sexta-feira, 31 de agosto de 2012

P.E.C. Nº 158: A descer todos os santos ajudam... e bons travões mais ainda!


Portugal anda, nestes dias e noites estivais, entretido com a eleição das ‘sete maravilhas’.

Não é exercício pelo qual nós, Zona-Espectáculo nutramos especial fascínio ou curiosidade.

As únicas maravilhas (adequadamente, sem aspas) que nos entusiasmam são as que a nossa modalidade, os Ralis, produz.

O nosso país tem, relativamente a locais propícios à prática do automobilismo em estrada aberta, entre Alcaria do Cume e Orbacém uma infinidade de verdadeiros tesouros.

Um deles, de singular beleza, é a descida em asfalto da antiga classificativa da Serra da Lousã, naquela sublime quinzena de quilómetros em que carros e pilotos faziam um exigente rapel do topo da serra até à vila que lhe dá nome, pendurados nos travões ao invés de cordas.

Eram os glamourosos dias em que, por umas horas, a magnífica Estrada Nacional n.º 236 se afirmava na qualidade de fiel de balança entre pólos dissonantes como o Estoril e a Póvoa de Varzim.

A descida, deveras sinuosa, funcionava como uma perversão ao mais sólido mandamento do automobilismo de competição, premiando pela rapidez os concorrentes que melhor… travavam, quando pastilhas e discos assumiam a condição de titulares indiscutíveis, relegando o acelerador para o banco de suplentes.

Fica de seguida a infografia da classificativa bem, como a sua matriz em termos de protagonistas.

Como a história não é feita apenas de finais felizes, nem a descida da Serra da Lousã se notabilizou só pelo saudoso ‘fogo-de-artifício’ incandescente e alaranjado que os travões dos carros produziam no final da mesma, não deixamos de evocar o nome de Augusto Mendes que, na edição de 1989 do Rali de Portugal, aos comandos do Opel Kadett GSI com o n.º 59 estampado nas portas, viria a sofrer neste troço um fatídico acidente na sequência do qual perderia a vida, pagando um preço demasiado alto por ter ousado experimentar os encantos da modalidade que era (também) sua...

 1 9 8 5 

DESIGNAÇÃO: Serra da Lousã.
EXTENSÃO: 25,00 kms.
VENCEDORES:
a) Piloto(s): Massimo Biasion.
b) Navegador(es): Tiziano Siviero.
CARRO: Lancia Rally 037.
TEMPO REALIZADO: 14m:46s.
MÉDIA HORÁRIA: 101,58 kms/h.

 1 9 8 6 

DESIGNAÇÃO: Serra da Lousã.
EXTENSÃO: 25,00 kms.
VENCEDORES:
a) Piloto(s): Joaquim Moutinho.
b) Navegador(es): Edgar Fortes.
CARRO: Renault 5 Turbo.
TEMPO REALIZADO: 19m:30s.
MÉDIA HORÁRIA: 76,92 kms/h.

 1 9 8 7  

DESIGNAÇÃO: Serra da Lousã.
EXTENSÃO: 24,90 kms.
VENCEDORES:
a) Piloto(s): Jean Ragnotti.
b) Navegador(es): Pierre Thimonier.
CARRO: Renault 11 Turbo.
TEMPO REALIZADO: 15m:50s.
MÉDIA HORÁRIA: 94,36 kms/h.

 1 9 8 8  

DESIGNAÇÃO: Serra da Lousã.
EXTENSÃO: 25,00 kms.
VENCEDORES:
a) Piloto(s): Didier Auriol.
b) Navegador(es): Bernard Occelli.
CARRO: Ford Sierra RS Cosworth.
TEMPO REALIZADO: 15m:02s.
MÉDIA HORÁRIA: 99,78 kms/h.
 1 9 8 9  

DESIGNAÇÃO: Serra da Lousã.
EXTENSÃO: 25,00 kms.
VENCEDORES:
a) Piloto(s): Didier Auriol.
b) Navegador(es): Bernard Occelli.
CARRO: Lancia Delta Integrale.
TEMPO REALIZADO: 15m:11s.
MÉDIA HORÁRIA: 98,79 kms/h.

