quarta-feira, 10 de novembro de 2010

P.E.C. Nº 28: BORGES, LISBOA e PRATA, juntos e ao vivo!



O extraordinário trabalho que se segue não é da nossa autoria. 

Porém, muito nos honraria que fosse.

Já em ocasiões anteriores no âmbito deste blogue, temos deixado expressa a nossa admiração pelo trabalho, fulcral e decisivo, dos navegadores de Ralis. Sempre que possível, temos procurado construir este espaço reforçando a ideia de dupla e de equipa, identificando em simultâneo o nome de quem se senta no banco direito dos carros desta ‘nossa’ modalidade.

Desta feita, recuamos até ao ano de 1997. As «Edições Aifa» publicavam o seu saudoso «Rali Guia», onde se fazia uma antevisão completa e exaustiva sobre o Rali de Portugal desse ano.

Ali podemos encontrar, então, um soberbo trabalho realizado junto de três dos mais conceituados navegadores portugueses da altura, que agora recuperamos, com a devida vénia ao(s) seu(s) autor(es) que não conseguimos identificar em concreto.

Mais que informação propriamente dita, o que abaixo se reproduz é uma verdadeira aula de cátedra sobre navegação em Ralis, leitura obrigatória para se compreender a missão destes homens e mulheres.

Entre os múltiplos aspectos abordados, Miguel Borges, Luís Lisboa e Fernando Prata não se esquivam até a deambular sobre assuntos gastronómicos, partilhando, também aqui, nesta fina arte, gostos e preferências com «Zona-Espectáculo».

É essa peça jornalística que agora recuperamos, pela qualidade do texto e pelo tributo que faz a quem acaba por ser uma espécie de «consciência moral» dentro de um carro de Ralis.

"GUIAR SEM VOLANTE"

“Muitas vezes esquecidos nas inúmeras crónicas referentes às provas que disputam, por irem ao lado das grandes vedetas que são os pilotos, os navegadores são peças chave para o bom funcionamento de uma equipa de ralis onde assumem um papel importante não apenas dentro do carro, como também na logística geral de todo o conjunto.

São invejados por poucos, já que se lhes atribui uma elevada dose de loucura, apenas por arriscarem sentar-se no banco do lado direito de um carro de ralis. Têm confiança cega nos seus companheiros e são eles que muitas vezes controlam o seu andamento, ora acalmando ora excitando um pouco os ânimos, controlando a sua e a adrenalina deles.

Apesar de lhes caber o papel de lidar com o relógio e ler as notas exigidas pelos pilotos, estas não são, frequentemente, da sua autoria, reflectindo, isso sim, os desejos de antecipação de situações que os pilotos decidiram escrever através de uma série de símbolos, que têm de debitar a uma velocidade exactamente igual à que cada um quer ouvir.

Não raras vezes funcionam com verdadeiros professores de pilotos mais jovens. Nos campeonatos de iniciados, o papel do navegador é muitas vezes fundamental para que um «jovem lobo» possa adquirir ritmo e mesmo ser mais lesto que os restantes. Empregam nessa altura experiências acumuladas e eles mesmo se vão aperfeiçoando, com as inúmeras situações com que deparam.

Foi sobre o papel destes homens que nos debruçamos durante alguns instantes e são as 
impressões de três dos mais experientes navegadores nacionais que irão descobrir nas próximas linhas, tendo como temas, as notas de andamento, sua aplicação e desenvolvimento, a utilização por parte dos seus pilotos e alguns outros factos curiosos ligados aos homens do «banco do lado».

Fernando Prata, Luís Lisboa e Miguel Borges, sentam-se ao lado de três dos melhores pilotos do Nacional de Ralis e integram com Pedro Azeredo, Adruzilo Lopes e José Carlos Macedo, as únicas duas equipas oficiais do nosso campeonato.
Utilizam cadernos de «escola primária» para assentar a estrada por onde andam às vezes a uma velocidade alucinante, mas para uma mesma classificativa, transmitem informações bem diferentes… Tudo depende dos pilotos:

