domingo, 30 de outubro de 2011

P.E.C. Nº 107: Se dúvidas houvesse...



... a prova, irrefutável, dissipa-as.

Estes carros voavam [não necessariamente apenas no Rali dos 1000 Lagos ou nos saltos da Pereira e da Pedra Sentada...], bem alto até, como se vê!

Quer fisicamente.

Quer lá bem em cima, junto à estratosfera das nossas emoções.

A FOTO QUE ENQUADRA O PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://carrodecorrida.blogspot.com/2010/09/carga-rapida-team-audi.html

sábado, 29 de outubro de 2011

P.E.C. Nº 106: O que foi não volta a ser?



Há mais de trinta anos atrás a Audi reformulou a filosofia dos Ralis, questionando os cânones da modalidade.

Fê-lo com o sentido de experimentalismo e inovação que por norma atribuímos aos alemães.

O seu majestoso coupé desportivo daqueles anos, o ‘Quattro’ [nunca uma mera palavra ‘disse’ tanto…] foi a arma que abalou as mais sólidas convicções das pessoas direta ou indiretamente ligadas à época ao desporto automóvel.

Dizer-se que a partir daí os Ralis nunca mais viriam a ser os mesmos é afirmar-se uma evidência.

Os padrões da modalidade mudariam em definitivo a partir da temporada de 1981, creditando-se à marca de Ingolstadt a responsabilidade pela invenção dos ‘Grupo B’.

A tração integral às quatro rodas tornou-se a bitola.

A febre da escalada de potência em que todas as marcas ativamente se empenharam, assemelhou-se em tudo a uma espécie de corrida ao ouro.

Em 1986, como sabemos, o filão esgotou-se.

Os ‘Grupo B’ sucumbiam perante o seu próprio estilo de vida, irracionalmente frenético, incompatibilizados com os níveis de segurança daquele tempo.

A Audi, umbilicalmente ligada ao ‘Quattro’ nas diversas metamorfoses que o carro exibiu em seis anos de vida útil, recusou capitular, apresentando-se à partida da época de 1987 com o modelo ‘200 Quattro’, um sédan familiar de generosas dimensões que, claro está, se encontrava nos antípodas daquilo que um carro de Ralis deve ser.

O final da ligação da marca dos anéis ao campeonato do mundo de Ralis não tardaria, apressado pelas circunstâncias.

Não foi um epílogo especialmente feliz, ficando bastante aquém dos resultados, pergaminhos e carga icónica que a equipa emprestou à modalidade.

Daí para cá, a Audi foi participando ativamente e com grandes níveis de sucesso em provas de Turismos, GT e Sport-Protótipos.

Em diversas ocasiões, nestes mais de vinte anos, a comunicação social foi ventilando rumores, nunca confirmados, segundo os quais a marca poderia estar de regresso aos Ralis.

Num campeonato do mundo exangue de equipas oficiais, ver os carros da equipa de Ingolstadt a evoluir novamente nas mais emblemáticas classificativas de todo o mundo seria encerrar um hiato demasiado longo sem o seu envolvimento nas provas de estrada.

Nessa medida, o exercício de estilo que abre o presente trabalho, ficcional mas adaptável à realidade, elege por aclamação Xabier Albizu, o criador do desenho em causa, como porta-voz privilegiado dos sonhos de muitos adeptos em todo o mundo.

A FOTO QUE PUBLICAMOS NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.autosblog.fr/tag/audi+quattro

terça-feira, 25 de outubro de 2011

P.E.C. Nº 105: Mo(u)ra nos Açores o campeão nacional de Ralis/2011...


Se há carreiras que merecem ser seguidas com atenção, a de Ricardo Moura é seguramente uma delas.

A evolução do piloto açoriano, em terra e no asfalto, tem sido notória.

À margem do seu já apreciável palmarés, quem o vê em ação reconhece-lo como um dos mais qualificados pilotos nacionais da atualidade.

Um campeão fabrica-se com tempo.

Com a sabedoria de ser paciente.

Sem galgar etapas no processo de aprendizagem.

Nos Ralis a experiência e o conhecimento são decisivos para o sucesso, pelo que a construção de um palmarés sustenta-se na ascensão degrau a degrau.

O ilhéu, após várias temporadas no exigente campeonato regional dos Açores - fundamentais para refinar a sua condução -, soube perceber que a sua carreira tinha uma continuidade lógica nos Ralis do continente.

