quarta-feira, 30 de maio de 2012

P.E.C. Nº 140: Peres...troika!...


As duas principais competições de Ralis em Portugal estão sob intensa observação do clã Peres

Se no Open Fernando parece firmemente apostado em juntar ao seu impressionante palmarés um dos poucos títulos que lhe faltam, liderando categoricamente a disciplina após quatro vitórias, já Pedro encontra-se totalmente empenhado na luta pelo triunfo final no C.P.R. [ler AQUI], objetivo legítimo após o seu primeiro triunfo absoluto conquistado no recente Rali Serras de Fafe.

Está bem encaminhada, pois, a assinatura de um memorando de entendimento entre os citados pilotos da Peres Competições e os dois únicos campeonatos de Ralis com expressão verdadeiramente nacional [por sinal ambos a necessitar, diríamos, de ajuda externa ou de um resgate que lhes injete maior número de participantes].

Para já, há um cruzar de estratégias: Fernando tenta obter o primeiro título onde Pedro se sagrou tricampeão em anos consecutivos, e Pedro luta por conquistar o primeiro campeonato onde Fernando foi em vencedor absoluto em três épocas ininterruptas.

Na família Peres a motivação parece não faltar, e acreditamos que se depender da determinação de ambos, então a concorrência bem se pode preparar para sofrer fortes medidas de austeridade já no decurso do corrente ano, prosaicamente conhecidas como míngua de títulos…


NOTA:
- Sobre Pedro Peres, «Zona-Espectáculo» recomenda a visita à P.E.C. Nº 10 deste blogue;
- Sobre Fernando Peres, «Zona-Espectáculo» recomenda a visita à P.E.C. Nº 78 deste blogue.


AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.motoresmagazine.net/rali-serras-de-fafe-para-ganhar-a-peres-bastou-terminar/
- http://www.motoresmagazine.net/fernando-peres-entrevistado-pelo-16valvulas/

quinta-feira, 24 de maio de 2012

P.E.C. Nº 139: Setenta Hannu(s)...



Do alto da sua longa carreira de mais de três décadas no mundo dos Ralis, o finlandês Hannu Mikkola [Joensuu, 24-05-1942] será o piloto que melhor personifica a evolução da modalidade desde meados dos anos sessenta, quando se começou a esboçar com nitidez a matriz que a trouxe aquilo que hoje conhecemos, até ao final da primeira metade da década de oitenta, período de apogeu absoluto com o advento dos denominados ‘Grupos B’.

O nórdico, campeão do mundo em 1983, foi transversal a todas essas épocas, sabendo a cada momento da sua carreira afirmar invariavelmente enorme competência e reputação.

Tão flying quanto os demais finns dos tempos em que competiu, Mikkola foi fazendo o seu caminho sempre pouco dado a grandes arrebatamentos: conduzia tão rápido como qualquer outro, mas sem a imponência orquestral de vários outros.


Pertenceu aquela geração de ouro que se fez piloto nos difíceis Ralis e carros da década de setenta, transitando, com o tal saber de experiência feito, para os brutais bólides da década seguinte, domesticáveis só pela arte devida aos predestinados [uma elite da qual sempre foi distinto membro].

Falar de Hannu Mikkola remete-nos invariavelmente para as suas lendárias prestações no Rali de Portugal [de onde saiu vitorioso em 3 ocasiões: 1979, 1983 e 1984], mas sobretudo para aquela madrugada de quinta-feira, dia 23 de março de 1978, em Sintra, onde viria a protagonizar, conjuntamente com Markku Alén, um dos mais intensos episódios da história da modalidade, numa espécie de dramática ida a penáltis para decidir a vitória na edição do Rali de Portugal desse ano, quando já no tempo regulamentar e prolongamento haviam maravilhado a imensa plateia pela toada de ataque em regime de parada e resposta, sem calculismos, apenas colocando no terreno o coração, a destreza, e a condução pela condução [extraordinária ilustração escrita sobre as peripécias deste episódio, redigida com a habitual sabedoria de Nuno Branco, poderá ser lida AQUI].