 1 9 9 0  

DESIGNAÇÃO: Serra da Lousã.
EXTENSÃO: 24,95 kms.
VENCEDORES:
a) Piloto(s): Armin Schwarz.
b) Navegador(es): Klaus Wicha.
CARRO: Toyota Celica GT-4.
TEMPO REALIZADO: 15m:47s.
MÉDIA HORÁRIA: 94,85 kms/h.

 1 9 9 1  

DESIGNAÇÃO: Serra da Lousã.
EXTENSÃO: 25,00 kms.
VENCEDORES:
a) Piloto(s): Armin Schwarz.
b) Navegador(es): Arne Hertz.
CARRO: Toyota Celica GT-4.
TEMPO REALIZADO: 16m:26s.
MÉDIA HORÁRIA: 91,28 kms/h.

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DESIGNAÇÃO: Serra da Lousã.
EXTENSÃO: 24,90 kms.
VENCEDORES:
a) Piloto(s): François Delecour.
b) Navegador(es): Daniel Grataloup.
CARRO: Ford Sierra Cosworth 4x4.
TEMPO REALIZADO: 14m:24s.
MÉDIA HORÁRIA: 103,75 kms/h.

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DESIGNAÇÃO: Serra da Lousã.
EXTENSÃO: 24,90 kms.
VENCEDORES:
a) Piloto(s): François Delecour.
b) Navegador(es): Daniel Grataloup.
CARRO: Ford Escort RS Cosworth.
TEMPO REALIZADO: 14m:41s.
MÉDIA HORÁRIA: 101,75 kms/h.

 1 9 9 4   

DESIGNAÇÃO: Serra da Lousã.
EXTENSÃO: 24,96 kms.
VENCEDORES:
a) Piloto(s): François Delecour.
b) Navegador(es): Daniel Grataloup.
CARRO: Ford Escort RS Cosworth.
TEMPO REALIZADO: 14m:46s.
MÉDIA HORÁRIA: 101,42 kms/h.

A FOTO EXIBIDA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.camping.de/de/pl%C3%A4tze/europa/portugal/unbekannt/lousa/campingplatz_lousa/pp/4/#Fotos

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

P.E.C. Nº 157: O homem que se despistou duas vezes...


Se há pilotos que em competição transportam consigo toda a identidade e caraterísticas do seu povo, esses pilotos são os japoneses.

Em qualquer género de desporto motorizado catalogamo-los sem indulgência ou meio-termo: invariavelmente exprimem a sua veia samurai, conduzindo com o sentido de honra de quem a todo o momento empunha o volante como se de um desembainhar do sabre se tratasse.

Num país tido por obcecado em tecnologia, na inversa medida em que deixa para segundo plano as relações humanas, é natural que no âmbito dos Ralis o core business dos nipónicos sejam os carros, antes, muito antes, dos pilotos.

Com diferentes graus de sucesso marcas como a Toyota, Subaru, Mitsubishi, Nissan, Mazda ou Suzuki envolveram-se no passado de forma oficial no mundial de Ralis, deixando a sua imagem fortemente ligada à modalidade.

Ainda assim há, apesar de tudo, pilotos nipónicos que mostraram credenciais nas provas de estrada, de que o melhor exemplo será Toshihiro Arai, antigo piloto oficial da Subaru, vencedor do agrupamento de produção no campeonato do mundo nas temporadas de 2005 e 2007.

Neste contexto [o dos pilotos oriundos do país do sol nascente], acreditamos que o nome de Hiroshi Nishiyama diga pouco à generalidade dos aficionados de Ralis.

Dos registos e das memórias não consta ter sido capaz de grandes arrebatamentos na modalidade.

Títulos expressivos não tem, e quanto a vitórias muito poucas são as constam no seu palmarés.

Nishiyama, com uma carreira internacional algo intermitente entre 1988 e 1997, foi no início dos anos noventa piloto semioficial da Nissan [mais pela nacionalidade, cremos, que propriamente pelo talento] e da respetiva folha de serviços avulta um vice-campeonato de produção [à altura denominado oficialmente ‘Taça F.I.A. de Grupo N’] em 1992 ao volante do modelo Sunny GTI-R, num ano em que a concorrência digna de registo era pouca [cingida praticamente ao mais cotado Grégoire de Mévius, aos comandos de carro idêntico], sobressaindo no palmarés do japonês o triunfo à classe [correspondente a um quarto lugar absoluto] no Rali da Costa do Marfim dessa temporada.