No decurso da época de 2011, a resposta de Moura não podia ser mais esclarecedora: quatro vitórias, um segundo lugar, e uma desistência no Rali de Portugal quando liderava a classificação dos concorrentes inscritos no C.P.R.

Do meio do Atlântico já em ocasiões passadas vieram pilotos com qualidade, como o 'eterno' Horácio Franco ou Gustavo Louro.

Ricardo Moura é, afinal, mais um piloto talentoso certificado pela 'escola' de Ralis açoriana.

Um dos obreiros do campeonato recém-conquistado pelo piloto de Ponta Delgada acaba por ser, colateralmente, Fernando Peres.




Os duelos intensos que travaram nos Ralis do campeonato regional dos Açores em temporadas recentes, formataram Moura para a necessidade de andar no limite durante toda uma prova sem cometer excessos, encontrando dessa forma o ponto de equilíbrio do qual dependem todos os pilotos para ganhar Ralis.

Nada havendo mais a conquistar nos Açores, em 2010 'fez-se ao mar' assestando em definitivo baterias e as suas ambições para as provas continentais.

Em boa hora materializou essa aposta.

Na temporada do ano passado, viria a averbar de forma convincente o título para carros de Produção perante concorrência de respeito.



Na época ainda em curso, 2011, Ricardo Moura tem dado expressão ao seu crescimento enquanto piloto, feito de bases sólidas e realistas.

No centro das suas atenções parece estar, a cada momento, a aprendizagem e o incremento dos seus níveis de condução.

Há, por outro lado, desarmante humildade na forma como gere a carreira: o seu parceiro de trabalho é o engenheiro do carro, não o assessor de imprensa.



Reunidos todos estes predicados, o novo campeão nacional tem evoluído de forma notória não estando ainda esgotada a sua margem de progressão.

Vamos seguramente nos próximos anos muito ouvir falar de Moura, assim consiga reunir os meios necessários à ambicionada internacionalização da sua carreira.

Para já, emprestando o seu nome à galeria de notáveis aureolados com o título de campeão nacional de Ralis, ao seu título não se pode dissociar a equipa A.R.C. - um referencial de competência e 'saber fazer' no que à preparação de automóveis de Ralis diz respeito - e António Costa, jovem, seguro de si e claramente ambicioso, talvez o maior expoente da nova geração de navegadores nacionais.



AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://bfralifcporto2009.wordpress.com/fotos/
- http://nunobotelhophotography.blogspot.com/2011/07/ricardo-moura-sancho-eiro_19.html
- http://fotomotores.net/online/index.php
- http://oesterallys.blogspot.com/2010/06/moura-sem-problemas-regional-acoriano.html

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

P.E.C. Nº 104: Re(s)posta a igualdade no 'marcador'...


Os piores ‘receios’ de Zona-Espectáculo confirmaram-se.

Aquando da publicação da P.E.C. Nº 103, alusiva a Alain Prost, na nossa mente já figurava a possibilidade de virmos a ser confrontados com o facto do eterno rival do francês, o brasileiro Ayrton Senna, ainda que de forma fugaz ter experimentado também, a certa altura da sua carreira, o desafio de conduzir automóveis de Ralis.

Sem surpresa, diversos adeptos do malogrado tricampeão mundial de F1, nossos amigos pessoais, ‘bombardearam-nos’ para o efeito, nos últimos dias, com diversas mensagens carregadas de delicioso sarcasmo e refinada ironia.

Como quase sempre sucede nas grandes rivalidades do desporto, o percurso de Prost e Senna tem muitos pontos em comum: os Ralis são apenas mais um!

Em 1986, no auge da era dos Grupo ‘B’ e quando o campeonato do mundo de Ralis pedia meças à F1 em termos de popularidade, Senna integrou uma sessão de testes em terras galesas experimentando diversos carros.

Do ponto de vista desportivo, Ayrton tinha em rigor ‘dupla-nacionalidade’: brasileiro de nascimento [no seu país natal fez carreira no karting e deu os primeiros passos na modalidade que o viria a imortalizar]; britânico de formação [toda a sua carreira no automobilismo, entre 1981 e 1994, foi feita ao serviço de equipas sedeadas em Inglaterra].

