâncias e mapas dos troços poderão, portanto, ser aprofundados no trabalho que se seguida apresentamos.

 INFORMAÇÃO GERAL:

DESIGNAÇÃO’Rali Serras da Arada e da Freita’.
ELEGIBILIDADECampeonato de Portugal de Ralis + Open de Ralis (os concorrentes inscritos no âmbito do Open apenas cumprirão as quatro primeiras especiais do Rali, regressando logo após ao Parque de Assistência).

DIAS DE PROVAUm.
ETAPASUma.
SECÇÕESDuas.
CLASSIFICATIVASSeis.
QUILOMETRAGEM TOTAL DO RALI170,30 quilómetros.
QUILOMETRAGEM TOTAL DAS CLASSIFICATIVAS: 99,40 quilómetros (correspondentes a 58,37% da quilometragem total do Rali).
CENTRO NEVRÁLGICO/PARQUE DE ASSISTÊNCIAParque Industrial de Alto do Barro, Bordonhos, São Pedro do Sul.


 ESQUEMA DA PROVA: 

 1.ª Etapa || 1.ª Secção 

- Partida do Parque de Assistência (no Parque Industrial de Alto do Barro, Bordonhos, São Pedro do Sul)0 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 1 (extensão: 3,00 kms)+ 3,00 kms;
- P.E.C. n.º 1 – Arada '1' - (extensão: 20,00 kms)+ 23,00 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 2 (extensão: 0,55 kms)+ 23,55 kms;
- P.E.C. n.º 2 – Freita '1' - (extensão: 12,50 kms)+ 36,05 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 3 (extensão: 2,70 kms)+ 38,75 kms;
- P.E.C. n.º 3 – Tabaçó '1' - (extensão: 17,20 kms)+ 55,95 kms;
- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência (extensão: 29,20 kms)+ 85,15 kms

 1.ª Etapa || 2.ª Secção 

- Partida do Parque de Assistência (na Zona Industrial de Mortágua, contígua à Estrada Nacional n.º 228)+ 85,15 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 4 (extensão: 3,00 kms)+ 88,15 kms;
- P.E.C. n.º 4 – Arada '2' - (extensão: 20,00 kms)+ 108,15 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 5 (extensão: 0,55 kms)+ 108,70 kms;
- P.E.C. n.º 5 – Freita '2' - (extensão: 12,50 kms)+ 121,20 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 6 (extensão: 2,70 kms)+ 123,90 kms;
- P.E.C. n.º 6 – Tabaçó '2' - (extensão: 17,20 kms)+ 141,10 kms;
- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência (extensão: 29,20 kms)+ 170,30 kms.

 « A R A D A » 
 P.E.C. n.º ‘1’ e ‘4’ || 20,00 quilómetros 


Visualizar ARADA em um mapa maior

 « F R E I T A » 
 P.E.C. n.º ‘2’ e ‘5’ || 12,50 quilómetros  


Visualizar FREITA em um mapa maior

« T A B A Ç Ó » 
 P.E.C. n.º ‘3’ e ‘6’ || 17,20 quilómetros 


Visualizar TABAÇÓ em um mapa maior

 MAPA GERAL DO RALI 


Visualizar MAPA GERAL DO RALI em um mapa maior

A FOTO QUE EXIBIMOS NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
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terça-feira, 23 de julho de 2013

P.E.C. Nº 215: «O carro era um amigo...»


«Zona-Espectáculo» acredita que o trabalho é condição primordial para a integração social de cada indivíduo. 

Cada um de nós tem uma missão relevante a cumprir na sociedade em que está inserido. 

Quando se tem a faculdade de se fazer o que se gosta (há quem não tenha sequer, dramaticamente, a faculdade de fazer o que não gosta) é natural que se vá ganhando laços profundos com o produto final da nossa atividade. 

É assim, pensamos, com o fruticultor que cuida carinhosamente das suas árvores, ou o construtor civil que não esconde uma proteção paternal relativamente aos mais bem construídos prédios que faz subir aos céus. 