No nosso país, também que com inteira justiça foi confiada a Hannu a alta missão de experimentar pela primeira vez, como carro ‘0’ no Rali do Algarve de 1980, um revolucionário coupé desportivo para Ralis denominado Audi Quattro, que a história demonstra ter desconstruído por completo a filosofia como as marcas e equipas passariam doravante a interpretar este desporto.


Chegado hoje à bonita e respeitável idade de 70 anos, acreditamos que a história ainda não prestou com rigor o tributo que é devido ao percurso desportivo deste extraordinário piloto.

Ao contrário de vários outros pilotos seus contemporâneos, a sua discrição nunca colheu grandes favores da imprensa ou da generalidade dos adeptos.

Mikkola foi, enquanto piloto, um mestre na gestão de dois aparentes paradoxos: ser tranquilo e em simultâneo rapidíssimo!

Hyvää syntymäpäivää Hannu!


PALMARÉS:

RALIS DA TAÇA E CAMPEONATO DO MUNDO: 123.
PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO: Rali de Monte Carlo/1973.
PRIMEIRA VITÓRIA: Rali da Finlândia/1974.
PRIMEIRO PÓDIO: Rali da Finlândia/1974.
PRIMEIRA VITÓRIA EM CLASSIFICATIVAS: Rali de Monte Carlo/1973 [1ª classificativa da prova, ‘Col do Corobin’, ex-aequo com Sandro Munari].
PRIMEIRA DESISTÊNCIA: Rali Safari/1973.
PRIMEIRA PONTUAÇÃO: Rali de Monte Carlo/1979 [5º lugar final].
ÚLTIMA PARTICIPAÇÃO: Rali da Finlândia/1993.
VITÓRIAS: 18.
SEGUNDOS LUGARES: 17.
TERCEIROS LUGARES: 9.
PÓDIOS: 44 [correspondentes a 35,77% do número total de participações].
OCASIÕES EM QUE CONCLUIU CLASSIFICADO NOS PONTOS: 48.
TOTAL DE PONTOS: 655.
DESISTÊNCIAS: 61 [correspondentes a 49,59% do número total de participações].
VITÓRIAS EM CLASSIFICATIVAS: 654.







AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.mtv3.fi/urheilu/ralli/uutiset.shtml/2009/07/923826/rallilegenda-hannu-mikkola-ensin-rallia-sitten-saunotaan
- http://luiscezar.blogspot.pt/2010/06/volvo-pv-444-pv-544.html
- http://rallymemory.blogspot.pt/2010/06/nicknames.html
- http://www.pistonheads.com/news/default.asp?storyId=25263

quarta-feira, 23 de maio de 2012

P.E.C. Nº 138: Rali de Portugal/2012, 'Tavira 1'


Tavira, na versão utilizada no Rali de Portugal de 2012, é das mais admiráveis classificativas em piso de terra existentes no nosso país.

Dela diz José Janela, experimentadíssimo navegador, ser «especial nova no rali, com início rápido e alterações constantes de ritmo, devido a mudanças de direção. Ao km 3,37, entramos em estrada estreita, onde as notas são fundamentais para não se perder velocidade. O piso exige cautelas para não se furar e ao km 8,49 entramos num estradão rápido e técnico, com zonas de asfalto, mas a exigir excelentes notas até final, para que os pilotos mantenham ritmo e concentração» [in AutoSport, 'Guia do Rali de Portugal', Março de 2012].

Em Tavira há todo um beber [e dada a chuva diluviana que se abateu sob a região do Algarve na sexta-feira, dia 30 de março de 2012, o recurso ao termo ‘beber’ não será de todo descabido…] da melhor inspiração arganilense, com a classificativa, nos seus ganchos e zonas rápidas [a diversidade como condição para notação máxima a um troço], a afagar com paciente sabedoria os desníveis dos montes e vales em redor da cidade que é foz do Gilão.

O regresso do Rali de Portugal à Serra de Tavira impunha-se, e o chamamento há muito que se fazia sentir através das diversas sessões de testes ali realizadas pelas mais variadas equipas ao longo dos últimos anos.

É da primeira [e única] passagem por Tavira que se referem as imagens seguintes, colhidas no gancho junto à povoação de Zimbral [coordenadas: 37°11'37.18"N - 7°40'10.45"W], local classificado pela organização na pretérita edição do Rali de Portugal como ZE N.º 13.