Nessa medida, não parece contranatura o malogrado piloto paulista ter medido o pulso a um carro como o Austin Rover Metro 6R4, à altura, a par do Ford RS 200, um dos grandes embaixadores dos automóveis de competição fabricados na velha albion.

Após esta sessão de testes não acreditamos que Ayrton Senna, estrela em ascensão na F1 ao tempo, tivesse equacionado redirecionar a sua carreira para os Ralis.

Porém, membro de uma casta de pilotos que não virava costas a um bom desafio, é francamente plausível que tenha tirado um grande prazer pessoal desta experiência, esporádica mas bem distinta daquilo que conhecia até então.



Após este teste num pequeno troço em terra nas lendárias florestais de Gales, em declarações à revista 'Car & Car Conversion Magazine', Ayrton foi conclusivo nas suas impressões: «Sei pouco sobre Ralis e deliberadamente não ouvi antes deste teste nenhuma opinião sobre condução em Ralis. Tentei aprender por mim próprio».

O primeiro carro que guiou neste dia foi o Cosworth e, logo após os primeiros metros, eis que o brasileiro colhia o primeiro ensinamento na sequência de uma ligeira saída de estrada... na primeira curva!

«Fui surpreendido e quase saí de estrada. Tentei negociar a curva como se de um carro normal se tratasse. Mas foi um disparate, pois é necessário contrabrecar e manter alguma rotação no motor. Foi uma lição e fiquei a saber a importância de corrigir trajetórias».

Como sempre, Senna absorveu este episódio: «Estou a aprender, mas isto é mais difícil do que parece. É necessário um conhecimento muito avançado nas questões técnicas e, acima de tudo, bastante confiança. Só me faz dar ainda mais crédito aos pilotos de Ralis, por conduzirem da forma como o fazem».

E concluiu: «Foi muito mais emocionante do que esperava: nem dei pelo tempo passar. Era tudo completamente novo para mim, tornando-se um desafio muito grande. Penso que as pessoas que assistiram a este teste, sobretudo os donos dos carros, estavam curiosas acerca da minha prestação e, no fundo, 99% delas acreditava que eu me despistaria de encontro às árvores. Isto é bem diferente da F1. Você improvisa o tempo todo. Num carro de F1 você sabe exatamente o que fazer em cada curva, sabe onde tem área de escape, onde tem de usar a zebra, conhece cada ondulação, porque faz tudo igual cem vezes num dia de testes. Num carro de Rali é tudo mais instintivo, e não tem margem de erro. Meu único problema hoje é que eu não queria parar mais de andar!».

Naquele dia em Novembro de 1986, há quase um quarto de século, talvez se tenha perdido um grande piloto de Ralis: ganhou-se, todavia, um dos nomes mais importantes da história da Fórmula Um.



AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://mateuskronbauer.blogspot.com/2011/05/senna-andando-em-carros-de-rally-em.html
- http://www.ferraripassion.net/2011/ayrton-senna-rally-driver/


A LEITURA DO PRESENTE TRABALHO NÃO DISPENSA OS RELATOS MAIS PORMENORIZADOS QUE SE ENCONTRAM EM:
- http://www.wrc.com/news/features-archive/senna-the-rally-driver/?fid=14986
- http://www.motorsportretro.com/2011/05/ayrton-senna-rally-driver/

domingo, 9 de outubro de 2011

P.E.C. Nº 103: Competir fora do habitat natural...



Nos anos oitenta, o desporto automóvel viveu um dos períodos mais cintilantes da sua história.

A acompanhar o incremento das transmissões televisivas que contribuíram em larga escala para a popularidade planetária do automobilismo, viviam-se tempos fervilhantes em matéria de inovação, como o advento da tecnologia turbo ou a utilização crescente das quatro rodas motrizes são exemplos paradigmáticos.

A par deste clima, reuniam-se em quase todos os tipos de competição, da F1 aos turismos, dos Ralis às provas de sport-protótipos, um conjunto de pilotos formidável, muitos deles portadores de uma aura e magnetismo decisivos para o enorme interesse que a causa das corridas de carros foi gerando nos quatro cantos do planeta.

A nós, Zona-Espectáculo, que entrámos na difícil fase da adolescência convivendo com monolugares de F1 debitando mais de um milhar de cavalos, ou que nos deixávamos absorver pelos prodigiosos Grupos B nos Ralis, o automobilismo ia moldando o nossa maneira de ser, exercendo em nós um fascínio que confessamente perdura até hoje.

