domingo, 29 de julho de 2012

P.E.C. Nº 153: Quatro fotografias, uma única classificativa...





Na continuação da nossa 'P.E.C.' anterior e imbuídos, uma vez mais, de um certo espírito «on the road», eis novo desafio aos nossos visitantes, desta feita com quatro fotos de uma antiga classificativa, ainda e sempre, como não pode deixar de ser, do Rali de Portugal. 

De que especial se trata? 

Aguardamos resposta certeira…

[Zona-Espectáculo recomenda, relativamente a antigos troços do Rali de Portugal, visita às P.E.C. Nº 11, 14, 40, 59, 83, 85, 86, 117, 118, 119, 148, 149 e 152 deste blogue].

[Nota: A disposição sequencial das fotos neste trabalho obedece ao próprio sentido da classificativa [do seu início para o seu final], e a marcha dos concorrentes fazia-se do exato local onde as fotos foram colhidas em direção à linha de horizonte visual].

P.E.C. Nº 152: Três fotos que retratam um troço do Rali de Portugal. Qual?




Em período de férias, deve-se aproveitar para fazer aquilo que mais gostamos. 

Nós, Zona-Espectáculo, procuramos por norma o descanso estival para nos entreter com os prazeres da vida: entre outros, a família, os amigos, a leitura, o cinema, ou a gastronomia. 

Mas no verão, contrariando a regra, apetece-nos rotineiramente trabalhar em algo que também nos move ao longo do resto do ano: Ralis! 

É de encontro a essa ideia que aproveitamos as horas de lazer para promover uma espécie de reinterpretação pessoal das «Viagens na minha Terra»

Estamos, é claro, a ‘calendários’ do talento literário dos grandes autores clássicos da literatura portuguesa, designadamente, para o efeito, de Almeida Garrett. 

Mas hoje, como antes, continuamos a defender que a compreensão na plenitude daquilo que o Rali de Portugal significa passa em larga escala por ‘conhecer o terreno’

Nessa medida ir aos troços, radiografá-los com a maior abrangência possível, percorrer partes ou o todo dos respetivos trajetos, é das mais eficazes formas de assimilar a personalidade da prova.

Experimente, caro leitor, o desafio de ir das imediações de Vale de Maceira aos ganchos do Piódão pela antiga classificativa de terra, ou, então, fazer a escalada entre Salgueiro e Selada das Eiras, e perceberá com maior extensão as causas da lenda e fascínio de Arganil

Deixe-se embalar pela descida da segunda metade do troço da Serra de Sintra [ou simplesmente Sintra] e compreenderá na plenitude o misticismo e encantamento das loucas noites dos anos setenta naquela célebre ronda de classificativas

Mais que procura de informação, os nossos périplos a antigas especiais do Rali de Portugal funcionam como uma espécie de aglutinação de memórias: as que presenciámos, e as que lemos ou ouvimos contar. 

É dentro desse espírito que fomentamos as nossas próprias «Viagens», partilhando-as neste blogue. 

Falta-nos em toda a linha, é certo, a sabedoria garrettiana para encadear palavras; limitamo-nos a disfarçar preguiçosamente essa limitação com o recurso a maquinais cliques na máquina fotográfica, mesmo esses de duvidosa veia artística.

Que antiga classificativa do Rali de Portugal é objeto das fotografias acima publicadas é a resposta, uma vez mais, que se pretende dos nossos visitantes.

Fica o repto.

Aguarda-se o respetivo feedback

[Nota: A disposição sequencial das fotos neste trabalho obedece ao próprio sentido da classificativa [do seu início para o seu final], e a marcha dos concorrentes fazia-se do exato local onde as fotos foram colhidas em direção à linha de horizonte visual].

sábado, 28 de julho de 2012

P.E.C. Nº 151: Perdidos & achados [embora a primeira hipótese pareça mais verossímil...]


Em contraste com o desporto motorizado praticado nos circuitos de velocidade, designadamente a F1, em que a coexistência entre de colegas de equipa é com frequência marcada por um clima de rivalidade quase bélico, nos Ralis são raras as ocasiões em que pilotos ao serviço da mesma equipa se deixam enredar por relações marcadamente tensas.