A ligação do piloto ao Rali de Portugal inicia-se em 1993, no decurso da 27.ª edição da prova.

A etapa portuguesa do campeonato do mundo de Ralis, terceiro evento do ano [após Monte Carlo e a Suécia], como mandava a tradição ia para a estrada no mês de março.

Navegado por Hiroki ‘Rocky’ Sugiura [premonitoriamente logo aqui uma 'alcunha' a prometer muita... ação] e tripulando o Nissan com o n.º 20 estampado nas portas, adivinhavam-se dificuldades para o nipónico na sua estreia na prova portuguesa.

O desconhecimento absoluto do terreno, a mescla de alcatrão e gravilha a obrigar a versatilidade na forma de pilotar, ou as [re]conhecidas especificidades das especiais portuguesas, deveras técnicas, eram condimentos que deixavam antever um Rali exigente, recomendando especiais cautelas a quem nele participava pela primeira vez.

Não se pode dizer que nessa edição da prova, há dezanove anos, com nomes referenciais em ação como Sainz, Delecour, Biasion, McRae, ou Alén, os homens do Sunny inscrito com o n.º 20 concitassem especiais atenções aos espetadores.

A dupla nipónica cumpriria o Gradil, classificativa de abertura do Rali de Portugal, sem sobressaltos de maior e, logo de seguida, apresentava-se à entrada do saudoso Montejunto que completava o binómio de especiais desenhadas ao redor da grande Lisboa.

Em 1993, como aliás era norma nesses anos, a moldura humana que enquadrava o Montejunto era impressionante.

Um dos locais prediletos do público era o denominado ‘anfiteatro’, uma longa direita [uma meia-lua, como a foto acima colocada assim ilustra] ligeiramente a subir, que os pilotos mais afoitos abordavam com prologadas e espetaculares atravessadelas.

No local, o relevo do terreno formava uma bancada natural em toda a zona do exterior da curva [ideal para se ver na perfeição o evoluir dos carros, em plenas condições de segurança], existindo no seu perímetro interior, do lado direito, um desnível de cerca de 2/3 metros que formava um ‘fosso’ a recomendar especial atenção aos concorrentes para lá não se deixar cair.

Cinco anos antes [ver imagens que em baixo partilhamos], essa mesma zona havia ficado conhecida, aliás, por uma série de acidentes que acabariam prematuramente com a esperança de diversos concorrentes à edição de 1988 do Rali de Portugal.

Em 1993, no ‘anfiteatro’, iam passando os melhores pilotos do mundo, entre a exuberância entusiasta de Eriksson ou a sobriedade de processos de Delecour [vencedor da classificativa, ex-aequo com Biasion].

A caravana fazia o seu desfile pela zona, e após a passagem dos concorrentes mais credenciados seguia-se, claro está, o Nissan Sunny da ‘desconhecida‘ dupla Nishiyama/Sugiura.

À entrada do ‘anfiteatro’, numa esquerda média feita a descer, o carro n.º 20, fruto de um excesso de pilotagem sai demasiado largo e, sem apelo nem agravo, resvala para o fatídico ‘fosso’.

O espetáculo que se seguiu provocou, claro, o gáudio de todo o público: Nishiyama [sem nunca desistir, crédito que por imperativo de justiça temos de lhe atribuir] às voltas no ‘fosso’, entre uma pequena plantação de batatas e uma outra de couves, tentando a todo o custo ‘trepar’ com o seu bólide o desnível para o asfalto do troço, procurando os mais variados locais da curva para o fazer, de frente, de lado e até de marcha atrás, perante um monumental coro de assobiadelas da assistência a roçar a pura troça mas, paradoxalmente, também o mais genuíno apoio.

À distância de dezanove anos é-nos difícil precisar o tempo que todas estas manobras demoraram, mas é certo que os nipónicos mantiveram a assistência entretida mais de uma dezena de minutos.