FERNANDO PRATA (F.P.): No caso particular do Pedro Azeredo, o tipo de notas que utiliza é baseado nas antigas anotações de Joaquim Santos, que o Pedro acompanhou por diversas vezes quando aquele treinava para a Diabolique sem a presença do Dr. Miguel Oliveira. São notas muito simples, com algumas anotações menos… próprias, mas que o Pedro interpreta da melhor forma e lhe servem às mil maravilhas para conseguir andar rápido na maior parte das situações. Temos feito obviamente algumas rectificações – por exemplo para abrir ou fechar mais o andamento – mas basicamente as notas são as do Joaquim Santos… mesmo nos troços novos. São por vezes demasiado compridas. O Pedro depende inteiramente das notas – ouve-as regularmente e quando acho que não está a ouvir… tem que se haver comigo – que pormenoriza bastante mais na terra, ou melhor, apesar de no asfalto ser necessária mais precisão, a dimensão da nota na terra é por vezes um pouco superior, de molde a aumentar a segurança num piso que pode por vezes causar algumas surpresas. Os troços é que «ditam» as notas e tudo depende do andamento que se espera nesta ou naquela situação. Sinceramente acho que é mais fácil tirar notas em asfalto.

[http://www.ralivm.com/pressReleases/prDetails.cfm?PRID=30]

No caso de Luís Lisboa, a simplicidade de Adruzilo Lopes já não é tão grande e o navegador do piloto da Peugeot tem mesmo outra opinião quanto à precisão das notas no asfalto…

LUÍS LISBOA (L.L.): Já ando com o Adruzilo há alguns anos e posso afirmar que cada vez se complicam mais as notas, talvez devido ao facto de se treinar muito mais e por isso mesmo ser necessário estar quase sempre a introduzir anotações extra que ajudem a um melhor andamento. O Adruzilo tem umas notas que dão uma «panorâmica» das curvas, tanto na largura da estrada, como na distância, como também chamando a atenção para tudo o que «rodeia» cada situação descrita nesta ou naquela página. É bastante minucioso, pois vai desde o ângulo, à descrição do exterior, interior, largura, comprimento, enfim tudo o que puder ajudar a rodar muito depressa.

[http://www.ralisasul.com/forum/viewtopic.php?f=13&t=731]

Ele depende cada vez mais das notas e é em alturas de grande pressão que a sua frieza vem ao de cimo e melhor «interpreta» aquilo que eu lhe «canto» e lhe entra… pelo capacete.

Suponho que confiamos muito um no outro e que por isso mesmo temos vindo a aperfeiçoar-nos neste particular.

No entanto parece, que quem necessita ouvir mais informação é mesmo o José Carlos Macedo, que faz com que Miguel Borges foque por certo com a «boca seca» só por descrever uma curva em que não convém fazer isto ou aquilo, tem que se abordar de uma certa maneira, enfim, quase um… romance!

MIGUEL BORGES (M.B.): A base das nossas notas é simples, utilizando números para a descrição das curvas e nomenclatura normal para quase todas as situações. Fundo, rápidas, médias, médias rápidas, médias mais, etc., são as notas mais comuns… Depois, juntamos tanta coisa, que as notas são por vezes infindáveis, já que pensamos poder incrementar o nosso andamento, só pelo facto de adicionarmos este ou aquele pormenor. Chamo a isto «colorir» as notas; junta-se fecha, ou abre, ou corta, enfim tudo. Pormenorizamos mais no asfalto do que na terra, já que há mais improviso neste último tipo de piso. No asfalto temos que ser mais «milimétricos».

[http://www.ralisasul.com/forum/viewtopic.php?f=13&t=1509]

O Zé Carlos é «nota-dependente». Com alguém a seu lado, que não eu, o andamento é muito diferente. Sem notas, anda muito abaixo das suas capacidades.

Tal como eles dizem, são nomenclaturas diferentes, com um mesmo fim: Andar muito depressa! Para isso é melhor conhecer todas as armadilhas do terreno e as notas têm informações tão diversas como por exemplo a existência de lama, uma vala, um ramo partido, folhas, pedras, um topo e mesmo uma curva seguinte que é necessário abordar com alguma cautela. Trata-se de um jogo de completa concentração, no qual o papel do navegador é muito importante mesmo quando em pânico, evitando assustar o piloto, porque algo não está a correr bem…

(M.B.): A nossa responsabilidade é muito grande e por vezes leva-nos a situações caricatas. Lembro-me que no ano em que disputei pela primeira vez o Rali Vinho Madeira, foi ao lado do Zé Carlos, com um Renault 5 GT Turbo do Troféu. Era até essa altura o maior rali que disputara na minha vida e para além disso até estávamos em primeiro, já no decurso do último dia.