Se nos Ralis não tínhamos ídolos de maior e vibrávamos indiscriminadamente com as façanhas de Markku Alen e demais comparsas, já na F1, por motivos que não sabemos identificar, o nosso ídolo era o improvável Alain Prost.



Improvável, porque ao francês sobrava em racionalidade o que lhe faltava em emoção.

A sua condução era maquinalmente polida.

A precisão de relojoeiro levava-o a fazer voltas sempre iguais, irritantemente iguais, até.

Um ligeiro escorregar de carro era tão raro como encontrar água no deserto.

Um despiste ou acidente tão fortuitos como um dia sem vento no autódromo do Estoril.

Prost parecia explorar com prazer a contradição entre gerir cerebralmente as suas corridas e fazê-las conduzindo com a emotividade de um autómato.



Era avesso a arrebatamentos.

Fazia quase questão em não empolgar.

Reunia, portanto, todas as características do anti-herói.

E no entanto o francês era, sempre foi, tão ou mais rápido que os seus adversários.

Não se alimentava na ilusão de parecer veloz.



Era veloz.

Velocíssimo, como as suas estatísticas pessoais demonstram.

Gostávamos, em suma, do francês e da forma como fazia do córtex um aspeto nuclear das suas corridas.

Em 1982, Alain deixou-se contagiar pela magia dos Ralis.

Naqueles tempos os pilotos não se fechavam na redoma da sua modalidade, nem recusavam o desafio de conduzir pisando territórios desconhecidos.

Iam a todas pelo prazer de experimentar novos carros e medir-se perante adversários diferentes.



Longe da lógica ‘porta USB’ atual, que tudo permite medir e padronizar, não viravam a cara a auscultar as sensações de pilotar outros automóveis.

Desconhecemos, claro, se foram estas as razões pelas quais o gaulês se aventurou a fazer Ralis.

No entanto, à partida du Rallye du Var naquele ano de 1982, a história mostra que Prost constava da lista de inscritos ao volante de um Renault 5 turbo, navegado por Jean-Marc Andrié.

Não rezam as crónicas que a participação tenha sido espetacular ou especialmente brilhante.

Porém, se a ideia de ver Alain Prost a fazer Ralis já encerra em si própria um paradoxo [que advém justamente da forma cientifica e pouco dada ao improviso como guiava], o facto de ver o homem que nunca se despistava acidentado numa ravina é uma ironia que merece ser recordada.



AS FOTOS EXIBIDAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.forum-auto.com/sport-auto/photo-sport-auto/sujet378913.htm
- http://www.forum-auto.com/sport-auto/formule-1/sujet378197-280.htm
- http://www.ralisasul.com/forum/viewtopic.php?f=13&t=1158
http://www.5turbo.org/t9007-alain-prost

P.E.C. Nº 102: Rallye Costa Brava, 1984


Recuamos no tempo, a 1984.

Vamos até à 32ª edição do Rallye Costa Brava [predecessor do Rali da Catalunha tal como hoje o conhecemos], naquele ano prova de abertura do campeonato de Espanha de Ralis em asfalto.

A Lloret del Mar, centro nevrálgico da prova, afluíam vários dos mais destacados nomes da modalidade à época em terras de nuestros hermanos.

À chamada respondiam presente, entre outros, Genito Ortiz [campeão em título] e Josep Frigola, ao volante dos sempre impressionantes Renault 5 Turbo, Jaume Pons e Carles Santacreu tripulando os seus Opel Ascona 400, ou Salvador Servià também em carro da marca alemã, mas socorrendo-se do modelo Manta 400.

As ausências de nomes como António Zanini [sem carro ao dispor para este primeiro embate], Oñoro [piloto oficial da Opel], ou Beny Fernández [piloto da Porsche] eram colmatadas por um contingente internacional de respeito, onde pontificava gente como o italiano Michele Cinotto conduzindo o Audi Quattro A2 [o vencedor da prova volvidos mais de 520 quilómetros em luta contra o cronómetro], o húngaro Attila Ferjancz no imponente Renault, o belga Jan De Boey tripulando um Ascona, Carlo Capone em Lancia 037 Rallye, o monegasco ‘Tchine’ no seu Manta, além, claro, de Henri Toivonen ao volante do icónico Porsche 911 decorado com as cores da Rothmans.