Por fim, quando o Sunny apresentava já diversas escoriações mas parecia manter completamente inalterada a sua coluna vertebral, com a ajuda do público [que nos pareceu quase elevar o carro em peso aos ombros], Nishiyama e Sugiura lá voltaram à classificativa, retomando a bom ritmo a sua marcha perante uma sonora salva de palmas, talvez endereçada a eles por nunca terem desistido, talvez destinada aos voluntariosos adeptos portugueses que lhes permitiram continuar em prova.

Naquele tempo o Rali de Portugal tinha uma ampla cobertura noticiosa na qual as rádios assumiam um papel determinante, a ponto de quase se poder afirmar que havia em direto uma espécie de relatos de Rali, tamanha a quantidade e qualidade informativa em tempo real.

Um transístor, a par do vinho, pão e presunto, era, portanto, uma ferramenta indispensável para se seguir a prova.

Presentes no ‘anfiteatro’ e refeitos do frenesim que os homens do carro n.º 20 acabavam de oferecer, demos connosco a pensar que seria curioso ir procurando saber notícias do desenrolar da sua prova, eles que quase tinham deitado tudo a perder logo à segunda classificativa do Rali.

Tais pensamentos não nos ocuparam muito tempo: havia, afinal, mais carros para ver atentamente.

Alguns minutos depois [após uns goles para aclamar a garganta e um aconchego ao estômago em forma de pão e rodelas de pujante salpicão transmontano...] sintonizamos o nosso rádio na procura de saber os tempos do Montejunto bem como a classificação geral do Rali.

E foi aí que, colhida a informação que desejávamos, num de repente é noticiada, em jeito de nota relativa ao troço em questão, a desistência do Nissan Sunny GTI-R n.º 20 [num local que pela descrição se situava menos de um quilómetro após o ‘anfiteatro’…] devido, pasme-se [sim, caro leitor, adivinhou!], a... «saída de estrada»!

A bem disposta gargalhada coletiva que se ouviu de imediato naquele hemiciclo, fez-nos concluir, logo ali, haver uma pequena multidão a ouvir rádio na serra de Montejunto na manhã de 3 de março de 1993…

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Nota: Na edição seguinte do Rali de Portugal, disputada em 1994, Nishiyama voltou ao nosso país para participar na prova, navegado por Hisashi Yamaguchi, desta feita aos comandos de um Subaru Impreza de grupo ‘N’.
Sabemos, pelas pesquisas que encetamos, que o japonês voltaria a não chegar às verificações técnicas finais por motivos que não conseguimos descortinar.
No entanto, face aos antecedentes, não será descabido imaginar as razões que porventura o levaram a somar nova desistência...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

P.E.C. Nº 156: Ralis imaginários; 'Serras do Caramulo', C.P.R.


O presente trabalho é um mero exercício para dar livre curso à nossa imaginação, sem veleidades ou pretensões de qualquer espécie. 

Vestimos a pele de organizadores de um Rali pontuável para o campeonato de Portugal, partindo do enquadramento regulamentar aprovado pela Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting que norteia a competição [ver AQUI]. 

Duas ideias-chave constituíram o ponto de partida para este trabalho: resgatar para as mais importantes provas de estrada do país uma região [eixo Vouzela/Caramulo] com fortes pergaminhos na modalidade e ‘desenhar’ em simultâneo um Rali compacto na sua extensão, simples de organizar, bem dotado de acessibilidades [IP3, A1, A25], próximo de urbes como Aveiro, Coimbra ou Viseu, destinado acima de tudo a procurar responder aos constrangimentos orçamentais com que a maioria dos habituais concorrentes ao C.P.R. se depara. 

O resultado deste nosso ‘ensaio’, que pretendemos relativamente a outras latitudes retomar em futuras ocasiões no âmbito deste blogue, fica expresso, então, nas linhas que seguem.

DESIGNAÇÃO: Rali ‘Serras do Caramulo’
ELEGIBILIDADE: Campeonato de Portugal de Ralis.
DIAS DE PROVA: Um.
ETAPAS: Duas.
SECÇÕES: Quatro.
CLASSIFICATIVAS: Oito.
QUILOMETRAGEM TOTAL DO RALI: 226,4 quilómetros.
QUILOMETRAGEM TOTAL DAS CLASSIFICATIVAS: 101,2 quilómetros [correspondentes a 44,70% da quilometragem total do Rali].
CENTRO NEVRÁLGICO/PARQUE DE ASSISTÊNCIA: Vila do Caramulo.