[http://www.ralisasul.com/forum/viewtopic.php?f=13&t=1509]

No troço da Santa entrei em pânico… Levei a mão atrás para ir buscar o capacete e não o encontrei… Sem dizer nada ao Macedo, votei a procurar, mas para não perder mais tempo e porque o vi muito preocupado, disse-lhe que tínhamos que voltar para trás pois tinha deixado o meu capacete na assistência anterior. Estávamos sobre a linha de CHC e ele deixou escapar uma gargalhada, quando eu pensava que ia ficar muito aborrecido comigo… É que eu tinha o capacete… na cabeça e com o nervosismo nem tinha notado! Claro que partimos para o troço a tempo e às gargalhadas…

Uma história ainda bem actual, que reflecte o estado de tensão dentro do carro e que um navegador experiente como Fernando Prata deve ter sentido alguma vez. Tetra-Campeão Nacional ao lado de Carlos Bica e Campeão Nacional de Grupo N com António Segurado, o «Fanã» já leu muitas notas, mas não considera difícil nenhum dos pilotos com que andou…

(F.P.): Felizmente que todos eram de “bom trato” e nenhum tinha notas muito complicadas. Talvez o Bica fosse quem necessitava de mais informação, mas nada de transcendente. A frequência e o rigor com que treinamos agora, faz com que eles se apurem bastante e mesmo as classificativas novas não necessitem de mais passagens.

(M.B.): Eu também não me posso queixar dos meus pilotos. Apenas o João Santos tinha algumas notas mais difíceis, que causavam algumas dificuldades de interpretação. Com os iniciados também foi simples e houve neste caso uma grande entre ajuda para que os resultados pudessem ser interessantes.

[http://www.ralisasul.com/forum/viewtopic.php?f=13&t=1509]

Para Luís Lisboa, as responsabilidades são acrescidas, pelo facto de fazer algo mais que apenas navegar. Controla toda uma equipa e assegura ainda a estabilidade dentro e fora do carro. Uma dupla que se conhece há muitos anos e que também tem algumas histórias curiosas para contar…

(L.L.): Tal como o Miguel, passou-se connosco uma situação curiosa na Madeira. Tudo preparado para partir para uma classificativa, notas na mão, capacete na cabeça, enfim, tudo a postos. Começamos a andar e tudo ia bem, até que ao fim de 700 metros as notas começam a falhar… Tinha-me enganado no caderno e estava a ditar notas de outro troço…

[http://www.peugeot.pt/media/deliacms/media/10/1067-df8533.jpg]

Depois do susto deve ter sido uma verdadeira gargalhada geral, afinal comum a muitas situações que se devem viver dentro do carro, durante tantas horas de convivência. Conhecem todas as estradas do país, os recantos mais escondidos e fazem amizades em todo o lado… ou quase:

(F.P.): Uma vez estava num hotel do Porto e não conseguia acender a televisão. Como não tinha sono, resolvi ir ao quarto do meu mecânico – o Zé das Motas – trocar o aparelho, pois sabia que ele ia dormir.

Subi pelo elevador, troquei o aparelho e quando regressava ao quarto, de pijama e com a televisão na mão, não reparei que alguém tinha carregado antecipadamente no botão de chamada e fui para à receção…

[http://www.ralisasul.com/forum/viewtopic.php?f=13&t=1385]

Agora imaginem a cara do pessoal do hotel, quando me viu naquela figura, a tentar explicar que não era nada do que estavam a pensar…

Histórias infindáveis, que reflectem algum bem-estar numa competição que ainda continua a ser aquela que mais seguidores tem a nível nacional. Seguidores que invejam a sua posição ao lado dos «craques» colocando-os assim num patamar de admiração e respeito de que são amplamente merecedores.

DE NAVEGADOR A GUIA-TURÍSTICO

Conhecem tudo! Desde a tasca das sandes, ao restaurante com aquela pinga ou «onde se come um cabritinho…» As poucas horas que dormem, fazem-no nos melhores sítios possíveis. Não necessitam marcações prévias.