No automobilismo o princípio permanece válido, claro está. 

Uma equipa de trabalho que ao longo do ano, com precisão de relojoeiro, dedica milhares de horas à volta de cada peça de um carro de competição, não pode deixar de desenvolver uma relação muito especial com o bólide. 

Na nossa P.E.C. Nº 46 afloramos o tema. 

Um carro (o antigo R5 Turbo da equipa Renault Galp Portugal) que foi parte da vida desportiva de Joaquim Moutinho e ofereceu ao grande piloto portuense os mais emblemáticos marcos do seu vasto palmarés, no Rali de São Miguel (hoje ‘Sata Rallye Açores’) de 1986 desaparecia para sempre após incêndio que o destruiu por completo. 

Nesse trabalho, escrito em fevereiro de 2011, ensaiámos algumas considerações sobre a ligação que Moutinho teria com o ‘NG-81-41’

Quando se fala no bicampeão nacional de Ralis (1985 + 1986), à memória vem-nos de imediato a imagem da saudosa e potente máquina francesa. 

Dedicado e profissional, é nossa convicção que Moutinho não olhava o ‘seu’ Renault como um carro qualquer. 

Um automóvel que guiou tantas centenas de horas enquanto piloto profissional e lhe permitiu, como talvez nenhuma outra viatura, dar expressão real aos seus enormes dotes de condução, tinha de ser uma máquina especial, capaz de gerar um elã cúmplice com a única pessoa que, afinal, a viria a conduzir em competição. 

No (ao tempo jornal, hoje revista) AutoSport publicado em 25 de junho de 1986, a reportagem de rescaldo da prova abriria um espaço dedicado a aprofundar as incidências do acidente em questão. 

Dada a palavra aos protagonistas do episódio como mandam as boas práticas do jornalismo, mais que a descrição da ocorrência feita por Moutinho ou as impressões vistas de fora através do relato de Miguel Oliveira, destaca-se o depoimento do mecânico Carlos Santos, naquele tempo ao serviço da equipa Renault Galp Portugal. 

As palavras que na ocasião concedeu ao semanário dos campeões, deixam transparecer a emoção que tomou de assalto a estrutura liderada por Ana Margarida Maia Loureiro após a cremação do ‘NG-81-41’

O tom empregue, carregado de sincera consternação, pode ser lido na imagem que abre este trabalho, dispensando palavras adicionais. 

O mistério dos Ralis afirma-se também por uma certa ideia de consanguinidade que um conjunto de pessoas (pilotos, mecânicos, jornalistas, aficionados) possa nutrir relativamente a um carro em especial

Daí não se estranhar que quando um bólide por infortúnio se torna irrecuperável, haja um exponenciar de profundos sentimentos de perda, de que Carlos Santos e demais elementos da antiga equipa Renault Galp Portugal são, entre outros, exemplo bastante...

Nota
A foto que apresentamos no presente trabalho foi obtida há não muito tempo no Facebook. Infelizmente, após algum trabalho de pesquisa não conseguimos apurar a autoria da mesma, nem tão-pouco o link de onde a extraímos. Caso algum dos nossos visitantes nos possa ajudar nesta questão ficamos, claro está, desde já muito agradecidos.

domingo, 14 de julho de 2013

P.E.C. Nº 214: Carros de Rali e a 'mulher de César'...


O desafio foi lançado há poucos dias por David Evans no portal autosport.com: saber se o Peugeot com que Sébastien Loeb participou recentemente em Pikes Peak pode constituir-se como um paradigma a ter em conta em futuras gerações de carros de Ralis, repristinando a aura dos antigos bólides de ‘grupo B’, que ainda hoje, tantos e tantos anos passados, preenche o imaginário de milhares de aficionados em todo o mundo. 

No plano desportivo a passagem do pluricampeão do mundo pela mítica rampa do Colorado foi arrebatadora. 

Deixou a concorrência a quilómetros (ou melhor, milhas…) de distância, emprestando de premeio o seu nome a um novo recorde do trajeto. 