 ESQUEMA DA PROVA: 

- Partida do Parque de Assistência: 0 kms [frente ao Hotel do Caramulo];
- Percurso de ligação até ao Shakedown [extensão: 8,2 kms]: + 8,2 kms;
- Shakedown [extensão: 2,7 kms]: + 10,9 kms;
- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência [extensão: 5,2 kms]: + 16,1 kms;

 1.ª ETAPA: 

-  1.ª SECÇÃO: 

- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 1 [extensão: 2,8 kms]: + 18,9 kms;
- P.E.C. n.º 1 [‘Aldeias da Serra’, extensão: 19,6 kms]: + 38,5 kms;
- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência [extensão: 5,4 kms]: + 43,9 kms;

-  2.ª SECÇÃO: 

- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 2 [extensão: 29,0 kms]: + 72,9 kms;
- P.E.C. n.º 2 [‘Senhora do Castelo 1’, extensão: 13,3 kms]: + 86,2 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 3 [extensão: 0,5 kms]: + 86,7 kms;
- P.E.C. n.º 3 [‘Circuito da Penoita’, extensão: 8,6 kms]: + 95,3 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 4 [extensão: 14,3 kms]: + 109,6 kms;
- P.E.C. n.º 4 [‘Muna 1’, extensão: 9,1 kms]: + 118,7 kms;
- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência [extensão: 2,5 kms]: + 121,2 kms;

 2.ª ETAPA: 

-  1.ª SECÇÃO: 

- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 5 [extensão: 5,4 kms]: + 126,6 kms;
- P.E.C. n.º 5 [‘Malhapão’, extensão: 19,6 kms]: + 146,2 kms;
- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência [extensão: 2,8 kms]: + 149,0 kms;

-  2.ª SECÇÃO: 

- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 6 [extensão: 29,0 kms]: + 178,0 kms;
- P.E.C. n.º 6 [‘Senhora do Castelo 2’, extensão: 13,3 kms]: + 191,3 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 7 [extensão: 0,6 kms]: + 191,9 kms;
- P.E.C. n.º 7 [‘Adsamo’, extensão: 8,6 kms]: + 200,5 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n. 8 [extensão: 14,3 kms]: + 214,8 kms;
- P.E.C n.º 8 [‘Muna 2’, extensão: 9,1 kms]: + 223,9 kms;
- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência final [extensão: 2,5 kms]: + 226,4 kms [total do Rali].

Notas:

1 - Seria possível esquematizar-se este Rali ainda de forma mais compacta, abaixo dos 200 quilómetros de extensão total de percurso [ligações e P.E.C. somadas]. 

No entanto, tivemos a preocupação de 'organizá-lo' balizados pela ideia, importante, de perturbar o mínimo possível a vida das povoações onde se 'desenrola', sobretudo em trajeto cronometrado.

2 - As P.E.C. que apelidamos de ‘Muna’, ‘Senhora do Castelo’ e ‘Circuito da Penoita’, com estas ou outras designações já foram, no todo ou em parte do seu percurso, incluídas em provas do campeonato de Portugal de Ralis ou no Rali de Portugal. 

3 - A P.E.C. ‘Aldeias da Serra’ [com exceção de um curto trecho, incluído na antiga classificativa denominada ‘Caramulo’ que integrava o Rali de Portugal], ou, no trajeto invertido que designamos ‘Malhapão’, é, pensamos, totalmente inédita nos Ralis nacionais.

4 - Para dotar a prova de interesse competitivo adicional, as segundas passagens por 'Aldeias da Serra' e 'Circuito da Penoita' foram rebatizadas, respetivamente, de 'Malhapão' e 'Adsamo', respeitando o mesmo trajeto mas invertendo o sentido das mesmas

5 - Não aplicámos o mesmo raciocínio para as especiais de 'Muna' e 'Senhora do Castelo', por se nos afigurar que poderia levar à perda de interesse desportivo tendo em atenção a morfologia dos respetivos trajetos, além de em alguns pontos poder causar problemas ao nível da segurança dos concorrentes.