Nada melhor que três navegadores para nos recomendarem alguns sítios de pernoita e repasto, para as áreas cobertas pelo TAP - Rali de Portugal. A começar pela Figueira da Foz… «onde o melhor é dormir no Mercure e tentar uma mesinha no Carrocel ou no Búzio, isto se não se quiserem dar ao trabalho de ir até Montemor-o-Velho ao Ramalhão. Uma maravilha…»

Se em Coimbra as opiniões se dividem entre um passeio à Bairrada para comer leitão e a Taberna bem no centro da cidade, em Tábua o conselho vai para o restaurante o Moinho, bem perto do hotel de Turismo e depois o melhor é não esquecer o Avenida em Lousada, onde se come divinalmente…

A caminho de Fafe – conselho exclusivo do Miguel Borges – não esquecer na Trofa de ir comer ao Convite e em Fafe – por indicação expressa do Luís Lisboa – dirija-se ao troço de Lagoa e cerca de 1,5 km após Fafe vire à esquerda para uma estrada estreita que o levará ao restaurante Rielho.

Claro que em Fafe se dorme bem no Hotel Primavere, mas também pode escolher o Hotel de Guimarães ou a Pousada de Santa Luzia.

De regresso à Póvoa, durma numa das unidades da Sopete e pergunte pelo restaurante Boavista, ou pelo pequeno Leandro – onde Fernando Prata assegura ter comido um peixe digno de reis. Fica para os lados do bairro dos pescadores.

A caminho de Viseu, «nada melhor que comer em Amarante no Zé da Calçada». Naquela cidade final de etapa, tente dormir no Grão Vasco e pergunte onde é o Barrote ou o Barriga Cheia. Qualquer dos dois restaurantes é muito bom.

Já de regresso à Figueira, não perca perto de Oliveira do Hospital, a Pousada da Póvoa das Quartas, onde a morcela é a não perder e até pode ficar a dormir. Um pouco mais abaixo em Gândara de Espariz, vá ao Tabriz e já em Arganil, onde pode e deve ficar no Hotel de Arganil ou na Residencial Canário, coma no Gota de Água ou no Tijuana.

Não esqueça Coja, que tem uma pequena residencial chamada Vitocalis e um excelente restaurante chamado Lagar do Alva.

Não se pode dizer que o roteiro é bem farto. E como podem verificar, há muitos lugares para descansar a seguir a tão lautos repastos”


NOTA: «Zona-Espectáculo» desconhece se, volvidos mais de 13 anos, ainda perduram todos estes locais e/ou se mudaram de designação ou gerência. Contudo, pelas palavras deixadas, parece valer a pena começar a elaborar um «road-book» gastronómico, iniciando de seguida o respetivo processo de «reconhecimentos»…

sábado, 6 de novembro de 2010

P.E.C. Nº 27: Pilotos destes precisam-se, doa a quem Duez…



Há pilotos assim: um slide desenhado na perfeição, uma curva realizada provocando os limites do razoável, um toque de travão absolutamente desconcertante.

São momentos, fracções de segundo, capazes de empolgar uma plateia levando-a ao rubro.

São essencialmente criativos, imprevisíveis, inconstantes, inquietos.

Não se lhes pode exigir resultados.

Nem uma abordagem científica da profissão.

O rigor absoluto entedia-os.

O volante é a ferramenta de trabalho que manuseiam nervosamente.

Não realizam classificativas em função do cronómetro.

Vão-nas esculpindo ao sabor do improviso a cada momento.

Trabalham numa espécie de corda-bamba balizada pelos limites da estrada, que gostam de provocar a cada metro percorrido.

Os resultados são um meio e não o fim último de participação numa prova.

Têm uma noção de «serviço público» muito peculiar: trabalham em função do espectador e do adepto, privilegiando-os em relação aos interesses do patrão.

São rebeldes, insubmissos.



A sua marca para a história são imagens. 

Não as estatísticas; menos ainda palmarés.

Um rali é uma tela em branco onde fazem gala de expressar a sua imaginação.

Na história dos Ralis há vários pilotos assim.

Quem não se recorda de Ragnotti e da forma como transformava o habitáculo dos seus Renault num portentoso ateliê de produção artística?

Que dizer de Gigi Galli, portador de uma carisma gigantesco que tanta falta faz no âmbito do mundial de Ralis?

Em Portugal, num plano distinto, quem poderá esquecer António Coutinho, Carlos Carvalho, José Carlos Macedo ou Ricardo Teodósio?

O belga Marc Duez [18-04-1957], encaixa na perfeição neste rol de pilotos.

Nas suas múltiplas aparições na alta-roda dos Ralis, sempre demonstrou mais espírito de saltimbanco que de corrector bolsista.

Há pilotos assim: com alma de artistas.