Porém, terá sido ao nível mediático (a Red Bull, promotora do projeto, nunca dá ponto sem nó) que a aventura da marca francesa revestiu contornos de maior interesse, com uma operação extremamente bem organizada nos mais ínfimos detalhes. 

O carro, colhendo influências europeias nas experiências recentes da Peugeot ao mais alto-nível, foi em boa parte concebido pelo departamento de competição da marca do leão à velha maneira americana. 

Muita tubagem (o roll-bar parece uma emanação nascariana), potência em doses bíblicas (875 cv oficiais, quem sabe até… oficiosos!) e apêndices aerodinâmicos generosos. 

Em suma, um carro para andar muito depressa, mas também para… dar nas vistas. 

Se tais predicados seriam por si só suficientes para despoletar interesse, da cartola o construtor sacou ainda um piloto com um estatuto ímpar no mundo do automobilismo, juntando também ao automóvel a sigla ‘T16’ que, como os melhores vinhos, vai envelhecendo refinadamente com o passar do tempo. 

Tantos e tão apelativos condimentos levaram, sem surpresa, a uma operação extremamente bem-sucedida por parte da marca de Sochaux, ela que no passado, nos anos oitenta, já tinha granjeado prestígio por aquelas paragens com Ari Vatanen (também com Robby Unser) e os modelos 205 e 405, ambos, lá está, com o selo de qualidade ‘T16’… 

Os ecos da recente aventura da Peugeot pela América profunda fazem-se ainda sentir. 



Evans pegou neles suscitando uma reflexão, deveras entusiasmante, em torno do ‘208 T16 Pikes Peak’, lançando a debate uma ideia estruturante e com o seu quê de provocatório: discutir se a filosofia-base que presidiu à construção da bomba gaulesa não poderá, no futuro, ser aproveitada para a regulamentação dos carros de Rali do campeonato do mundo

Várias notas em torno do tema. 

Os WRC do presente são os carros mais rápidos jamais criados para a modalidade. 

A matemática na sua crueza demonstra-o irrefutavelmente. 

Todavia, talvez padeçam de um problema: são rápidos, mas muitas vezes... não parecem rápidos

O coração deles produz rotações mais através de bypass (eletrónica), que devido a uma caixa torácica (potência ‘bruta’) de generosa capacidade. 

Toda a espantosa evolução que sofreram nos últimos 25 anos, dos rudimentares Lancia Delta do final dos anos oitenta até ao atual Volkswagen Polo WRC, não foi acompanhada por uma evolução visual que lhes transmita, hoje, uma imagem marcadamente desportiva. 

Os atuais WRC, sem o charme das embaladeiras proeminentes, sem spoilers dignos desse nome, continuam a assemelhar-se perigosamente a um carro de utilização do dia-a-dia, sinalizando uma mensagem de que são (não são) fáceis de conduzir. 

Por tal facto, muitos adeptos não os consideram carros diferentes, capazes, como só o que é diferente é capaz, de prender a atenção. 

Por tal facto, muitos seguidores deste desporto não elevam à condição de Deuses os principais pilotos que hoje dominam o campeonato do mundo, por percecionarem (ilusoriamente) ser relativamente fácil guiar depressa um WRC

Acaba por ser, no fundo, uma incongruência tão grande como o grupo de forcados do aposento da Moita se apresentar na arena através de meia-dúzia de moçoilas com a envergadura da Kate Moss. 



, também, os decibéis. 

O apelo aos sentidos que um bólide especificamente construído para automobilismo deve exercer, faz-se não só plano visual mas também a nível auditivo

Com raras exceções, a partir de 1987 foi sendo montado uma espécie de silenciador automático nos melhores carros desenvolvidos para fazer Ralis. 

No passado, o público na classificativa ouvia o carro antes, muitas vezes bem antes, de o ter na sua mira visual. 

Hoje não. 

Em diversos momentos apenas nos damos conta de ‘quem vem lá’ no preciso instante que estamos a levar com um rasto de pó e terra em cima. 

