terça-feira, 31 de maio de 2011

PARQUE DE ASSISTÊNCIA: Um ano de «Zona-Espectáculo»

«Zona-Espectáculo» conclui hoje, 31 de Maio, um ano de existência.

Como frisamos em algumas ocasiões anteriores, não nos deslumbramos por efemérides nem nos deixamos aperrear pelas recordações dos últimos 365 dias.

Motiva-nos o futuro e as ideias que temos em mente, e é com esse espírito que tentamos ir, a cada passo, construindo os nossos trabalhos neste espaço.

Há um ano atrás, partimos para este projeto tentando emprestar, ainda que modestamente, um cunho pessoal ao mundo e à envolvência dos Ralis.

A ideia passava por escapar à notícia da atualidade e à publicação de resultados – há mais quem faça isso, aliás de forma brilhante – e oferecer um olhar diferente sobre a modalidade, procurando primar pela originalidade.

Se o conseguimos ou não, competirá aos nossos visitantes avaliar.

Uma das intenções com que iniciámos este percurso foi o reforço da ideia que num carro de Ralis há uma equipa de duas pessoas, tão complementares quanto indispensáveis entre si.

Imbuídos desse espírito, publicámos diversos trabalhos dedicados em exclusivo aos navegadores, e sempre que citamos factos do passado ou do presente, aliado ao nome do piloto juntamos a esmagadora maioria das vezes a identificação do seu ´pendura´.

Por outro lado, fizemos uma aposta quase incontornável na abordagem ao Rali de Portugal.

Dirimimos a sacrossanta questão da sua localização e formato competitivo, aludimos aos seus atuais traços atuais de caráter e personalidade, tudo complementado pela publicação de imagens da nossa autoria.

Os pilotos nacionais mereceram espaço privilegiado neste blogue, numa ideia de tributo e desiderato de justiça que nos parece quase óbvia e elementar.

Não recusámos dar a nossa própria opinião sobre o atual momento dos Ralis em Portugal, identificando aqueles que nos parecem ser os seus principais problemas, deixando também alguns contributos para eventualmente os debelar.

Matéria que nos deu particular gozo e prazer intelectual foi calcorrear centenas de quilómetros à procura de locais referenciais do passado, fotografando-os para memória futura, objetivo que aliás pretendemos desenvolver e incrementar.

Olhámos para algumas competições fora de portas, que nos parece poder servirem de mote para a regeneração de que os Ralis em Portugal necessitam.

Começamos a radiografia do percurso desportivo de António Zanini - P.E.C. nº 4 e 39 - que pretendemos em breve continuar.

Um dos projetos-âncora deste blogue continua a ser a realização de entrevistas de fundo a alguns dos mais importantes protagonistas dos Ralis em Portugal.

No último ano levamos a cabo diversos contactos nesse sentido e em todas ocasiões os nossos interlocutores manifestaram total disponibilidade para o efeito, não escondendo sequer um considerável entusiasmo pelo repto por nós lançado.

Não somos, infelizmente, profissionais deste ofício: a nossa disponibilidade temporal nem sempre é a que desejamos.

Condicionados por estas limitações, não nos podemos dedicar a ouvir de viva voz alguns rostos que nos habituámos a admirar.

Vamos procurar inverter esta tendência e, logo que tal se mostre possível, iremos certamente ao encontro de pilotos, navegadores, dirigentes e chefes de equipas para perscrutar o seu pulsar pessoal sobre a modalidade.

Após quase sete dezenas de trabalhos sobre Ralis, podemos referir que demos por bem empregue cada minuto que investimos neste espaço.

Ideias não faltam e a motivação é a mesma da primeira hora.

Já estabelecemos diversos contactos para passarmos a livro uma série de ideias e trabalhos aqui desenvolvidos, algo que seguramente ocorrerá logo que tenhamos material suficiente para o efeito – matéria que para já ainda está longe de se verificar.

Para já, sem prejuízo de tudo o resto, continuamos entusiasmados para trabalhar sobre Ralis: a modalidade, dos Ralis-Pirata ao WRC, merece-o!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

P.E.C. Nº 67: ... nada se perde; tudo se transforma!



A Finlândia é um caso singular na forma como consegue regenerar as suas sucessivas gerações de pilotos de Ralis.