Há pilotos assim: nós agradecemos…

[http://www.youtube.com/watch?v=nh5-8PD9Hbo&feature=related]

[http://www.youtube.com/watch?v=TwqfzXqV5ew&feature=related]

[http://www.youtube.com/watch?v=EsSBrtR6XiA&feature=fvst]

[http://www.youtube.com/watch?v=i8CdCXH7-lA&NR=1]

Fotos obtidas em:
- http://www.racehistorie.nl/rijders/coureurs_m.htm
- http://fafe-braga.olx.pt/marc-duez-iid-10874824

P.E.C. Nº 26: Préstimo



Na «P.E.C. Nº 7» deste blogue, procedemos à apresentação do troço do Caramulo integrado no âmbito do Rali de Portugal, com imagens e informação pormenorizada sobre o mesmo.

Desta feita, damos continuidade a essa ideia convidando os nossos visitantes a uma vista guiada por dentro do troço do Préstimo (versão asfalto) que, entre 1983 e 1990, constituiu o lote de classificativas da prova.

Esta classificativa tinha como percurso, nos anos de 1983, 1984, 1988, 1989 e 1990, precisamente aquele que as imagens abaixo colocadas documentam, com pequeníssimas diferenças de poucos metros no seu início ou no seu final em algumas das referidas ocasiões.

Iniciava-se num cruzamento junto a Macieira de Alcoba (40°37'30.60"N - 8°16'45.03"W), para finalizar em frente ao cemitério junto à povoação de Ferreiros de Cima (40°37'39.61"N - 8°22'22.76"W).

Entre 1985 e 1987, o troço foi percorrido no sentido exactamente inverso.

ANOS/QUILÓMETRAGENS/SENTIDO DO TROÇO:

E - Macieira de Alcoba;
O - Cemitério de Ferreiros de Cima.

1983 – 12,50 km (E/O);
1984 – 12,50 km (E/O);
1985 – 12,50 km (O/E);
1986 – 12,50 km (O/E);
1987 – 12,20 km (O/E);
1988 – 12,00 km (E/O);
1989 – 11,90 km (E/O);
1990 – 11,90 km (E/O).

RESULTADOS/VENCEDORES:

1983 – Anulado (manifestação de vidreiros);

1984Attilio Bettega/Maurizio Perissinot e Massimo Biasion/Tiziano Siviero (ambas as duplas em Lancia 037 Rally) – 7m:33s (média: 99,34 km/h);

1985Massimo Biasion/Tiziano Siviero (Lancia 037 Rally) – 7m:28s (média: 100,45 km/h);

1986Joaquim Moutinho/Edgar Fortes (Renault 5 Turbo) – 8m:38s (média: 86,87 km/h);

1987Carlos Sainz/António Boto (Ford Sierra RS Cosworth) – 7m:57s (média: 92,08 km/h);

1988Massimo Biasion/Carlo Cassina - (Lancia Delta Integrale) – 7m:43s (média: 93,30 km/h);

1989Massimo Biasion/Tiziano Siviero - (Lancia Delta Integrale) – 7m:39s (média: 93,95 km/h);

1990 – Anulado (motivo desconhecido).

IMAGENS (sentido: Macieira de Alcoba > cemitério de Ferreiros de Cima):


[Nota: Agradecemos, uma vez mais, o precioso auxílio do João Costa na compilação de informação, bem como a colaboração do David Matos na recolha das imagens].

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

P.E.C. Nº 25: Algures entre Ralis e patinagem artística, com um certo espírito de garraiada...


Não obstante uma certa tendência securitária - que defendemos - que tem vindo a caracterizar os Ralis desde um passado mais ou menos recente, pensamos que aos mesmos está filosoficamente inerente uma certa ideia de libertinagem e transgressão.

Esse espírito ganha contornos bem reais, quando a modalidade sai das oficinas e parques de assistência e se deixa oxigenar no ambiente onde se sente melhor: no meio do povo, na comunhão e osmose com os seus adeptos.

Curiosamente, no meio do caos que resulta de uma grande multidão vagueando livremente pelas classificativas, pode surpreendentemente emergir um certa ideia e sentido de ordem que as imagens agora partilhadas consigo pensamos documentar.

Segurança e liberdade.

Caos e ordem.

Os Ralis são por vezes um jogo de contrastes, no qual se pode encontrar as pistas para se chegar ao código genético da modalidade...