Parece-nos que também nesta área (vamos confiar que os mais empedernidos dignatários da Quercus não lerão este texto…) devem operar no futuro algumas modificações, pois quem quererá em pleno troço ouvir o tom meloso da Kate Bush quando pode beneficiar do vozeirão cavernoso do Tom Waits? 

Não temos conhecimentos técnicos que nos permitam afirmar que um carro de 500 ou 600 cavalos com expressivas asas aerodinâmicas possa evoluir em classificativa sem sacrificar os elevados padrões de segurança atuais. 

Contudo, desconfiamos que dotar os WRC de um visual mais musculado e mais audível (ainda que aumentando o peso mínimo do carro, ou recorrendo apenas a compostos de pneus duros e menos performantes), à semelhança daquilo que vai ser feito no campeonato do mundo de turismos a partir do próximo ano, será, num futuro próximo, uma estratégia coerente com a propalada intenção de trazer adeptos para a modalidade, renovando-a nos seus paradoxos do presente. 

Numa altura em que tanto se alude à necessidade de promoção da modalidade à escala global, com sugestões (algumas delas verdadeiramente obtusas) para todos os gostos e feitios, paradoxalmente ninguém (porventura à exceção de Evans…) parece pretender iniciar um debate profundo em torno do aspeto (físico e sonoro) dos carros de Rali, sobretudo como uma imagem desportiva dos mesmos pode eventualmente fazer mais pela modalidade que um qualquer elaboradíssimo trabalho de marketing

A ideia, no fundo, resume-se na perfeição numa frase atribuída a David Richards (citada, aliás, no trabalho de Evans), segundo a qual o patrão da Prodrive terá referido por alturas da entrada em funções dos bólides com a designação oficial World Rally Cars, pretender ao tempo que os ‘seus’ Subaru Impreza parados parecessem estar a rodar a 100 milhas por hora...


AS FOTOS PUBLICADAS NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
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http://pelaestradafora.com/conteudos-wp/uploads/2013/06/Loeb_treinos_Pikes_Peak_02.jpg
http://cdn.sports.fr//images/media/auto-moto/image-du-jour/loeb-erreur-interdite/loeb-208-t-16-a-pikes-peak-premiers-essais/7238200-1-fre-FR/Loeb-208-T-16-a-Pikes-Peak-premiers-essais_w484.jpg

quarta-feira, 10 de julho de 2013

P.E.C. Nº 213: Ralis Imaginários; 'Florestas Beirãs', C.P.R. + Open de Ralis


Com este trabalho aventuramo-nos pela terceira vez (vd. P.E.C. n.º 161 e n.º 185) na idealização de um Rali pontuável para o campeonato de Portugal e para o Open de Ralis, desta feita em pisos de terra. 

Selecionamos para o efeito a zona de Mortágua, objeto, aliás, de tratamento detalhado na P.E.C. Nº 202 deste blogue. 

Na execução deste projeto fizemos incluir no nosso caderno de encargos duas metas ambiciosas: 

1 - Esquematizar um Rali com maior percentagem de quilómetros cronometrados que distâncias de ligação; 

2 - Conseguir que a distância total de prova se cifrasse o mais abaixo possível da fasquia dos 200 quilómetros, tornando-a nesse quesito mais competitiva que os três Ralis do CPR já disputados em 2013. 

Optar por pisos de terra e por Mortágua para materializar este trabalho, pressupunha desde logo considerar as dezenas de quilómetros daquelas paragens que no passado integraram o Rali de Portugal, limando-se algumas arestas (asfaltamento) que o tempo foi trazendo à região. 

Conhecemos boa parte daqueles trajetos, passíveis de proporcionar muita condução a pilotos e grande espetacularidade ao público. 

Admitimos haver segmentos que só serão hoje aproveitáveis para Ralis com algumas obras de beneficiação. 

No entanto, pensamos tratar-se de um Rali ‘viável’ e não uma ideia ilusória e sem exequibilidade. 