Nos últimos quarenta anos, a linhagem de talentos que soube produzir é sobejamente conhecida – e impressionante - dispensando comentários adicionais.

Naquele país nórdico, sempre que um campeão pendura o capacete logo aparecem, com alguma fluidez, sucessores capazes de lhe repetir façanhas ao mais alto nível.

Esta renovação geracional não sucede por obra do acaso.

Tem causas.

E naturalmente produz efeitos.

Pode-se dizer que aquela nação escandinava até seria, em tese, uma paragem improvável para se afirmar como viveiro excecional de grandes pilotos.

Estamos a falar de um país, como nós, apenas com cerca de dez milhões de habitantes, com um clima agreste, com poucas horas diárias de luz solar, sem a diversidade de troços, quer em asfalto quer em terra, que existe em Portugal.

No entanto a Finlândia demonstra precisamente o contrário, dali brotando muitos pilotos que se afirmam reconhecidamente fora de portas como sobredotados na arte de dominar as manhas de um carro de Ralis em plena classificativa.

Os «flying finns» não são, portanto, obra do acaso nem um somatório de coincidências felizes.



No seu país de origem encontram condições para, desde tenra idade, exponenciar o seu gosto pela condução.

Concluímos, por alguma investigação que fizemos, que na Finlândia, tal como na Noruega e Suécia aliás, o automobilismo interno tem como pedra de toque a prospeção de novos talentos, alimentada na oferta variada de oportunidades que torna a modalidade atrativa por via dos baixos custos.

Naquelas paragens, sem grande dose de exagero pode-se afirmar que tudo o que tenha motor e rodas é passível de gerar uma qualquer competição.

A ideia base não é colocar em ação carros extraordinariamente preformantes mas necessariamente caros e inacessíveis à maioria dos jovens que pretendem iniciar-se no automobilismo.

Pelo contrário, o grosso do automobilismo em geral e os Ralis em particular encontram-se ancorados em regulamentos simples, e viaturas aproximadas aos carros comuns, do dia-a-dia.

Esta filosofia, assente em «democratizar» os Ralis tornando-os acessíveis a quase todos, acaba por trazer novas pessoas para a modalidade.

Quando assim é a base da pirâmide alarga-se, o leque de oferta de novos talentos é incomensuravelmente mais abrangente, facilitando que apareçam com alguma naturalidade os sucedâneos de Alen, Kankkunen, Toivonen, Vatanen, Makkinen, Gronholm, etc…

Tirar a carga elitista que no sul da Europa é associada aos Ralis tem pago dividendos: a modalidade tem na Finlândia popularidade ímpar, alimentada por diversas competições nas quais se destaca a «F-Cup».

Esta campeonato tem como filosofia trazer para as estradas carros que por algum motivo estão no conforto da garagem, mas vai mais longe nas suas ambições procurando colocar na luta contra o cronómetro viaturas que, não sendo construídas geneticamente a pensar na competição, com alterações de pequena monta passam a encontrar-se aptas para fazer Ralis.

É neste contexto que a «F-Cup» resgata para os Ralis uma plêiade de automóveis que hoje seria improvável vermos a engrossar listas de inscritos em provas por essa Europa fora.



A «F-Cup» não olha para os carros de Ralis com o preconceito da idade inscrita nos respetivos «Bilhetes de Identidade»: a ficha de homologação é um meio e não um fim, recusando-se a ideia de funcionar como uma espécie de certidão de óbito competitiva de um automóvel.

É assim que ali aparecem carros para todos os credos, gostos e feitios.

Em 2011, o pelotão comporta Volvos 240, Mercedes 190, VW Golf, Toyotas Starlet e Corola, BMW M3, Honda Civic Type R, Astras e Kadett GSI, entre vários outros modelos ditos «improváveis» na lógica estanque do automobilismo «made by FIA».

Muito do interesse da «F-Cup» - à escala uma competição que tem pontos em comum com o nosso «Open» -, reside nos carros de tração traseira que são a nosso ver, não nos cansamos de o referir, os Ralis na sua aceção mais purista.

Para se escrever páginas de ouro nos Ralis à escala planetária, é muito importante dominar-se os mais básicos fundamentos da condução desportiva.