No passado tivemos exemplos [poucos, refira-se] que não terão sido fáceis de gerir: nos tempos da saudosa equipa oficial da Subaru, quando a relação entre Carlos Sainz e Colin McRae teve episódios de algum distanciamento [curiosamente viriam, anos mais tarde e aparentemente sem recalcamentos, a reatar a sua coabitação enquanto profissionais da mesma estrutura, desta feita ao serviço da Ford], ou mais recentemente no seio da Citroen, quando a irreverência e ambição de Ogier colidiu com o estatuto [p]referencial que Loeb detém no interior da equipa gaulesa.

Seja como for os Ralis em regra têm-se sabido preservar a si próprios, mantendo-se à margem de questiúnculas entre colegas de equipa, quase sempre estéreis, raramente edificantes, talvez porque em rigor a relação entre pilotos ao serviço do mesmo diretório acabe por se pautar pelo distanciamento: [normalmente] dois minutos em pleno troço.

O automobilismo, cujo córtex central é, com mais ou menos variáveis, o ato de conduzir, caracteriza-se por ser um desporto de matriz individual.

A classificação de pilotos é, sob todos os prismas [desde logo mediaticamente], mais prestigiante do que o campeonato de marcas.

Ainda assim, a pilotos ao serviço da mesma equipa [pagos por ela, em muitos casos regiamente], pede-se-lhes em algumas ocasiões que saibam abdicar do interesse individual em prol de um resultado favorável à estrutura onde estão integrados.

As ordens de equipa, assumidas ou concretizadas através de jogos florais camuflados, confundem-se com a própria história do desporto automóvel.

Nesse sentido são, talvez, a segunda profissão mais velha do mundo.

Ninguém aprecia que a hierarquia classificativa de um Rali dependa de outro fator que não a rapidez do carro, do piloto e do respetivo navegador.

A classificação geral exprime o resultado da análise ao sangue de uma prova, onde não deve constar colesterol ou triglicerídeos [leia-se: ordens] provenientes do diretor de equipa, nem qualquer bypass que influa artificialmente no destino de um Rali.

Referimos, atrás, que nesta nossa modalidade os pilotos ao serviço de uma mesma equipa mantêm um certo distanciamento físico nos seus postos de trabalho, como se trabalhassem para o mesmo patrão mas em departamentos diferentes.

Os carros espaçados no troço colocam os seus tripulantes a salvo das quezílias profissionais que muitas vezes decorrem da proximidade entre colegas a trabalhar debaixo do mesmo teto.

No entanto, mesmo nos Ralis, há algumas ocasiões em que fortuitamente colegas da mesma equipa se podem cruzar.

A foto que abre este trabalho retrata o Rali de Monte Carlo, safra de 1978.

De costas para nós Bernard Darniche coadjuvado por Alain Mahe, e, de frente, Maurizio Verini assessorado por Francesco Rossetti, companheiros de equipa ao serviço da equipa oficial da Fiat, sobrenome Abarth.

Inspirados, talvez, pela nacionalidade da marca que servem, parecem querer reproduzir a ideia de caos rodoviário perpétuo de cidades como Roma ou Nápoles. 

Numa modalidade onde o insólito é em inúmeras ocasiões parte do seu mapa genético, e a planificação de itinerários código normativo a aplicar a todo o tempo, fica a ironia da foto acima reproduzida retratar algum desnorte que nem o mais meticuloso roadbook consegue suprir.

Porém, também nos Ralis [como em quase tudo na vida...] não existem episódios que tenham caráter irreversível, como já de seguida, aliás, melhor se fica a perceber...


AS FOTOS PRESENTES NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.specialstage.com/forums/showthread.php?40336-The-Original-Rally-Supercars/page6
- http://www.forum-auto.com/sport-auto/photo-sport-auto/sujet243862-2660.htm

domingo, 15 de julho de 2012

P.E.C. Nº 150: Quando o chão falta debaixo dos pés...


Uma classificativa é mais que a distância física entre dois pontos de cronometragem.

Várias delas, por diversas ordens de razão, afirma[ra]m-se como imagem de marca de um Rali, ou até mesmo da região ou do país a que pertencem.

Diversos motivos concorrem para que tal aconteça.


Um dos mais relevantes, senão mesmo o principal, prende-se com o enquadramento paisagístico onde uma prova se disputa.

O contraste visual entre um Rali Safari disputado nas longas retas da savana africana, ou a alta-montanha alpina na qual os carros parecem ‘esquiar’ Monte [Carlo] acima, Monte [Carlo] abaixo, é uma das razões em que se ancora o fascínio que esta modalidade exerce pelos quatro cantos do mundo.