RALI DE PORTUGAL | 2012

CLASSIFICATIVA: 'Tavira 1'.
EXTENSÃO: 25,01 quilómetros.
VENCEDORES: Dani Sordo + Carlos Del Barrio.
CARRO: Mini John Cooper Works WRC.
TEMPO REALIZADO: 17m:55,3s.
MÉDIA HORÁRIA: 83,73 kms/h.


Evgeny Novikov + Denis Giraudet [Ford Fiesta RS WRC]:
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Nasser Al Attiyah + Giovanni Bernacchini [Citroen DS3 WRC]:
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Daniel Oliveira + Carlos Magalhães [Ford Fiesta RS WRC]:
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Mads Ostberg + Jonas Andersson [Ford Fiesta RS WRC]:
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Armindo Araújo + Miguel Ramalho [Mini John Cooper Works WRC]:
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Jari Ketomaa + Mika Stenberg [Ford Fiesta RS WRC]:
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Peter Van Merksteijn + Eddy Chevaillier [Citroen DS3 WRC]:
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Dennis Kuipers + Robin Buysmans [Ford Fiesta RS WRC]:
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Martin Prokop + Zdenek Hruza [Ford Fiesta RS WRC]:
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Dani Sordo + Carlos Del Barrio [Mini John Cooper Works WRC]:
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Patrik Sandell + Maria Andersson [Mini John Cooper Works WRC]:
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sábado, 12 de maio de 2012

P.E.C. Nº 137: ...daqueles sobre os quais tudo foi dito, mas é sempre possível dizer-se algo mais!...


Muitas linhas foram já publicadas relativamente a Henri Toivonen: tantas que pouco ou nada restará por dizer quanto à carreira do malogrado finlandês no mundo dos Ralis.

Propenso ao excesso, capaz do melhor e do pior, descrever o percurso desportivo do nórdico só se consegue com o recurso sistemático à hipérbole.

Henri nunca se caraterizou pelo meio-termo ou pelo lugar-comum.

Arrebatador, temerário como poucos [porventura como ninguém], independentemente do palmarés foi talhando os seus feitos sem deixar o rasto de indiferença que o passar do tempo atira a muitos dos seus colegas de profissão.

Quem o viu não o esquecerá.

A sua envolvência na modalidade sintetiza na perfeição as facetas da vida: o êxito e o fracasso, a exultação e o drama.

Terá sido ao volante dos pequenos Talbot Sunbeam Lotus, mais até que no decurso dos ‘anos Lancia’, que Toivonen melhor se expressou na sua passagem pelos Ralis [as imagens que abaixo colocamos funcionam como uma belíssima visita guiada ao trabalho do nórdico no interior do seu 'ateliê'], quando a cada momento, a cada curva, levando absolutamente ao limite os pequenos carros britânicos parecia dotá-los de um acréscimo de potência relativamente aos valores inscritos na respetiva ficha técnica [como o gancho da Peninha ou a ponte no final da Cabreira, no presente trabalho ilustrados em foto – ambos - e vídeo – esta última, ver AQUI -, entre outros locais podem comprovadamente certificar...].


A trágica morte tombando em combate guindou o nórdico à condição de lenda, devida em grande escala às contradições de um homem sereno conduzir de forma tão indecifrável quanto complexa e carregada de equações.

A reverência que por norma se devota a um mártir, transportou Toivonen a um estatuto de quase redentor dos Ralis do seu tempo, quando a modalidade, no seu apogeu, derrapou subitamente numa sequência de episódios dramáticos que lhe viriam a mudar a face para sempre.

Calcar de forma tão incisiva o acelerador dos carros que conduziu, possivelmente levou-o a sentir em inúmeras ocasiões, quem sabe, o piso da classificativa debaixo do pé direito.


Por isso Henri foi grande num tempo de grandes.

Está naquele panteão ou elite que, não obstante tudo já ter sido escrito sobre si, há paradoxalmente sempre algo mais a poder acrescentar-se.

E quando assim é, a memória perdura!