O melhor «abecedário» nessa área são automóveis de tração posterior, difíceis de controlar, revoltos e nervosos, base primordial para se aprender os mecanismos da pilotagem em Ralis, facilitando o processo de transição para carros com motricidade frontal ou os comuns veículos de tração integral.

O calendário da «F-Cup» é constituído por seis provas por ano, visando a contenção de despesas.

Cumpridas quatro etapas da temporada de 2011 - retratadas nas imagens que em baixo colocamos -, percebe-se bem a ideia que preside à «F-Cup» e a popularidade que a competição grangeia.

Com boas ideias, pragmatismo e sentido das realidades, como se constata consegue-se produzir Ralis pouco dispendiosos e sem concessões à emoção e espetáculo.

Uns - eles - têm: outros - nós - não!











AS FOTOS QUE ENQUADRAM O PRESENTE TRABALHO, FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.motorstv.com/car/rally/finnish-f-cup-rally
- http://www.f-cup.fi/cms/pages/posts/nuorala_jatkoi_voittosarjaa_betoni-lehto_rallissa745.php
- http://www.lansi-savo.fi/urheilu/moottoriurheilu.html

segunda-feira, 16 de maio de 2011

P.E.C. Nº 66: A vida é (Mar)bella!



Era uma vez um conjunto de jovens que queria ser piloto de Ralis.

Estávamos em finais dos anos oitenta e início da década de noventa.

Por essa altura ainda se mantinha bem viva a aura dos lendários 'Grupos B', extintos no campeonato do mundo um par de anos antes.

O Rali de Portugal continuava a viver anos de ouro e o brilho glamoroso de Henri, Timo, Ari, Walter, Markku, Michéle, Juha, Bjorn, Miki, Hannu ou Stig era demasiado intenso para não exercer forte influência nos jovens em questão que começavam agora, dealbada a fasquia da maioridade, a poder experimentar as delícias da condução.

Os Ralis ao mais alto nível eram, pois, um filme sem vilões mas repleto de heróis, capazes de povoar os sonhos de quem pretendia tornar-se conhecido pela destreza e façanhas ao volante.

Nós próprios, como muitos outros jovens à época, secretamente ambicionávamos ser um 'ás do volante'.



Futebolista era uma coisa desprovida de interesse e algo banal, médico ou advogado atividades demasiado formais e entediantes.

Ser piloto é que era!

Era afirmar a diferença e a irreverência, medida exata de tudo aquilo que um adolescente gosta de ser.

Com a entrada na vida adulta, esboroaram-se as nossas veleidades em fazer carreira no automobilismo: esquecemos a bacquet e o volante firmando interesse pela poeirenta berma da classificativa.

Os jovens de que falávamos recusavam, porém, capitular perante os seus propósitos.

Obstinados, teimavam em não fazer os seus sonhos entrar em despiste.



Com pouco dinheiro no bolso, a via de entrada no 'salão de jogos' dos Ralis tinha de ser feita timidamente na rudimentar 'mesa de matrecos', ao invés das 'máquinas de flippers carregadas de eletrónica': o Seat Marbella, espartano aos mais diversos níveis, servia na perfeição para esse objetivo.

As imagens que seguem falam por si.

Vemos desejo de afirmação, alimentado nos excessos próprios da juventude.

Vemos descidas súbitas e incontroláveis de testosterona ao pé direito.

Vemos imperfeições na condução, pura acne no ato de pilotagem.

Percebemos viver-se a curva do momento sem pensar na classificativa de amanhã.

Há inquietude, emoções ao alto.



Voracidade, arrebatamento, sentido de urgência.

A súmula de toda esta adjetivação resume-se no troféu Seat Marbella que, entre 1988 e 1992, foi o ritual de iniciação para vários jovens [homens e mulheres] no mundo dos Ralis.

O tempo e as janelas de oportunidade, como em qualquer escola, foram fazendo uma seleção natural: ficaram pelo caminho alguns, realizaram carreira ao mais alto nível outros.

Todavia o legado dos Marbella perdurou, selado pelo ensinamento segundo o qual o apelo e fascínio dos Ralis não tem de andar necessariamente de mão dada com pilotos consagrados e carros potentes.