Por isso é essencial que uma classificativa se apresente em [ao…] público de forma elegante e sedutora, vestindo uma roupagem [a paisagem que envolve o preciso local onde os carros evoluem] que vinque a sua personalidade.

Em Portugal várias indumentárias de recorte clássico [mas jamais fora de moda] ajudaram no passado à projeção do Rali de Portugal.


O xisto austero e as ravinas bem vincadas que fizeram a lenda de Arganil, a floresta densa e húmida que se tornou imagem de marca da ronda de Sintra, a seminudez das pedras que parecem a cada instante abotoar, agasalhando, os troços de Fafe, o chapinhar dos carros na água que tão bem caracteriza Figueiró dos Vinhos ou a Aguieira, ou o perfume fresco dos cheiros do mar que empresta sedução a classificativas como São Pedro de Moel, Figueira da Foz/Quiaios ou Santa Luzia, são fatores extradesportivos que, todavia, não deixaram de influir decisivamente na forma como o Rali de Portugal se foi revelando mundo fora.


Se é certo que o território continental do nosso país possui, do Algarve a Trás-os-Montes, uma infinidade de soberbas classificativas, quer em terra, quer em asfalto, não é menos verdade que as ilhas, tantas vezes [injustamente…] esquecidas no contexto do automobilismo do nosso país, conseguem produzir nessa matéria troços de espetacularidade inigualável.

As imagens que selecionámos para o presente trabalho, estamos em crer que são disso exemplo bastante.

Em São Miguel, Açores, à volta da Lagoa das Sete Cidades, além da presença abundante do verde da natureza [a Quercus se desenhasse troços, provavelmente produzia-os assim], há um outro fator que chama a atenção: o impressionante jogo de equilibrismo [quiçá de nervos…] a que os concorrentes se dedicam para não se despenhar desfiladeiro abaixo.


Sabíamos que os Ralis não são dados a quem sofra de fobias de velocidade, mas a fabulosa classificativa ilustrada pelas imagens que publicamos ensina que a modalidade pode, a espaços, estar interdita a quem padeça de vertigens por medo das alturas.

Aqui reside um claro contraste entre as provas de estrada e o automobilismo de pista ou circuito fechado.

Se neste último a escapatória pode ser vista como um andarilho fiel, capaz de amparar todo e qualquer tropeção, já naquelas a bainha da classificativa pode, em caso de despiste, descoser, dando espaço aquela desagradável sensação de faltar subitamente chão debaixo dos pés.


Deste modo, a forma como piloto e navegador gerem a capacidade de se manter no leito da especial, abstraindo-se dos imprevistos que espreitam para lá das margens do troço, é um dos aspetos mais siderantes desta modalidade

É para lá do curso de terra ou asfalto, quando há desvios da rota programada, que ironicamente, em caso de infortúnio, a barca à deriva pode mesmo [literalmente] afundar, como além das sublimes fotos que agora partilhamos com o caro leitor, é bom exemplo a saída de estrada protagonizada por Louise-Aitken Walker e Tina Thorner no decurso do Rali de Portugal de 1990, na prodigiosa classificativa de Figueiró dos Vinhos.


[Nota: Sobre o Sata Rali dos Açores, consultar P.E.C. Nº 124 deste blogue].

AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=79428
- http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=50352
- http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=50356
- http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=32000
- http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=32002
- http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=32005
- http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=32088
- http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=32191

sábado, 7 de julho de 2012

P.E.C. Nº 149: Oito fotos-adivinha...

  



  



Chamemos-lhe, por exemplo, o ‘Rali da Identificação de Troços’.

Após onze 'especiais' já disputadas [P.E.C. Nº 11, 14, 40, 59, 83, 85, 86, 117, 118, 119 e 148 deste blogue] acende-se a 'luz verde', com o presente trabalho, para mais uma ‘classificativa’.

Tem sido, parece-nos, um 'Rali' difícil para os ‘concorrentes’, com poucos ‘tempos-canhão’ a aparecer [leia-se, repostas corretas logo à primeira tentativa].

No entanto, este nosso ‘Rali’ carateriza-se pela sua ‘dureza’, pela 'dificuldade' do seu 'percurso', e estamos em crer que esta nova P.E.C. não fugirá à regra.