6 - Sobre a temática do presente trabalho, recomendamos a consulta às P.E.C. Nº 7, 35, 37 e 90 deste blogue.

7 - Comparativamente, aqui deixamos a quilometragem total dos Ralis em asfalto que integraram a edição de 2011 do campeonato de Portugal de Ralis:

- Rali Vinho Madeira: 925,28 kms;
- Rali Centro de Portugal: 323,26 kms;
- Rali de Mortágua: 243,68 kms;
- Rali Casinos do Algarve: 263,17 kms.

 INFOGRAFIAS: 

Shakedown:


INÍCIO: Na Rua de Santo Amaro, povoação de Litrela.
FINAL: Na Estrada Nacional n.º 230 [sentido Caramulo], junto ao cruzamento para a Rua Alferes Celso Lopes/Pedronhe.
EXTENSÃO2,7 quilómetros [uma única passagem].


Ver shakedown num mapa maior


P.E.C. n.ºs 1 e 5:


DESIGNAÇÃO: 'Aldeias da Serra' [P.E.C. n.º 1].
INÍCIO: Junto ao cruzamento da Estrada Nacional n.º 230/3, na direção de Jueus/Laceiras/Pedrógão.
FINAL: Junto ao cruzamento da Estrada Nacional n.º 230/3, na direção de Bezerreira, à entrada da povoação de Almofala.
EXTENSÃO: 19,6 quilómetros.


DESIGNAÇÃO: 'Malhapão' [P.E.C. n.º 5].
INÍCIOJunto ao cruzamento da Estrada Nacional n.º 230/3, na direção de Bezerreira, à entrada da povoação de Almofala. 
FINALJunto ao cruzamento da Estrada Nacional n.º 230/3, na direção de Jueus/Laceiras/Pedrógão.
EXTENSÃO: 19,6 quilómetros.


Ver Classificativa: Aldeias da Serra num mapa maior

P.E.C. n.ºs 2 e 6:


DESIGNAÇÃO: 'Senhora do Castelo' 1 e 2.
INÍCIO: Junto ao cruzamento da Estrada Macional n.º 228, na direção de Senhora do Castelo [Estrada Nacional n.º 228/1].
FINAL: Junto à povoação de Covas, perto do cruzamento da Estrada Municipal n.º 622.
EXTENSÃO: 13,3 quilómetros.


Ver Classificativa: Senhora do Castelo num mapa maior

P.E.C. n.ºs 3 e 7:


DESIGNAÇÃO: 'Circuito da Penoita' [P.E.C. n.º 3].
INÍCIO: Junto à povoação de Adsamo, na direção Joana Martins/IP5, no cruzamento da Estrada Municipal n.º 622.
FINAL: Na estrada Municipal n.º 622, junto ao cruzamento para a povoação de Adsamo.
EXTENSÃO: 8,6 quilómetros.

DESIGNAÇÃO: 'Adsamo' [P.E.C. n.º 7].
INÍCIONa estrada Municipal n.º 622, junto ao cruzamento para a povoação de Adsamo.
FINALJunto à povoação de Adsamo, na direção Joana Martins/IP5, no cruzamento da Estrada Municipal n.º 622. 
EXTENSÃO: 8,6 quilómetros.


Ver Classificativa: Circuito da Penoita num mapa maior


P.E.C. n.ºs 4 e 8:


DESIGNAÇÃO: 'Muna' 1 e 2.
INÍCIO: Junto ao cruzamento da Estrada Nacional n.º 228, na direção de Carvalhal da Mulher/Caselho do Guardão.
FINALJunto ao cruzamento da Estrada Nacional n.º 230 [sentido Caramulo/Águeda], na direção de Carvalhal da Mulher/Caselho do Guardão.
EXTENSÃO: 9,1 quilómetros.



Ver Classificativa: Muna num mapa maior

A FOTO PUBLICADA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.filipefifefernandes.com/v1/index.php?option=com_content&view=article&id=19&Itemid=26

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

P.E.C. Nº 155: Uma 'outra' Arganil...