NOTA:
Boa parte deste conceito 'low cost' para Ralis foi em boa altura reaproveitado com o atual troféu Fastbravo, competição que dá cor e brilho ao Open de Ralis e se socorre precisamente do modelo Marbella fazendo-o evoluir a preço acessível e controlado nas classificativas nacionais.
A história repete-se!

AS FOTOS QUE ENQUADRAM O PRESENTE TRABALHO, FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.ralisasul.com/forum/viewtopic.php?f=13&t=1563

terça-feira, 10 de maio de 2011

P.E.C. Nº 65: Um cabaz de Sardenha...



Caraterizar Loeb enquanto piloto é um exercício difícil.

Os adjetivos escasseiam perante a sua [quase] incontestada supremacia no âmbito do campeonato do mundo de Ralis.

Além dos inquestionáveis dotes de condução, muito do poderio do gaulês assenta no estoicismo psicológico que, por norma, o põe a salvo dos revezes em que os adversários diretos frequentemente incorrem.

O Rali de Itália, disputado no último fim-de-semana, foi a prova que pode ter traçado o destino desta temporada de 2011.

Abrindo as classificativas em terra da ilha da Sardenha, no papel adivinhava-se tarefa complicada para o francês hepta-campeão do mundo.

Quando o guião dos atuais WRC fazia antever um Rali problemático, Loeb respondeu sem tibiezas: puxou dos galões, não oscilou, andou no limite sem incorrer em erros, triunfando sem apelo nem agravo naquela que foi a sua 64ª vitória em provas a contar para o mundial.

Em abstrato, os grandes vencedores caraterizam-se também por saber selecionar criteriosamente os momentos em que se permitam dar a estocada decisiva nas aspirações dos seus rivais.

Na ilha mediterrânica, Sebastién transformou uma vez mais o improvável numa trivialidade, jogando ao ‘gato e ao rato’ com as expetativas dos adversários.

Quem tinha veleidades em pretender apear Loeb do seu torno, terá saído da Sardenha com o moral fortemente abalado pela forma perentória, algo cínica até, como o piloto da Citroen dominou um Rali que à partida lhe seria desfavorável.

A frieza e calculismo capazes de manipular em seu favor os índices de motivação alheios, quase parecem transformar Loeb numa espécie de ‘Mentalista’ ao mais alto nível dos Ralis.

A temporada de 2011 pode, como referimos, ter entrado num momento de viragem após o Rali de Itália.

Hirvonen, Latvala, Solberg e Ogier [sobretudo este] vinham dando mostras de pretender medir-se de igual para igual com Loeb.

Perceber como cada um deles lidará, no plano motivacional, com o 'marcar de terreno' do francês na Sardenha, será um fator acrescido de interesse nos próximos Ralis.

Bem-vindo aos ‘mind games’ no mundo do WRC.



A FOTO QUE ENQUADRA O PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://handbrakeshairpins.wordpress.com/

sexta-feira, 6 de maio de 2011

P.E.C. Nº 64: Afinal havia outro!



… ‘outroLopes!

No passado fim-de-semana Vítor Lopes averbou, com indesmentível mérito, a sua primeira vitória à geral em provas do Campeonato de Portugal de Ralis.

Não foi um triunfo circunstancial.

Nas classificativas de Fafe, Lopes soube capitalizar o seu conhecimento do terreno e, num Rali especialmente duro e traiçoeiro, dominou os acontecimentos não permitindo quaisquer veleidades aos adversários diretos.

Foi, pode-se dizê-lo, o corolário de uma carreira já longa, feita de dignidade e apego evidente à modalidade.



Vítor Lopes é um piloto com qualidade.

Ao longo do seu percurso desportivo de mais de 20 anos, foi construindo uma identidade própria que o colocou a pairar acima do seu próprio apelido, resguardando-se da comparação direta, por vezes tão ingrata, com o seu irmão Adruzilo.

De perfil discreto, avesso a frases polémicas e a paragonas mediáticas, Vítor nunca caiu nas predileções da generalidade da imprensa e adeptos dos Ralis.

Porém, soube ir mantendo um registo de grande profissionalismo que o guindou a piloto de equipas oficiais, marcando o seu próprio terreno no panorama dos Ralis portugueses.