[Nota: Sobre Henri Toivonen, recomendamos que faça o reconhecimento do percurso da P.E.C. Nº 63 deste blogue].



AS FOTOS PRESENTES NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.fotolog.com/lerfamu/38553235/
- http://www.specialstage.com/forums/showthread.php?40336-The-Original-Rally-Supercars/page7

sábado, 5 de maio de 2012

P.E.C. Nº 136: (Rei)gnotti...


A foto que acima publicamos é uma feliz metáfora de duas das mais antagónicas formas de condução desportiva.


Estamos na presença de dois homens com estilos vincadamente distintos, unidos, diríamos, pelo 'apurado faro' para conduzir carros a alta velocidade.


De um lado os Ralis, de outro a pilotagem em autódromo.


De um lado a exuberância, de outro a disciplina.


O puro improviso versus o método e a preparação.


Não há, nem nunca houve, um padrão científico para pilotar carros de competição.


Há, sim, o adequar de um estilo próprio à personalidade de um automóvel ou às circunstâncias de determinado género de corridas.


Independentemente do bólide à sua disposição, ninguém pode pedir a Loeb que interprete o papel de Toivonen.



Colin McRae é incapaz de protagonizar uma figura como Biasion.


Sem prejuízo da rapidez, há quem esteja na bacquet como numa relaxante sessão de yoga.


E há quem esteja sentado ao volante como numa frenética aula de step.


É deste último género de pilotos, daqueles para quem a mais eficaz nota que se lhes pode ditar é 'cerrar dentes', que cuida o presente trabalho.



Já lhes dedicámos, aliás, anteriormente algumas linhas.

Duez [P.E.C. Nº 27], Macedo [P.E.C Nº 95], Colin [P.E.C. Nº 100], Teodósio [P.E.C. Nº 114] ou Vatanen [P.E.C. Nº 135], têm como denominador comum na sua passagem pelos Ralis um certo desdém pelos arquétipos da condução 'limpa’, tida como a mais eficaz para  se ‘cravar’ um bom tempo em dada classificativa.

A esta galeria de notáveis vários outros nomes se lhe podem juntar.

Contudo, daquele naipe de eleitos capaz de a todo o momento sacar do ‘coldre’ dos seus bólides uma poderosa ‘arma’ na forma de atravessadela, há um nome que surge incontornável nessa arte: Jean Ragnotti.



Pode-se dizer, sem exagero, que o francês, personificação quase ideal da condução diletante sem concessões a mais nada que não a intuição, na sua carreira desportiva nos Ralis [também participou em competições de velocidade] beneficiou em larga escala da colaboração de um tão fiel quanto imprescindível braço direito: o travão de mão.

Se há piloto que sempre garantiu dentro do carro a fluência de trânsito entre os travões de pedal e de mão, esse piloto é o popular Jeannot.

Nas curvas dos mais variados ângulos e feitios, o gaulês recorria de forma algo sôfrega ao manípulo do lado direito como uma expressão estilística, numa interpretação muito pessoal daquilo que deve ser a condução de carros de Rali em troço fechado: para quê, afinal, um bom crono, quando se pode ter um sonoro coro de aplausos

Aproximando-se, em terra ou asfalto, uma esquerda ou direita ‘1’ [prosaicamente conhecidas como ganchos ou cotovelos], e eis que Ragnotti apontava a frente do seu carro [quase sempre Renault dos mais variados modelos, mas não só...] ao ápex da curva, funcionando o travão de mão como o bico do compasso que depois lhe permitia desenhar uma perfeita circunferência.



Bem-vindos, portanto, a uma aula [visual] de pura geometria:











AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
http://www.northloop.co.uk/forum/showthread.php?10388-The-Rally-Supercars
- http://blogdoboueri.blogspot.pt/2012_01_01_archive.html
- http://slotoutradimensao.blogspot.pt/2011/08/dois-historicos-da-renault.html
- http://rallyazores.blogspot.pt/2011/01/rallye-monte-carlo-1995.html
- http://rallyazores.blogspot.pt/2011/04/tour-de-corse-1993-e-1994.html
- http://rallyedunord.forumpro.fr/t2776-avril-2009