Ganha consistência o regresso da região de Arganil ao Rali de Portugal

Na sequência de declarações públicas proferidas recentemente pelo edil de Oliveira do Hospital nesse sentido, e aproveitando a tendência liberalizante de que a FIA tem vindo a dar mostras, o propósito de devolver a prova às classificativas da Serra do Açor parece ter pernas para andar

A palavra final pertencerá, claro, à direção de prova que, confiamos, não será insensível ao sindicato de vontades que seguramente se vai gerar em torno do tema. 

No processo de reencontro do Rali de Portugal com o seu passado, de que o Fafe Rally Sprint/2012 foi o primeiro [e excecionalmente sucedido] passo, a lógica determina com naturalidade a inclusão de Arganil na rota do evento. 

As lendárias florestais de Arganil estão, aliás, inscritas no código genético do Rali

São um dos três vértices, a par de Fafe e Sintra, do triângulo que ajuda a referenciar a história da prova

O enquadramento paisagístico esmagador, o assombroso desenho dos troços [nas infindáveis variáveis que a região possibilita], as quilometragens tradicionalmente elevadas ou o piso marcadamente demolidor, são características que tornaram Arganil singular no contexto da modalidade. 

Ali se vivenciaram algumas das mais belas passagens [no sentido literal do termo, mas também no seu sentido filosófico] do passado das provas de estrada disputadas no nosso país. 

A sempre temível ronda de Arganil foi em inúmeras ocasiões crucial para decidir desportivamente o Rali de Portugal

À entrada das especiais em gravilha do Açor, a única verdade arreigada na mente dos concorrentes era que aquelas classificativas se constituíam como um tudo ou nada, tanto capazes de validar um bom resultado como deitar por terra [literalmente] toda e qualquer certeza até aí adquirida

Porém, a lenda de Arganil no âmbito dos Ralis não se alimenta só de , pedras ou lama

Há uma ‘outra’ Arganil menos conhecida e porventura com menor carga histórica, sem referências como a especial com os míticos 56,5 quilómetros de extensão [o percurso de Vale de Maceira a Lomba devia constituir uma espécie de ‘Caminhos de Santiago’ para qualquer adepto de Ralis que se preze…] mas ainda assim, pensamos, com enorme interesse: a Arganil… de asfalto

Após 1986, quando a prova mergulhou num mar de indefinições na sequência do trágico acidente de Joaquim Santos e Miguel Oliveira, foi ainda assim mantida, até 1994, a célebre etapa em asfalto [esse ‘preliminar’, como todos os preliminares importantíssimo no respetivo desfecho final…] que conduzia os concorrentes da região de Lisboa até ao norte do país

O Rali continuava a subir no mapa de Portugal mas esta primeira etapa, após o desaparecimento de Sintra, estava órfã de referências fortes

Subsistiam, é certo, a fabulosa descida da Lousã ou a Freita. 

Faltava, porém, algo verdadeiramente emblemático. 

Um nome de peso. 

E Arganil, ainda que numa outra faceta, assentava quem nem uma luva neste propósito. 

Nessa medida, em seis edições do Rali de Portugal [entre 1989 e 1994] a organização levou a caravana de concorrentes até ao asfalto do Açor

A prova, vaidosa, ensaiava na região como que um jogo de sedução à Serra de Estrela, que começava com um piscar de olhos à distância a partir do Monte Trevim na descida da Lousã, e terminava, já mais próximo, com a exibição de uns vistosos peitorais desde o topo dos Penedos Altos. 

Estas classificativas de asfalto [Arganil, Piódão ou Coja] funcionavam como uma subversão à ordem estabelecida. 

Selada das Eiras, antes uma passagem na existência do evento, dava agora lugar ao nascimento de um troço.

Torrozelas passava de parceira à distância do Rali para uma interveniente, digamos, mais ativa.

A relação entre Alqueve e Folques assumia à mesma um plano inclinado, mas agora em sentido contrário.