O resultado final é aquele que poderá ser conhecido de seguida.

 INFORMAÇÃO GERAL: 

DESIGNAÇÃO’Rali Florestas Beirãs’.
ELEGIBILIDADECampeonato de Portugal de Ralis + Open de Ralis (os concorrentes inscritos no âmbito do Open apenas cumprirão as cinco primeiras especiais do Rali, regressando logo após ao Parque de Assistência).
DIAS DE PROVAUm.
ETAPASUma.
SECÇÕESDuas.
CLASSIFICATIVASOito.
QUILOMETRAGEM TOTAL DO RALI167,18 quilómetros.
QUILOMETRAGEM TOTAL DAS CLASSIFICATIVAS: 90,98 quilómetros (correspondentes a 54,42% da quilometragem total do Rali).
CENTRO NEVRÁLGICO/PARQUE DE ASSISTÊNCIAZona Industrial de Mortágua, contígua à Estrada Nacional n.º 228 (ligação IP3 / Mortágua).

 ESQUEMA DA PROVA: 

 1.ª Etapa || 1.ª Secção 

- Partida do Parque de Assistência (na Zona Industrial de Mortágua, contígua à Estrada Nacional n.º 228)0 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. nº 1 (extensão: 5,90 kms)+ 5,90 kms;
- P.E.C. nº 1 – Vale de Paredes '1' - (extensão: 9,10 kms)+ 15,00 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. nº 2 (extensão: 3,80 kms)+ 18,80 kms;
- P.E.C. nº 2 – Foz do Cris '1' - (extensão: 13,43 kms)+ 32,23 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. nº 3 (extensão: 8,70 kms)+ 40,93 kms;
- P.E.C. nº 3 – Tojeira / Linhar '1' - (extensão: 9,70 kms)+ 50,63 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. nº 4 (extensão: 11,80 kms)+ 62,43 kms;
- P.E.C. nº 4 – Palheiros / Sobral '1' (extensão: 13,26 kms)+ 75,69 kms;
- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência (extensão: 7,90 kms)+ 83,59 kms

 1.ª Etapa || 2.ª Secção 

- Partida do Parque de Assistência (na Zona Industrial de Mortágua, contígua à Estrada Nacional n.º 228)+ 83,59 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. nº 5 (extensão: 5,90 kms)+ 89,49 kms;
- P.E.C. nº 5 – Vale de Paredes '2' - (extensão: 9,10 kms)+ 98,59 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. nº 6 (extensão: 3,80 kms)+ 102,39 kms;
- P.E.C. nº 6 – Foz do Cris '2' - (extensão: 13,43 kms)+ 115,82 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. nº 7 (extensão: 8,70 kms)+ 124,52 kms;
- P.E.C. nº 7 – Tojeira / Linhar '2' - (extensão: 9,70 kms)+ 134,22 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. nº 8 (extensão: 11,80 kms)+ 146,02 kms;
- P.E.C. nº 8 – Palheiros / Sobral '2' (extensão: 13,26 kms)+ 159,28 kms;
- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência (extensão: 7,90 kms)+ 167,18 kms

 «VALE DE PAREDES» 
 P.E.C. n.º ‘1’ e ‘5’ || 9,10 quilómetros 


Ver VALE DE PAREDES num mapa maior

 «FOZ DO CRIS» 
 P.E.C. n.º ‘2’ e ‘6’ || 13,43 quilómetros 


Ver FOZ DO CRIS num mapa maior

 «TOJEIRA / LINHAR» 
 P.E.C. n.º ‘3’ e ‘7’ || 9,70 quilómetros 


Ver TOJEIRA / LINHAR num mapa maior

 «PALHEIROS / SOBRAL» 
 P.E.C. n.º ‘4’ e ‘8’ || 13,26 quilómetros 


Ver PALHEIROS / SOBRAL num mapa maior

 MAPA GERAL DO RALI 


Ver RALI 'FLORESTAS BEIRÃS' num mapa maior