Hoje, Vítor é muito mais que o irmão de Adruzilo Lopes.



É um piloto com valor próprio que não se esgota nas barreiras do seu sobrenome.

Num campeonato que muitos defendem estar ‘nivelado por baixo’, mas que significativamente se encontra equilibrado como há muitos anos não se via, Vítor sobre construir o seu caminho e agarrar a oportunidade que se lhe deparou.

Com classe.

O alento e efeito motivacional que este triunfo terá nas próximas provas serão certamente elevados.

E se Vítor Lopes conseguir conjugar os ares de determinação que sempre sopraram dos lados de Regilde, com a afirmação de competências que reconhecidamente emana desde Aguiar da Beira, então a concorrência pode ter sérios motivos de preocupação na restante parte da temporada de 2011.



RALI 'SERRAS DE FAFE'/2011:
Vítor Lopes/Hugo Magalhães ['Ruivães 1'].

RALI 'SERRAS DE FAFE'/2011:
Vítor Lopes/Hugo Magalhães ['Luílhas 1'].

AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://16valvulas.wordpress.com/2011/05/01/campeonato-de-portugal-de-ralis-
rali-serras-de-fafe-vitoria-de-vitor-lopes/
- http://www.oesterallys.blogspot.com/
- http://famalicaomotor.blogspot.com/
- http://mscfotorali.blogspot.com/2011/05/vitor-lopes-vence-rali-serras-de-fafe.html

segunda-feira, 2 de maio de 2011

P.E.C. Nº 63: O dia maldito



A 2 de Maio de 1985, Attilio Bettega perdia a vida ao volante de um Lancia 037 quando disputava a 4ª classificativa do Rali da Córsega desse mesmo ano.

Volvidos 365 dias, as sinuosas classificativas daquela ilha mediterrânica traíam sem retorno o destino de um dos mais icónicos pilotos de Ralis de sempre, o malogrado Henri Toivonen, que ainda hoje, passados 25 anos sobre o seu desaparecimento, continua a não ter sucessor no coração e memória de legiões de adeptos em todo o mundo.

Com o finlandês partia também o navegador ítalo-americano Sérgio Cresto que se ia firmando, à época, como uma espécie de 'cruise control' capaz de refrear os ímpetos quase indomáveis do inesquecível piloto nórdico.

Somos pouco dados à evocação de memórias e ao assinalar de efemérides, e talvez menos ainda ao elogio fúnebre por vezes tão emotivo quanto pouco objetivo.



Já tudo foi dito e devidamente escalpelizado sobre o arrebatamento de Toivonen ao volante de carros de Rali.

Sem nunca ter conseguido ser campeão do mundo, Henri ajudou a redefinir o conceito de Ralis: exprimia-se pelo pé direito e era nele que extravasava o seu espírito competitivo, sem rendições de qualquer espécie.

Com a sua morte precipitou-se o fim de uma era nos Ralis em que a modalidade estava a ultrapassar-se a si própria, forçando os limites da racionalidade.

Na glória e no drama, Toivonen ficará para sempre indelevelmente ligado ao conceito dos carros de 'Grupo B'.



O finlandês tornou-se um dos rostos de um tempo que já não volta.

Pilotava como se cada berma da classificativa fosse um corretor a pisar em todas as situações.

Em cada ravina, árvore ou muro que ladeavam o troço, o nórdico representava mentalmente uma escapatória imaginária.

A sua noção de tempo e espaço era muito particular e mais alargada que as da esmagadora maioria dos seus adversários.



Por isso conduzia assim.

E se não conduzisse assim, simplesmente não seria ele próprio.

Vinte e cinco anos de saudade, ponto final.



AS FOTOS QUE PUBLICAMOS NESTE TRABALHO, FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.panoramio.com/photo/42566709
- http://connect.in.com/toivonen/photos-toivonen-paper-01-f37411d7ab7f15e8.html
- http://connect.in.com/henri-toivonen-crash/images--in-corsica-86-after-henri-toivonens-crash-toivosen-haastattelu-jne-1-923033799211.html
- http://connect.in.com/henri-toivonen-crash/images-henri-toivonen-als-piloot-en-sergio-als-co-piloot-1-647002462945.html
- http://autosport.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=as.stories/96361