E os Penedos Altos ensaiavam desta feita um voo picado na direção de Piódão, numa sequência de ganchos sublime, perfeita e inimitável, capaz de atirar, ousamos arriscar, sem apelo nem agravo um qualquer acesso ‘enrolado’ ao Col du Turini diretamente para o banco de suplentes

[Nota: No âmbito deste trabalho não considerámos classificativas como Góis ou São Gião, as quais, não obstante se integrarem num certo espírito de Arganil, não devem ser consideradas, em nossa opinião, 'Serra do Açor bacteriologicamente pura'].


 DADOS ESTATÍSTICOS: 

 ||  1 9 8 9  || 

Classificativa: Arganil.
Extensão: 12,70 kms.
Vencedores: Massimo Biasion/Tiziano Siviero e Didier Auriol/Bernard Occelli [ex-aequo].
Carro: Lancia Delta Integrale.
Tempo realizado: 8m:26s.
Média horária: 90,36 Kms/h.

 ||  1 9 9 0  || 

Classificativa: Arganil.
Extensão: 12,62 kms.
Vencedores: Armin Schwarz/Klaus Wicha.
Carro: Toyota Celica GT4.
Tempo realizado: 8m:14s.
Média horária: 91,97 Kms/h.

 ||  1 9 9 1  || 

Classificativa: Arganil.
Extensão: 12,60 kms.
Vencedores: Carlos Sainz/Luís Moya e Armin Schwarz/Arne Hertz [ex-aequo].
Carro: Toyota Celica GT4.
Tempo realizado: 8m:33s.
Média horária: 89,12 Kms/h.

 ||  1 9 9 2  || 

Classificativa: Arganil.
Extensão: 12,60 kms.
Vencedores: Juha Kankunnen/Juha Piironen.
Carro: Lancia Delta HF Integrale.
Tempo realizado: 7m:53s.
Média horária: 95,90 Kms/h.

Classificativa: Piódão.
Extensão: 18,80 kms.
Vencedores: Andrea Aghini/Sauro Farnocchia.
Carro: Lancia Delta HF Integrale.
Tempo realizado: 12m:16s.
Média horária: 91,96 Kms/h.

 ||  1 9 9 3  || 

Classificativa: Arganil.
Extensão: 12,60 kms.
Vencedores: François Delecour/Daniel Grataloup e Andrea Aghini/Sauro Farnocchia [ex-aequo].
Carros: Lancia Delta HF Integrale [Aghini/Farnocchia] e Ford Escort RS Cosworth [Delecour/Grataloup].
Tempo realizado: 8m:02s.
Média horária: 94,11 Kms/h.

Classificativa: Piódão.
Extensão: 18,33 kms.
Vencedores: François Delecour/Daniel Grataloup.
Carro: Ford Escort RS Cosworth.
Tempo realizado: 12m:18s.
Média horária: 89,41 Kms/h.

 ||  1 9 9 4  || 

Classificativa: Arganil.
Extensão: 12,67 kms.
Vencedores: François Delecour/Daniel Grataloup.
Carro: Ford Escort RS Cosworth.
Tempo realizado: 8m:00s.
Média horária: 95,03 Kms/h.

Classificativa: Coja.
Extensão: 13,60 kms.
Vencedores: François Delecour/Daniel Grataloup.
Carro: Ford Escort RS Cosworth.
Tempo realizado: 9m:27s.
Média horária: 86,35 Kms/h.

Classificativa: Piódão.
Extensão: 18,47 kms.
Vencedores: Massimo Biasion/Tiziano Siviero.
Carro: Ford Escort RS Cosworth.
Tempo realizado: 12m:11s.
Média horária: 90,96 Kms/h.

 INFOGRAFIAS: 

Arganil


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Piódão


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Coja


Ver Coja num mapa maior

 IMAGENS: 

 ||  1 9 9 2  || 
Arganil, subindo de Folques para Alqueve


 ||  1 9 9 3  || 
Piódão, Penedos Altos


 ||  1 9 9 4  || 
Arganil, descendo de Torrozelas na direção de Folques, e virando à esquerda rumo a Alqueve






AS FOTOS EXIBIDAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.jalopnik.com.br/a-evolucao-do-mitsubishi-lancer-parte-2/
- http://autosport.sapo.pt/autosport-rali-de-portugal-wrc-1993-biasion-ford-escort-cosworth=f64757