O desafio é que imponha uma ‘toada de ataque’ ao nome do antigo troço do Rali de Portugal que as fotos acima publicadas ilustram.

Mas como pretendemos que esta P.E.C. seja uma espécie de ‘power stage’, então, para poder obter ‘pontos-extra’, lançamos-lhe também o desafio de indicar com exatidão o preciso local onde cada uma das oito fotos foi tirada.

Aguardamos, assim, com expetativa a chegada dos primeiros ‘concorrentes’ à ‘tomada de tempos’ [a resposta correta ao desafio que acima colocamos].

P.E.C. Nº 148: Cinco fotos, um troço...






Por diversas vezes neste blogue tivemos o ensejo de partilhar com os nossos visitantes fotos de antigas classificativas do Rali de Portugal.

A ideia foi, e continua a ser, aprofundar conhecimentos [os seus e os nossos] sobre o passado da prova, alimentando em simultâneo a troca de opiniões acerca destes locais, parte integrante da vasta história do evento.

Nessa medida, os desafios que anteriormente em diversas «P.E.C.» lhe foram lançados, renovam-se uma vez mais: qual é a antiga classifica em asfalto do Rali de Portugal que as fotos acima publicadas documentam?

[Nota: A disposição sequencial das fotos neste trabalho obedece ao próprio sentido da classificativa [do seu início para o seu final], e a marcha dos concorrentes fazia-se do exato local onde as fotos foram colhidas em direção à linha de horizonte visual].

quinta-feira, 5 de julho de 2012

P.E.C. Nº 147: Seb ou não Seb, eis a questão!


A temporada de 2011 encerrou sob os melhores augúrios para Jari-Matti Latvala.

Ralis tão diversos como os de Espanha ou da Grã-Bretanha correram-lhe de feição [vitória neste último], com o nórdico a expressar toda a rapidez que sempre lhe foi reconhecida, mas revelando em simultâneo um grau apurado de consistência que só a espaços [breves…] havia dado mostras anteriormente nas provas do campeonato do mundo.

Vários observadores apontaram, animados, o piloto da Ford como candidato ao título em 2012, atribuindo-lhe a capacidade de ser o único concorrente digno desse nome a poder contestar o poderio do binómio Sebastién Loeb/Citroen DS3 WRC.

Com Ogier a rodar [sempre rápido...], por uma época, numa espécie de ‘liga de honra’ dos Ralis, os predicados exibidos na fase final da época anterior perfilavam Jari-Matti, à entrada para a temporada em curso, como um reforço de peso relativamente aos contendores ao título.

À data em que Zona-Espectáculo publica estas linhas estão disputadas sete das treze etapas que compõem o calendário do campeonato do mundo de Ralis de 2012.

Quando se esperaria [mais: desejaria] um duelo cerrado e sem tréguas pelo campeonato de pilotos, o mundial mostra-nos, todavia, uma realidade diversa: um ‘mais do mesmo’ em que Loeb continua a projetar a sua aura de infalibilidade averbando cinco triunfos em sete provas [e ainda faltam vários Ralis em piso de asfalto, nos quais o francês é tido por catedrático], e onde Latvala vai deixando soltar a sua veia de goleador, infelizmente com mais tentos marcados sob o epíteto de autogolos [leia-se: acidentes], do que propriamente fazendo miséria nas hostes adversárias [traduza-se: vitórias].

Neste cenário, embalados pela frase que viria a imortalizar um antigo internacional de futebol português, arriscaríamos antecipar um prognóstico 'a meio do jogo': Sebastién Loeb é campeão do mundo de Ralis em 2012, sem que em condições normais se vislumbre algo de diferente relativamente às restantes provas da temporada que um mero ‘cumprir calendário’, com o octacampeão a gerir o que falta da época com sagacidade e eficácia Mourinhiana, dando minutos [vitórias em classificativas e em Ralis] em campo a um 'suplente' de luxo chamado Mikko Hirvonen.

A condução do gaulês é um pouco como o futebol da seleção de Espanha, recém-coroada campeã da Europa de futebol: ‘chata’ e ‘enfadonha’, mas com um índice de eficácia que ninguém no seu juízo perfeito ousa questionar.

A FOTO EXIBIDA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://forums.watchuseek.com/f2/what-watch-sebastien-loeb-wearing-428975.html