O excerto de imagens que de seguida partilhamos com os nossos visitantes, além de um pequeno retrato alusivo ao Rallye Costa Brava/1984, personificam de igual forma um pouco daquilo que é a essência dos Ralis.

Vemos as pinceladas de luz que carros e flashes fotográficos emprestam ao breu da noite.


Ouvimos o entrelaçado de decibéis entre motores e a cacofonia provinda do público.

O ambiente, mais que festa, traduz celebração.

Mas na retina fica, antes de mais, o sentido igualitário que os Ralis propõem.

Há curvas ou excertos de classificativa que por vezes personificam obstáculos.

O desafio de os superar é, como o filme documenta, similar para todos: chamem-se Henri Toivonen ou o mais incógnito dos participantes em prova.

Maior democraticidade não pode haver: nesta modalidade, à partida o imprevisto quando nasce é para todos.

As diferenças, depois, vincam-se é no momento em que piloto e navegador abordam o efeito-surpresa animados em escrever o seu próprio pedaço de história, sempre único, sempre irrepetível, impossível de imitar.

video

AS FOTOS PRESENTES NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.fotolog.com/todorally2008/49979745
- http://www.pista-i-rallye.com/interior/fotos%20%20anys%2060-70-80/slides/07Cinotto-radaelli%20(Audi%20Quattro)%20Rally%20Costa%20Brava%201984.%20Tram%20Lloret.html

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

P.E.C. Nº 101: Um carro EXIGEnte!


A Lotus, após anos [décadas...] de letargia, parece determinada em ressurgir como uma das maiores embaixadoras de carros desportivos produzidos em terras de sua majestade.

Neste processo de revitalização, a aposta no automobilismo de competição como veículo promocional tem sido particularmente forte, sobretudo através da F1 [onde a marca britânica fez história e afirmou-se lenda], mas também com a participação em diversas competições na categoria GT que se vão realizando no Reino Unido e noutros pontos do continente europeu.



Sendo tão abrangente a vontade da Lotus em se reafirmar no contexto do desporto automóvel, mais tarde ou mais cedo era de esperar que a sua estratégia passasse também pela adesão aos Ralis.

O recente salão de Frankfurt foi elucidativo nesta matéria: a marca exibiu aos olhos do mundo a arma com que pretende alcançar o destaque nas provas em estrada aberta: o Lotus Exige R-GT.



Não se pode em bom rigor dizer que a notícia seja uma surpresa.

Na presente temporada de 2011, Sérgio Vallejo tripulou precisamente aquele modelo da Lotus em cinco Ralis do Campeonato de Espanha em asfalto.



Nunca renegando um bom desafio, o piloto que em 2007 ousou trazer o Porsche 911 GT3 para as provas do país vizinho [alcançando o título máximo em 2009], abraçou desta feita o projeto de colocar em competição o Exige Cup, como as imagens publicadas no presente trabalho assim o documentam.

Nas primeiras cinco rondas do campeonato conseguiu um auspicioso 2º lugar no Rali de Cantábria [certificando a validade do projeto], averbando ainda a 5ª posição final no Rali das Ilhas Canárias [entre os concorrentes inscritos no campeonato de Espanha].



Como se percebe pelas explicações técnicas dadas pelo piloto espanhol, o carro, a partir da sua base de série, tem quase apenas as alterações indispensáveis a moldá-lo à participação nos Ralis, exibindo uma relação peso-potência muito apelativa e custos relativamente acessíveis.

De Lugo, Galiza, a partir das oficinas da Escuderia Vallejo Racing [perto fisicamente da nossa fronteira, mas afinal tão longe de nós em termos conceptuais] vem, portanto, um ensinamento a reter: a imaginação e a ousadia de fazer diferente, podem, se aliadas a um paradigma regulamentar gizado com realismo, ser o melhor antídoto para combater a crise que assola o automobilismo um pouco por toda a Europa.





AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- https://picasaweb.google.com/101161827804998386509/IMAGENLOTUS#5584836583821894226
- http://wot.motortrend.com/2011-frankfurt-lotus-goes-rallying-with-exige-r-gt-117715.html/2012-lotus-exige-r-gt-top-view/
- http://www.noticiasautomotivas.com.br/lotus-exige-r-gt-estrela-das-pistas-em-frankfurt/
- http://valexoracing.wordpress.com/
- https://picasaweb.google.com/101161827804998386509/CANARIAS#5596111991320655570